Outubro 31, 2019

A antimatéria do Jornal Nacional e a reação de Bolsonaro

A antimatéria do Jornal Nacional e a reação de Bolsonaro

O Jornal Nacional de ontem, 30, deixou para a parte final, com maior audiência, os desdobramentos da reportagem sobre o porteiro do condomínio do presidente Jair Bolsonaro. Em nenhum momento cogitou dizer que foi precipitado ao divulgar uma antimatéria - um não assunto jornalístico – na medida em que todas as autoridades confirmaram que Bolsonaro estava em Brasília, quando o porteiro anotara que ele abrira a porta para um dos bandidos que participou do assassinato de Marielle Franco.

O próprio Jornal Nacional ressalvou na primeira reportagem que a ausência do presidente era um fato. De onde vem então o questionamento que faço: onde está a notícia?

A Globo foi incoerente ao divulgar o assunto dessa forma, em cima de uma informação de um porteiro equivocado, que podia ter sido procurado e ouvido). Mas, é claro, se isso fosse feito, corria o risco de não divulgar nada, porque a mentira derrubaria a matéria.

Os anos de jornalismo me ensinaram que a postura ética e o desejo de informar são os pilares da profissão, superando bloqueios de autoridades e processos em segredos de justiça. Assunto que cai na mão de jornalista é para ser divulgado, mas com os cuidados necessários. Nesse caso, a Globo não assumiu o erro, que é uma das características mais nefastas do jornalismo de hoje.

E apesar de todos esses senões, a reação do presidente Jair Bolsonaro falando em “patifaria” da Globo, de ação predatória do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, e ameaçando olhar de lupa a renovação da concessão da Globo em 2022 é outro descontrole. Foi do jeito Bolsonaro de ser, ameaçando a impressa e instituições para atender seu público radical. Não precisava. Poderia ter saído bem melhor desta como presidente ultrajado.

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Claiton Selistre

Claiton Selistre

Jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, foi diretor de Jornalismo por 25 anos da RBS TV, TVCom e Rádio CBN/Diário em Santa Catarina. Antes atuou na  Rádio e TV Gaucha do grupo RBS e em redações de jornal, rádio e tv do grupo Caldas Jr. em Porto Alegre. Foi também repórter da na Sucursal do Jornal do Brasil. Planejou e Coordenou coberturas multimídia nas Copas do Mundo de Futebol na Alemanha, Argentina, Espanha, México, Itália, Estados Unidos, França e Japão/Coréia. Dirige a Making of há seis anos.

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