Fevereiro 13, 2019

A Crise do Diário Catarinense vista de dentro

A Crise do Diário Catarinense vista de dentro

O ambiente na redação do Diário Catarinense não poderia estar dos melhores depois de 15 funcionários demitidos e do uso de recursos de diagramação para disfarçar a falta de conteúdo. E pelo mesmo motivo, publicar duas páginas com colunistas do interior, que não tem significado para a maioria dos leitores.

As insatisfações foram expressas à Making Of por escrito, em quatro tópicos, cuja fonte será preservada. O texto é a reprodução fiel do recebido.

 

1 - "República de Blumenau"

Os atuais gestores/coordenadores do Diário Catarinense não gozam de prestígio e respeito com os repórteres e fotógrafos. Nos grupos de repórteres e sem que os editores saibam, são chamados de República de Blumenau.

O atual "gerente de jornalismo", Fábio da Câmara, veio do Jornal de Santa Catarina. Sua primeira atitude ao assumir a redação foi colocar a editora Raquel Vieira (também ex-JSC) e o editor Vinícius Dias (também ex-JSC) como seus braços direitos. À frente de todo o processo de reformulação do projeto gráfico está a designer Maiara Santos (ex-JSC), que desligou antigos designers e reformulou toda a equipe, o que justifica o tanto de erro que sai no jornal. Também como editor que ganhou força está o Cristian Weiss (também vindo do JSC).

O que se diz pelos corredores é que a foice dos cortes pode encostar em qualquer jornalista da empresa, menos nestes citados acima, imunizados pelo "colar do anjo" do Fábio da Câmara, o que inclui a sua noiva, a repórter Larissa Neumann.

 

2 - Fim da Versar

Essa já é um pouco mais difícil de confirmar, mas algumas pessoas envolvidas com o projeto já confirmam a real possibilidade. O boato de que a Versar chegará ao fim já é forte em toda a cidade, estando na boca das principais assessorias, que aguardam pelo anúncio. Na última semana, o gerente Fábio, inclusive, teria ligado para alinhar o fim do projeto com a atual editora do caderno, Ana Paula Bittencourt, que não sabia do que ele estava falando e acabou sabendo indiretamente que o caderno pode chegar ao fim.

 

3 - Lista de demissões

É possível confirmar esta informação com diversas pessoas já desligadas ou ainda empregadas. Chega a ser pitoresco. No consultório para onde os profissionais estão sendo encaminhados para fazer o exame demissional, há uma lista com todos os nomes a serem desligados. O curioso é que oito nomes da lista ainda continuam empregados, o que significa que logo estarão escalados para fazerem os exames demissionais. Não é válido dizer o nome das pessoas da lista para não gerar uma mal-estar pessoal antecipado, mas a lista está à disposição no consultório médico na Felipe Schmidt.

 

4 - Ainda se faz jornalismo?

A recente onda de demissões (e o número de erros que se multiplica no jornal) deixa claro que qualidade não é mais uma das prioridades da empresa. O fato é que ninguém que está lá dentro sabe o que é prioridade. Pior ainda, sequer sabe se "fazer jornalismo" é importante. Há meses não se faz uma reunião de pauta entre repórteres e editores, para que se possa conversar sobre assuntos relevantes e pensarem em reportagens. Repórteres também não têm editores de referência que possam apontar caminho e sugerir melhorias, já que os recém-contratados têm pouca experiência e pouco conhecem do contexto local, e os mais experientes (aqueles da República de Blumenau) parecem não estar interessados em discutir jornalismo.

 

A Making Of já colocou o mesmo espaço à disposição de Fábio Câmara, citado no texto, caso queira falar do momento do jornal.

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Claiton Selistre

Claiton Selistre

Jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, foi diretor de Jornalismo por 25 anos da RBS TV, TVCom e Rádio CBN/Diário em Santa Catarina. Antes atuou na  Rádio e TV Gaucha do grupo RBS e em redações de jornal, rádio e tv do grupo Caldas Jr. em Porto Alegre. Foi também repórter da na Sucursal do Jornal do Brasil. Planejou e Coordenou coberturas multimídia nas Copas do Mundo de Futebol na Alemanha, Argentina, Espanha, México, Itália, Estados Unidos, França e Japão/Coréia.

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