Outubro 11, 2019

A briga que pouco interessa à sociedade

A briga que pouco interessa à sociedade
REPRODUÇÃO/FACEBOOK

O presidente Jair Bolsonaro (na foto com Luciano Bivar, antes da crise) pede uma auditoria nas contas do PSL, enquanto seus advogados estudam uma maneira para que, em uma eventual debandada da sigla, os deputados federais e estaduais, eleitos na onda que varreu o país, em 2018, não percam seus mandatos, o que precisaria de um motivo, uma justa causa diante dos tribunais regionais eleitorais e do TSE.

O presidente da sigla, o deputado federal Luciano Bivar, de Pernambuco, envolvido em denúncias de utilização de candidatas “laranjas” para compor 30% das chapas ao Legislativo, parte para a retaliação com a retirada de cargos dos aliados de Bolsonaro, uma profusão de enfrentamentos que não soma nada a governabilidade do país e só acirra o desejo do presidente da República em assumir o controle do partido.

O quadro não é diferente em Santa Catarina, onde os deputados estaduais pesselistas, descontentes com o governador Carlos Moisés da Silva, apegam-se na defesa de Bolsonaro e na ameaça de troca de partido para reforçar a indignação que mais parece reflexo de um rancor do que de um fato político.

Em resumo, por ora, ninguém ganhou nada, tampouco passou a confiança de nada mais do que participar de um processo de jogar para a torcida que aplaude e faz barulho.

 

A realidade

O PSL de Bolsonaro sequer se consolidou como partido forte, pois emergiu de uma sigla de menor porte que se viu catapultada à condição de grande agremiação em função dos milhões de votos espalhados no país, e já vive uma crise proporcional ao sucesso nas urnas, que se espalha pelo país.

Composto em sua maioria por ativistas digitais, que parecem viver nas redes sociais e fora do mundo real, sem um corpo único, somente envolto em um forte discurso, o partido precisa se reforçar, ganhar musculatura e estrutura para estar apto para 2020, por enquanto cenário longe de ser efetivado.

 

Em Santa Catarina

O presidente Fabio Schiochet, deputado federal que já assumiu o comando do PSL catarinense depois de uma outra crise, envolvendo a bancada federal, que levou à saída do comando da legenda do secretário Lucas Esmeraldino (Desenvolvimento Econômico Sustentável) - que concorreu a senador e, de fato, formou a nova estrutura vitoriosa no ano passado -, ainda busca formar os diretórios municipais em meio às disputas de espaço que não se encerraram.

Nem comissão provisória o PSL possui na maioria das cidades, simplesmente um passo importante para quem projeta ter 110 candidatos a prefeitos, 30 deles nos mais populosos municípios catarinenses, fator determinante para assegurar, em 2022, uma candidatura de Moisés à reeleição.

 

O desafio

Como formar um partido forte, orgânico e com capilaridade em terras catarinenses, se o prato principal hoje, em torno de grande parte da bancada de seis deputados estaduais e quatro federais – muitos deles pré-candidatos a prefeito -, além do governador e da vice Daniela Reinehr, é divergir e fomentar a “pancadaria” entre seguidores nas redes sociais?

Schiochet, que tem base em Jaraguá do Sul e calou-se ao evitar o atendimento à imprensa por telefone nos últimos dias, enfrenta o desafio de filiar novos quadros, de buscar gente com mandato que tenha um perfil de direita e, daqui a pouco, ter que dizer a todos esses que precisam trocar sigla e de número.

Isso porque o emblemático 17, que elegeu Bolsonaro, mais o Fundo Partidário projetado em mais de R$ 100 milhões este ano, o Fundo Eleitoral e o tempo de rádio e TV ficam todos com Bivar e sua turma em caso de debandada, já que são baseados no desempenho eleitoral da bancada original eleita à Câmara dos Deputados pelo PSL.

 

Rito sumário

O que está evidente é a perda de foco e da fidelidade que se espera de quem passou a votar com o governo, aparentemente em dispersão.

Moisés já chegou a 28 deputados da base de apoio na Assembleia, com o ponto de partida nas seis cadeiras do PSL, e agora se desidrata, pois a repercussão do ambiente ácido no seu partido causa desconfortos nas bancadas de MDB, PL, PDT, PSC e PSB, mais eventuais integrantes do PSD e do PP, que se declaram independentes e que só votam nos assuntos de interesse da sociedade.

 

Os “rebeldes”

A democracia nos permite contestar, fato muito bem alicerçado na disposição dos parlamentares na Assembleia, porém ceder às evidências e aprender a conviver com o contraditório significa evoluir no âmbito das relações humanas.

O PSL encarna, neste momento, vários nichos, células independentes em cada eleito (Ana Caroline Campagnolo, Jessé Lopes, Felipe Estevão e Sargento Lima, sem que as posições de Ricardo Alba e Onir Mocellin estejam claras), fato que não passa ao eleitor a imagem de um grupo, de um partido e se constitui no pior dos indicativos para quem se diz integrante do conceito da nova política.

 

Risco

Apostar na derrocada de Moisés na administração estadual, em nome de um apoio a Bolsonaro, que todos pressupõem que já existe e é consistente, não tende, no futuro, a ser uma boa estratégia de pressão.

Moisés tem a caneta na mão, uma vantagem sobre qualquer parlamentar, e, se praticar o gesto, chamar os deputados da base para conversar, principalmente os de seu partido, e não obtiver a devida resposta, deve se beneficiar da repercussão pulverizada mesmo que a bancada pesselista passe a ideia de estar unida.

 

Rindo à toa

Todo este quadro de incertezas e convulsão só tem beneficiado quem está longe da briga.

Dá combustível e argumentos aos adversários, que assistem a tudo com um largo e indisfarçável sorriso nos lábios, com aquele jeito de quem antecipava que as vaidades dos “independentes” reunidos por uma causa, Bolsonaro, sob um mesmo teto partidário, daria nisso.

 

Para acertar!

O pedido para rever a defasagem salarial de praças da PM e do BM, cerca de 37%, na versão da Aprasc, fez com que o governador Carlos Moisés recebesse o deputado Sargento Lima (PSL), no final da tarde desta sexta (11), na Casa d’Agronômica.

Ficou acertado que, na próxima quinta (17), o deputado retorna para uma reunião conde estarão os secretários Paulo Eli (Fazenda) e Douglas Borba (Casa Civil), mais o adjunto da Administração, Luiz Dacol, e a direção da Aprasc, que reclama que está sem reajuste há cinco anos.

 

Antecipou

A defasagem é o motivo da bronca do Sargento Lima em meio aos desconfortos da bancada pesselista e resolver a questão ajudaria a diminuir a insatisfação com o governador.

Moisés reconhece o pedido, mas avisou que repor depende exclusivamente da disponibilidade financeira do Estado, sem esquecer que o assunto valor das diárias dos militares durante a Operação Veraneio também entrará na conversa de quinta-feira.

 

DENISE LACERDA/DIVULGAÇÃO

SEM CORES PARTIDÁRIAS

O relacionamento na bancada federal catarinense está centrado na defesa das prioridades do cidadão e do Estado e foge àquela máxima de que deputados federais e senadores devem manter-se nas trincheiras ideológicas e partidárias. Uma atuação que pode ser traduzida neste registro, durante a sessão solene que homenageou a Associação Catarinense de Emissoras de Rádio e TV (Acaert), no plenário da Câmara. O clima era de total descontração entre os senadores Esperidião Amin (PP) e Jorginho Mello (PL) e os deputados federais Rodrigo Coelho (PSB) e Carmen Zanotto (Cidadania). O fato de serem adversários ou aliados ficou de fora da conversa divertida.

 

A Capital da especulação 1

Quando se fala no quadro eleitoral para 2020, em Florianópolis, a especulação de quem poderá bater chapa com o prefeito Gean Loureiro (sem partido) está cada vez mais vasta e criativa.

Do futuro de Pedro Silvestre (PP), o vereador Pedrão, campeão de votos na última eleição à Câmara, ou irá cdce Angela Amin, no melhor estilo revival; a uma pressão em cima do vereador Rafael Daux (MDB), para assumir um papel mais efetivo no pleito, estimulado pela direção estadual do partido; a provável aliança dos partidos de esquerda, que poderia optar entre os nomes do PSOL (Afrânio Boppré e Marquito ou um retorno do projeto de Elson Pereira) ou de PT (Lino Peres) e PDT (Vanderlei Farias, o  Lela), tudo é incerto.

 

A Capital da especulação 2

Gean imprimiu um forte ritmo de obras pela cidade, tens realizações para mostrar em todos os bairros, o que aumenta a responsabilidade dos adversários, alguns a rezar por algo extra-campo, como a Operação Chabu, da Polícia Federal, para tentar reverter o quadro.

Existem ainda muitas lacunas: como se comportará o PSD, do vereador Roberto Katumi, presidente da Câmara; o eventual papel do Republicanos, com a investida do deputado federal Hélio Costa como pré-candidato; ou a posição do PSDB local, que hoje tem o vice-prefeito João Batista Nunes; e se o PSB sobreviverá à derrocada da imagem e á perda de lideranças no Estado.

 

Lições de Adeliana

A prefeita de São José, Adeliana Dal Pont (PSD), é a convidada de hoje da série Lições de Prefeito.

No segundo mandato à frente da quarta maior cidade catarinense, Adeliana mostra como enfrentou problemas que pareciam crônicos quando assumiu o cargo, em 2013, e a prefeitura estava “no cartório”. Assista ao vídeo em:

 

JAMES TAVARES/ACAERT

INTEGRAÇÃO É O CAMINHO

No evento Momento Brasil, promovido pela Acaert, o secretário nacional de Segurança Pública, general Guilherme Theophilo, reforçou os conceitos de integração dos órgãos de segurança pública, as polícias judiciárias (federal e Civil), a Rodoviária Federal, as polícias militares e até as guardas municipais, além das Forças Armadas, em ações e troca de informação sobre inteligência. As prioridades envolvem o combate aos crimes de corrupção, violentos e o crime organizado. Theophilo, que esteve em Florianópolis, nesta sexta (11), no Centro Administrativo da Segurança Pública, no Bairro Caçpoeiras, reafirmou as posições repassadas pelo ministro Sérgio Moro (Justiça e Segurança Pública) como o projeto-piloto em cinco cidades, em cada região do país, que envolvem 10 ministérios, alguns deles na fronteira, no enfrentamento da “guerra” contra os tráficos de armas e drogas, que inclui o mar territorial.

 

Auf deutsche einladung

O prefeito de Blumenau, Mário Hildebrandt (sem partido), como bom descendente de alemães, fez o convite na língua da Oktoberfest para novas apresentações da banda alemã VoXXclub, uma das atrações do evento.

E o fez da sacada do gabinete na bela sede da prefeitura, no Centro da cidade, em estilo enxaimel. Assista ao vídeo: 

 
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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 34 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, chefe de Redação, editor-chefe, gerente e diretor de Jornalismo, nas RBS TV de Blumenau e Florianópolis, na TV Record de Florianópolis e na Rede TV Sul!; comentarista na RIC TV Record e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União de Blumenau e União FM de Florianópolis, e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, faz comentários nas rádios do Grupo RCC (Bombinhas e Nova Trento) e na 105 FM (Jaraguá do Sul); e assina uma coluna no Diarinho, de Itajaí.
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