Setembro 29, 2020

A culpa é do Witzel

A culpa é do Witzel
DIVULGAÇÃO/TSE

Que a ministra Rosa Weber (foto), do Supremo Tribunal Federal, não entrará para a história pela sua virtude de enfrentar temas difíceis e criar polêmicas ou gerar jurisprudência, com raras exceções, é fato conhecido dentro e fora do mundo jurídico.

Por isso que a negativa da ministra em conceder uma liminar com a determinação pelo fim do prosseguimento da ação de arguição por descumprimento de preceito fundamental, proposta pela Procuradoria Geral do Estado e pelo governador Carlos Moisés, que pretendia parar os processos de impeachment em curso no país, não surpreende.

A nova derrota no âmbito jurídico de Moisés tem razões fora do processo em Santa Catarina e livraria de cara alguém muito mais enrolado, denunciado pelo Ministério Público e afastado do cargo pelo STJ, por corrupção, e que também enfrenta o impeachment na Assembleia do Rio de Janeiro, o governador e juiz federal aposentado Wilson Witzel (PSC).

Sem sorte, Moisés beneficiaria quem está na mira do Judiciário e por razões ligadas a negócios escusos no combate à pandemia.

 

Análogo

A situação de Moisés se assemelha a do então deputado federal João Rodrigues (PSD), hoje candidato à prefeitura de Chapecó, que desistiu de retornar à Câmara, mesmo que tenha seus votos concedidos em 2018 contabilizados.

O prejuízo de João foi tentar questionar sua detenção, no Complexo da Papuda, no Distrito Federal, com a execução da pena a partir da condenação em segundo grau, porque se o STJ, depois o STF, o beneficiassem, dariam liberdade ao então preso mais famoso, o ex-presidente Luiz Inácio lula da Silva, que cumpria pena em Curitiba por corrupção e lavagem de dinheiro em função da Operação Lava Jato.  

 

Sem desistir

O advogado de Moisés, Marcos Fey Probst, concorda que Witzel prejudica a pretensão jurídica de Moisés e garante que não abandonará a estratégia de judicializar a questão do impeachment.

O alvo agora será o segundo pedido de impeachment, que já tem nova Comissão Especial formada e acusa Carlos Moisés e Daniela Reinehr de crime de responsabilidade pelo pagamento antecipado de R$ 33 milhões a 200 respiradores da Veigamed e dispensa de licitação do Hospital de Campanha de Itajaí, que sequer saiu do papel.

 

Bisonho

Mesmo com o voto contrário de alguns assessores, Carlos Moisés da Silva decidiu conceder uma entrevista ao Grupo ND, nos estúdios da emissora no Morro da Cruz, em Florianópolis, na presença dos colunistas Moacir Pereira e Paulo Alceu, dois dos maiores e mais ácidos críticos da atual administração estadual.

A empresa de comunicação tem posição definida pelo impeachment e ironicamente estampava em seu site, na noite desta segunda (28), que Moisés “descarta renúncia”, tema levantado pela própria linha editorial da ND, que defende a medida extrema para que possa ser realizada uma nova eleição para governador e vice ainda em 2020.

 

Absurdo

O gesto de Moisés, que nada soma a ele, merece uma comparação estapafúrdia e só ressalta a falta de tato político do governador.

A ida dele ao encontro equivaleria ao mesmo que o presidente Jair Bolsonaro ir à sede da TV Globo, no Rio de Janeiro, e conceder uma entrevista cercado pelos jornalistas Merval Pereira, Guga Chacra e Miriam Leitão, seus reconhecidos detratores, no vídeo, nas páginas de jornais, nas redes sociais, nas conversas de bar, em jantares, seja lá onde for. Isso não está nos planos de Bolsonaro.  

 

Muito forte

A eleição em Joinville pode ser medida pela atuação de advogados renomados na campanha.

Entre eles Marcelo Peregrino, doutor em direito e ex-juiz do TRE, que está com Ivandro de Souza (Podemos) e Marcos Probst, também doutor em direito, que atuará com Adriano Silva (Novo).    

 

NATHAN NEUMANN/DIVULGAÇÃO

IDEIA CATARINENSE

O projeto “Cem cópias, sem custo”, aprovado na época em que o hoje senador Jorginho Mello (PL) assumiu interinamente o governo do Estado na ausência de Luiz Henrique da Silveira (MDB) e Leonel Pavan (PSDB), pode virar uma ação nacional pelas mãos do secretário nacional de Cultura, Mário frias (à direita). Desde 2009, a lei concede gratuitamente as primeiras cem cópias de obras feitas por autores catarinenses. Os autores têm que se habilitar para receber o benefício, apresentar os projetos e Frias gostou da proposta. Já que o assunto era cultura, Jorginho apresentou demandas de recursos para instituições culturais, como a Camerata de Florianópolis e a Liga das Escolas de Samba do Meio-Oeste catarinense.

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 35 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, editor-chefe, chefe de Redação, gerente e diretor de Jornalismo na RBS TV (Blumenau e Florianópolis), hoje NSC TV; na TV Record (Florianópolis) e na Rede TV Sul (hoje SCC SBT); comentarista na RIC TV (hoje NDTV) e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União AM e FM (Blumenau e Florianópolis) e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, faz comentários na Rádio Cidade em Dia FM, de Criciúma, e é diretor de Conteúdo na TVBV (Band).
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