Junho 10, 2020

A acareação que não muda nada

A acareação que não muda nada
RODOLFO ESPÍNOLA/AGÊNCIA AL

Colocar lado a lado Márcia Regina Geremias Pauli (ex-superintendente de Gestão Administrativa da Secretaria da Saúde) e os ex-secretários Helton Zeferino (Saúde) e Douglas Borba (Casa Civil), que saiu direto da prisão para participar da acareação promovida pela CPI dos Respiradores, foi como bater em uma porta trancada, sem trinco e sem chave.

No popular, os três nada mudaram de suas versões anteriores: Márcia a sustentar que quem mandou pagar os R$ 33 milhões antecipados por 200 aparelhos junto à Veigamed foi Helton, ele a afirmar que houve “fraude” pelo pagamento autorizado por ela, que certificou um produto que não foi entregue, e Douglas a se esquivar dos ataques de ambos de que interferiu e pressionou.

Acareações são demoradas, chatas de todo modo, e esta só não foi pior porque o deputado Kennedy Nunes (PSD) interveio e usou de sua preparação, antes do encontro desta terça (9), e observou que, nas CPIs no Congresso, não há a participação ativa dos advogados, que, ao início da reunião, pareciam levar para a Assembleia o ritmo de um tribunal do júri, com apartes e questões de ordem, prontos para o debate.

Não houve uma evolução, tanto em que apenas em poucos momentos Douglas afirmou que, se nada tivesse dado errado, ao se referir ao processo torto da compra, não estaria onde está agora, ou seja preso preventivamente.

 

RODOLFO ESPÍNOLA/AGÊNCIA ALESC

QUE MOMENTO!

Imagine uma pessoa ser o todo-poderoso do governo, uma espécie de "primeiro-ministro", que mandava e desmandava, e chegar a uma reunião na Assembleia escoltado por agentes da DEIC, direto da prisão.

Esta é a dura realidade de Douglas Borba, que cumpre o rito daqueles que precisam responder por muitos atos imputados.  

 

Eficiente

De longe o melhor sistema adotado para fazer os acareados levarem as respostas para o campo da objetividade foi o do deputado João Amin (PP).

Dizia qual era o tema da divergência, todas as quatro levantadas por ele, e cada um dava a sua versão. Salvou a noite!

 

RODOLFO ESPÍNDOLA/AGÊNCIA AL

JOGADA COMPLICADA

A acareação não havia começado e o deputado Ivan Naatz (PL), relator e propositor da CPI, apresentou um requerimento aprovado por unanimidade pelos membros da comissão onde disse, em claro e bom som, tratar-se de uma requerimento de convocação do governador Carlos Moisés da Silva. Ocorre que, legalmente, não há como uma CPI convocar um chefe do Executivo, apenas convidar. O termo foi usado na mesma linha de jogar para o eleitor de que há esta possibilidade, quando as figuras jurídicas são diferentes, bastante diferentes.

 

Nem lá nem cá

A Procuradoria Geral do Estado não tinha uma resposta sobre a convocação, que era convite e nem um dos dois termos conta do requerimento aprovado pela CPI.

O fato será analisado pela Casa Civil, que, até o fechamento desta coluna, não havia se manifestado.

 

REPRODUÇÃO/TVAL

CARAS E BOCAS

Olha que o presidente da CPI, deputado Sargento Lima (PSL), pediu que os acareados não se valessem de gestuais, caras irônicas ou similares, durante a manifestação de outra pessoa quando respondia ou se manifestava. Não funcionou com Márcia Regina, que, durante todo tempo, exercitou “sobrancelhadas” e sorrisos durante as respostas e intervenção, de deputados e dos ex-secretários. Na foto, quando perguntada pelo deputado Kennedy Nunes, por volta das 22 horas.  

 

Enfim, nomes!

Márcia Regina ainda não se lembra do nome do deputado que pode ter agido na pressão sobre a compra dos respiradores, disse que precisaria do seu telefone para tanto.

Já Douglas entregou o que se propôs, citou, por razões diferentes, mas todos com propostas para ajudar a entrega de insumos por empresas de suas respectivas regiões e nada a ver com os respiradores, mas EPIs, os deputados Fernando Krelling (MDB), Vicente Caropreso (PSDB) e Luiz Fernando Vampiro (MDB). A pressão não estaria embutida.    

 

Erro

A CPI está equivocada ao ter proposto a acareação entre Márcia Regina, Helton e Douglas sem ter ouvido antes do servidor José Florêncio, coordenador do Fundo Estadual de Saúde, que efetuou o pagamento à Veigamed; a servidora Debora Brum, assessora da ex-superintendente de Gestão Administrativa, que também aparece com atuação na efetivação da compra; e Fábio Guasti, que atuou como intermediador na venda dos respiradores e foi preso na segunda fase da Operação Oxigênio.

Os nomes deles circularam na acareação e poderiam acrescentar novos elementos na apuração. Serão ouvidos na semana que vem.

       

Menos um

Aos poucos, aqueles argumentos rasos utilizados por alguns mandatários e parlamentares cai por terra em relação à pandemia do Covid-19.

O último, aquele de que o governo do Estado economizaria se atendesse tão somente à compra de 100 respiradores pela Intelbras, mais baratos do que os vendidos pela Veigamed, caiu por terra porque a boa ação da empresa catarinense esbarrou em um detalhe legal: o de não possuir autorização da Anvisa para proceder a operação.

 

“Mick Jagger” da Assembleia

Tens uns três ou quatro deputados, os mesmos que defendiam os padrões nórdicos de combate ao Coronavírus na Suécia, reconhecidos agora pelo país escandinavo como um grande equívoco, que também eram adeptos do fator Intelbras, cuja importação foi abortada e o governo do Estado cancelou a compra programada, ou seja, sem prejuízo para os cofres públicos.

É bom ficar atento ao discurso fácil deles, que têm agorado por ir contra o isolamento social ou fazem vista grossa à realidade que se transformou o mercado internacional da venda de insumos para a saúde depois da doença, como se vivessem em um outro planeta. Aliás, uma coisa está perpetuada, são identificados como a turma do pé-frio e já estão sendo chamados de “Mick Jagger” da Assembleia.

 

Rigor

Deputada Paulinha da Silva (PDT), líder do governo, conheceu de perto o rigor do controle das medidas de combate ao Coronavírus na Assembleia.

Ao chegar à sede do parlamento, na segunda (8), a medição indicou uma temperatura acima do normal e a parlamentar foi orientada a retornar para casa: ponto para o Legislativo pela vigilância e à deputada que entendeu à preocupação que o momento exige.

 

Atestado

A deputada estava com uma infecção leve, de acordo com o diagnóstico médico, e retornou ao trabalho depois de fazer o exame e testar negativo para o Coronavírus.

Na sessão desta terça (9), Paulinha estava presente e fez questão de trazer o atestado médico, embora ainda com um pouco de febre.   

 

Alerta

A Assembleia já teve a sede fechada por uma semana por conta da ocorrência de um caso e de outros quatro suspeitos de Coronavírus.

Infelizmente a presteza da deputada Paulinha passaria longe de determinados perfis, que, além do carteiraço, invocariam a Constituição, o guru, William Shakespeare e a mãe do Badanha para entrar no Palácio Barriga Verde, sem máscara. Gente que trata a questão saúde sob o viés ideológico.

 

Interessante

Notícia dada pelo Estadão afirma que Procuradoria Geral da República vai analisar a atitude do governador em "furar a quarentena" e participar de uma festa em Gaspar, em um hotel, por ele não usar máscar e estar exposto à proximidade com outras tantas pessoas.

Interessante é que a mesma PGR não "analisa" o presidente Jair Bolsonaro, que sai à rua sem máscara, o que é proibido em Brasília, e nem é preciso dizer que se reúne com multidões. Moisés se desculpou em um vídeo divulgado na noite desta terça (9), veja aqui (https://bit.ly/2Ur9A1O).

Tags:
roberto-azevedo política economia bastidores da política Santa Catarina
Compartilhe: Compartilhe no FacebookCompartilhe no TwitterCompartilhe no Linkedin

Artigos Relacionados

Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 35 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, editor-chefe, chefe de Redação, gerente e diretor de Jornalismo na RBS TV (Blumenau e Florianópolis), hoje NSC TV; na TV Record (Florianópolis) e na Rede TV Sul (hoje SCC SBT); comentarista na RIC TV (hoje NDTV) e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União AM e FM (Blumenau e Florianópolis) e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, faz comentários na Rádio Cidade em Dia FM, de Criciúma, e é diretor de Conteúdo na TVBV (Band).
  • Youtube

Comentários

Media Social

Fique por dentro

Receba novidades no seu e-mail!