Outubro 25, 2019

A bagunça da mistura família-Governo

A bagunça da mistura família-Governo
Reprodução

Família é importante, e governo é importante. Mas a mistura das duas coisas produz o caos e o subdesenvolvimento político e social. Isso está comprovado não só psico-socialmente, mas historicamente também. Psico-socialmente diante da enorme dificuldade de se conciliar os interesses da família com os interesses de toda a sociedade. Para a família, os interesses da família estão sempre claramente acima dos interesses do todo da sociedade. E isso já foi enfrentado historicamente, de forma chocantemente clara, com a criação da democracia. A democracia veio para fazer o quê? Veio para substituir o poder da família no governo. O reinado de uma família ainda está aí, em um ou outro país politicamente subdesenvolvido, como o Arábia Saudita. Mas em países mais modernos, como Inglaterra e Japão, o poder da família foi colocado em um museu. Como memento histórico de um passado superado. Nenhum membro das famílias reais da Inglaterra e do Japão governa a Inglaterra ou o Japão. E há um cuidado para deixar isso bem claro dentro do museu histórico conservado na Inglaterra e no Japão sobre o regime familiar derrubado pela democracia. A separação família e governo foi radicalizada, inclusive simbolicamente, nos dois países, por razões psico-sociais e políticas muito claras. Os interesses de família e os interesses do governo democrático são antagônicos, e dificílimo de se conciliarem.

O que está acontecendo no Brasil em relação ao assunto? Ingenuidade total, diante da história. A família Bolsonaro acha que é fácil conciliar os interesses de família com os interesses de governo. Com isso, o Brasil está marchando para trás do que fez a invenção da democracia, quando rompeu radicalmente, e violentamente, o elo entre família e poder de governo, acabando com o reinado das famílias reais, e colocando em seu lugar a representação democrática do povo. Essa representação democrática do povo não pode agora tentar replantar o reinado das famílias, por meio da aristocracia dos políticos eleitos, como Thomas Paine advertiu que poderia acontecer.

É um atraso histórico colossal isso que está acontecendo no Brasil, quando a família Bolsonaro tenta implantar o poder familiar estatizado que foi derrubado pela criação da democracia.

Concordamos que não é fácil conciliar alguns princípios democráticos dentro de um governo eleito pela democracia. Os filhos de Bolsonaro se elegeram, com apoio dos trinta anos de Bolsonaro como congressista. Mas eles tem a obrigação de se eleger dentro do respeito aos princípios que geraram a democracia. Que veio para derrubar o poder político das famílias. Para respeitar o fundamento histórico da democracia, que aboliu o poder político das famílias, eles precisam se limitar à função para a qual foram eleitos. Sem tentar tomar conta de toda a máquina do poder governamental, via nepotismo.  Nepotismo que encheu a política brasileira de clãs familiares, que continuam empurrando a democracia brasileira na direção do passado, que a democracia veio para derrubar: O poder negativo devastador da família dentro da política e do governo democráticos.

*Ricardo Luiz Hoffmann é Formado em direito, técnico em assuntos educacionais da Universidade Federal de SC, aposentado.

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Redação Making Of

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