Junho 09, 2020

A CPI ou se firma ou terá que se reinventar

A CPI ou se firma ou terá que se reinventar
FÁBIO QUEIROZ/AGÊNCIA ALESC

A confirmada acareação entre os ex-secretários Helton Zeferino (Saúde) e Douglas Borba (Casa Civil) e a servidora Márcia Regina Geremias Pauli (ex-superintendente de Gestão Administrativa da Secretaria da Saúde), não só a com a presença de um investigado estratégico para a CPI faz aumentar a expectativa em torno de fatos novos.

Determinar quem foi o responsável pelo tráfico de influência que levou à contratação da Veigamed e quem, de fato, autorizou o pagamento antecipado de R$ 33 milhões por 200 respiradores, que sequer foram entregues na totalidade, está em avançado processo de análise pela força-tarefa composta pelo Ministério Público, Polícia Civil e Tribunal de Contas do Estado, o que deixou o inquérito parlamentar na poeira.

Ou a acareação traz luz e provoca, quem sabe, uma abertura para uma delação premiada, legalmente conhecida por colaboração premiada, principalmente por parte de Douglas Borba ou a ânsia de apresentar uma “bomba” a cada reunião, fulminada pelos fatos e provas, desestabiliza a CPI.

A sociedade quer mais respostas, quem meteu a mão no dinheiro público, e menos pirotecnia legislativa. 

 

Márcia Regina não quer

Depois de três habeas corpus negados pela Justiça, está evidente que a defesa ou a própria Márcia Regina Geremias Pauli não pretende se expor na CPI.

Mas o estranho que é a chance que ela tem de pôr na parede quem acusa.

 

REPRODUÇÃO/CPI DOS RESPIRADORES

O DESEJO DE BORBA

Antes do juiz da Vara Criminal da Região Metropolitana de Florianópolis, Elleston Lissandro Canali, autorizar a participação de Douglas Borba na acareação da CPI, os advogados do ex-secretário já haviam protocolado esta correspondência ao presidente da comissão. Borba, pelos seus representantes legais, manifestava o interesse em colaborar, estar presente nesta terça (9). Sabe que, agora, virou muito mais do que investigado, terá a chance de se defender publicamente, ao vivo pela TV, e desmascarar quem ele quiser, com ou sem metralhadora giratória. Nada mais perigoso de quem está apeado do poder.  

 

Ânimos

Desde o início dos trabalhos o foco foi encontrar elementos para incriminar o governador Carlos Moisés da Silva, nada mais, porém nem nisso a CPI foi protagonista.

Se o objetivo de uma comissão parlamentar de inquérito é reunir elementos para prover de informações futuras denúncias do Ministério Público ou investigações da Polícia Judiciária ou levar a um impeachment, os deputados se deparam hoje com a realidade: os dois movimentos já existem antes de conclusões políticas.

 

O tempo

Em duas semanas termina o prazo para o inquérito criminal, tocado pela Polícia Civil e também encampado pelo Gaeco, terminar, tampouco as sindicâncias internas do Executivo esperarão pela arrastada narrativa dos nove deputados da comissão.

E se contarmos que existe uma ação civil pública que pede o fim do contrato com a Veigamed, seus sócios estão presos, e quem supostamente materializou a ação nefasta dentro do governo também, a CPI não terá ouvido sequer duas importantes testemunhas quando o Judiciário receber a robusta peça. Menos brilho e holofotes sem dúvidas.

 

Sob ataque

O relator da CPI, deputado Ivan Naatz (PL), passou o fim de semana sob ataque, mesmo com a trapalhada do governador de ser flagrado sem máscara em um evento, que o Fazzenda Park Hotel diz ser um jantar temático e com direito à apresentação de um hóspede no palco, que  poderia lhe render boas provocações.

Levantaram esqueletos que remontam a campanha de 2018, por infidelidade, quando Naatz ainda estava no PV, pelo apoio a uma candidato do PSB; uma cobrança sobre questões relacionadas ao transporte coletivo em Blumenau; um capítulo quase esquecido do pedido de cassação do mandato feito pelo prefeito de Bombinhas, Paulo Dalago Muller, em função da guerra contra a ex-prefeita da cidade e hoje deputada Paulinha da Silva (PDT); problemas dentro do gabinete e do passado como vereador de Blumenau.

 

Que que é isso

Ou o governador Carlos Moisés é muito mal-orientado ou não ouve os conselhos de quem está próximo dele ao comparecer a um jantar, evento, no hotel em Gaspar.

Às vezes, parece que Moisés não percebeu o tamanho da envergadura do cargo em que está investido e, sendo a da turma que cresceu politicamente na base das redes sociais, desconhece que há uma câmera em cada celular, um aparelho em cada canto, principalmente quando se está sob cobrança e avaliação constantes.

Ser figura pública significa dizer não aos pedidos pessoais, mesmo que sejam próximos, cativantes, o que não é nada contrário a se divertir, o problema é fazê-lo contra decretos que você mesmo editou e defendeu contra muitos revoltados.  

 

Direto

Uma reflexão interessante do senador Esperidião Amin (PP) sobre o momento que vivemos, entre o descontrole que levou a perdas de milhares de vida  para o Coronavírus e as denúncias que correm o país, sem poupar Santa Catarina.

“A grande causa estimuladora de mortes e de corrupção foi a não aquisição centralizada pelo governo federal, ainda que anunciada, de respiradores, equipamentos de proteção individual, testes e leitos. O país se perdeu em dúvidas e confrontos decorrentes da incompreensão de que somos uma Federação em um continente de desigualdades", declarou Amin.

 

Guru

Olavo de Carvalho, que mora nos Estados Unidos mas tem como maior hobby criticar a vida no Brasil, fato que o transformou em líder intelectual do Bolsonarismo, soltou o verbo por conta de multa de R$ 2,8 milhões por uma acusação de pedofilia contra o cantor Caetano Veloso, depois bradou contra o presidente da República, a quem ameaçou de derrubar, e até contra seguidores como o empresário catarinense Luciano Hang.

Sabe o que ele ganhou depois de uma série de xingamentos e palavrões, que não pouparam seus seguidores mais fiéis: o apoio irrestrito deles para arrecadar, via vaquinha virtual, um dinheiro para ajudar o “guru”, o que leva a crer que este pessoal gosta mesmo é de levar carraspanas.

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 35 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, editor-chefe, chefe de Redação, gerente e diretor de Jornalismo na RBS TV (Blumenau e Florianópolis), hoje NSC TV; na TV Record (Florianópolis) e na Rede TV Sul (hoje SCC SBT); comentarista na RIC TV (hoje NDTV) e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União AM e FM (Blumenau e Florianópolis) e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, faz comentários na Rádio Cidade em Dia FM, de Criciúma, e é diretor de Conteúdo na TVBV (Band).
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