Julho 18, 2020

A FOGUEIRA DAS VAIDADES

A FOGUEIRA DAS VAIDADES

Dando um tempo no formato temático de Cine & Séries, mas garantindo a leitura semanal para quem segue a coluna. Toda sexta-feira,  uma nova "Crônica em Quarentena" e, claro, dicas de filmes e séries para amenizar esses tempos difíceis de pandemia e isolamento social. Fiquem bem!

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Crônicas em quarentena - X – A FOGUEIRA DAS VAIDADES

Nós, humanos, somos mesmo muito bizarros! Estamos vivendo a maior tragédia da nossa geração. São milhões de contaminados e milhares de mortos pela nova peste e nem assim abandonamos a vaidade. Mataiotes mataiotetos kai panta mataiotes – do grego – ou vanitas vanitatum et omnia vanitas – do latim numa tradução aproximada, se ainda me lembro: vaidade das vaidades, tudo é vaidade!

E por que estou aqui expondo os parcos conhecimentos de latim que ainda me restam na memória ? Talvez para me exibir, o que também é uma espécie de vaidade.

Mas vamos ao que interessa. Logo no início da maldita pandemia, a recomendação era para que apenas trabalhadores da saúde usassem máscaras. O povo, intuitivamente, começou a usar assim mesmo. Só depois a OMS-Organização Mundial da Saúde chegou à conclusão que os orientais estavam certos por aderir a essa proteção há muito tempo.

Inicialmente houve uma correria para comprar aquelas brancas, descartáveis, dessas que se encontra em farmácia. Era o material adequado para quem não trabalha diretamente com contaminados. Não demorou para alguém pensar em transformar as máscaras em acessório de moda!

Surgiram as de tecidos estampados, de acordo com o gosto de cada um. Depois, para meu espanto, marcas famosas como Gucci, Prada, Chanel e Dior também entraram no mercado. No Brasil, um estilista passou a confeccionar suportes para máscaras de proteção com pedrarias, bordados, fios de prata e ouro, por R$ 600,00 a unidade. Não deixa de ser uma ironia que o acessório custe o mesmo valor do auxílio emergencial com que muitas famílias estão tendo que sobreviver durante a quarentena. Mas isso é outra história.

Há quem combine a máscara com a camisa, como o jornalista português Luis Manuel Goucha, as noivas encomendam o acessório feito de renda e pérolas e acabo de ler que a nova tendência "pandêmica" é usar lenços amarrados no rosto. Claro, as celebridades estão usando suas echarpes Hermés, Burberry ou sei lá mais qual...

Entenderam porque eu disse lá no início que somos um tipo de animal muito estranho ? Conseguimos em meio à doença, dor e sofrimento, nos preocuparmos em ser fashion, em estar na moda, em usar algo costumizado, só nosso! Se fosse uma comida eu diria que "gourmetizamos" o coronavírus.

Para que não achem que estou apenas apontando o dedo para os outros e não participo dessa futilidade, contarei: mandei fazer duas máscaras, uma azul com estampa de passarinhos e outra branca com petit-pois vermelho! Vanitas, vanitatum...

(Brígida De Poli)

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CURIOSIDADES

A expressão "fogueira das vaidades" vem de 1497, quando o pregador florentino, Jeronimo Savonarola, mandou erguer uma grande fogueira onde burgueses e senhoras da

sociedade deviam jogar seus objetos de luxo, como jogos, instrumentos musicais e até livros. Um ano depois, Savonarola morreria queimado na fogueira, na mesma praça La Signoria, em Florença.

Todavia, o título da crônica não me surgiu por lembrar dessa história, mas por causa do romance de Tom Wolfe (1987) e o filme homônimo (1990). A adaptação de Brian de Palma para o cinema não faz jus ao livro que é ótimo !!

Se alguém quiser ler e depois conferir o filme, tem para alugar no Google Play.

A Fogueira das Vaidades (The bonfire of vanities)-o filme

Sinopse: Sherman McCoy (Tom Hanks) é um grande corretor de Wall Street que ganha comissões milionárias e tem a sua vida modificada bruscamente quando ao ir com Maria Ruskin (Melanie Griffith), sua amante, para Manhattan, erra o caminho e vai parar no Bronx. Lá ele atropela um homem negro, fazendo com que este fato seja o ponto de partida da sua ruína e também o início da meteórica ascensão de Peter Fallow (Bruce Willis), um jornalista desconhecido.

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O QUE ESCREVERAM OS LEITORES SOBRE A CRÔNICA  - Saudades do que não vivi...

Dedé Ribeiro

Muito boa coluna. Me trouxe reflexões. As paisagens que víamos nos filmes davam mais prazer quando eram apenas uma possibilidade real, né? Depois que a gente viaja um pouco, acha que pode tudo e essas paisagens passam a ser desejos ou objetivos. Não o prazer em si. Não é suficiente ver. Precisamos cheirar e ter a emoção do lugar. Agora temos que embutir esses desejos de volta. Não é fácil.

Biaguiar

Mesmo depois de passar o pico da pandemia no mundo, vai demorar muuuuito tempo para que deixem os brasileiros entrar em outros países. Vamos viajar só dentro do país ou na imaginação.

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FILMES, SÉRIES E OUTRAS DICAS

Gratuitos

Apesar de pouco procurado para essa finalidade, o YouTube tem bastante oferta de filmes gratuitos. Alguns canais tem acervo pequeno, mas de qualidade. Para quem gosta dos clássicos , esse aqui é um achado:

O canal Meus filmes Cult oferece, entre outros, A Batalha de Argel, de Gille Pontecorvo; Satyricon, de Federico Fellini; Rosa de Luxemburgo; O Mercador de Veneza; A Revolução dos Bichos, A Festa de Babete...

Youtube.com/playlist?list

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Para assinantes ( ou 1 mês grátis)

Telecine

A Odisseia dos Tontos – direção: Sebastián Borensztein - Argentina – 2019

A maior bilheteria do cinema argentino em 2019 foi essa história divertida e bem contada de um grupo de pessoas que reúnem as economias para reabrir uma fábrica de processamento de grãos. Isso acontece às vésperas da quebradeira dos bancos argentinos.

A Argentina inscreveu La odisea de lo giles para o Oscar/2020, mas não foi selecionado. Ah, tem Darín em dose dupla: o Ricardo e o filho, Chino.

 

A Esposa – direção: Bjorn Runge  - EUA – 2019

Apesar de ter sido bem badalado por ocasião do Oscar, muita gente ainda não viu o filme que deveria ter dado o Oscar para Glenn Close ( a inglesa Olivia Colman ficou com a estatueta por A Favorita). Glenn é a esposa de um famoso escritor às vésperas de ganhar o Nobel de Literatura e, enquanto viaja com ele, questiona seu papel sempre à sombra do marido. O ótimo Jonathan Price – que já interpretou o Papa Francisco -  vive o autor premiado.

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Netflix – Séries

Estado Zero (Stateless)– 1 temporada

A mais nova série da Netflix segue as histórias de quatro pessoas cujos caminhos se cruzam no Centro de Detenção Baxter, Austrália. Lá ficam detidos os imigrantes ilegais que vem de várias partes do mundo, como um pai e filha que vêm do Afeganistão. A figura central é Sofie, uma australiana que se faz passar por alemã para ser deportada para a Alemanha. Acontece que nunca algum detido ganha o visto tão sonhado.  A trama se baseia numa figura real. O elenco tem a participação luxuosa de Cate Blanchet. Sofie é interpretada pela ótima Yvonne Straovski, a Serena de Handmaid´s Tale . Ainda não terminei de assistir, mas é melhor do que eu esperava.



Doze Jurados – 10 episódios - Bélgica

De vez em quando aparece uma série que de nacionalidade diferente na Netflix. Essa Doze Jurados é belga (falada em holandês?!!). Distinta de outras histórias de tribunal, ela  foca em cada pessoa do júri, suas confusões pessoais e dramas. Os doze estão no tribunal julgando uma mulher acusada de matar a melhor amiga e a própria filha. Em algum momento um dos jurados pergunta " será que somos as pessoas certas para julgar"?  A série foi considerada uma forte crítica ao sistema judicial belga, mas pode se estender a outros.



Lilyhammer – 3 temporadas

Essa série de humor seco foi lançada em 2012, mas é tão boa que continua no acervo da Netflix. Se você não viu, ainda tem chance de conhecer o ex-mafioso Frank Tagliano que após delatar o chefão entra para o programa de testemunhas. Apaixonado por uma cidadezinha que viu na televisão durante os Jogos de Inverno, Frank escolhe Lilyhammer, na Noruega. Chegando lá só encontra neve e tédio.

O protagonista é vivido por Steven Van Zandt, famoso produtor musical americano. Quem viu Os Sopranos vai lembrar dele como Silvio, o conselheiro de Tony Soprano. Steven manteve o mesmo topete exuberante e faz a gente morrer rir com suas trapalhadas diante de uma cultura tão diferente da americana.

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Até a próxima...

(*) Fotos reprodução/divulgação

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Brígida Poli

Brígida Poli

Jornalista, cinéfila desde criancinha e maníaca por séries de TV desde "Os Sopranos". Não se considera crítica de cinema, pois não consegue deixar o coração de lado na hora de avaliar um filme. Adora falar e escrever sobre o assunto e tenta chamar a atenção para as grandes obras cinematográficas que as novas gerações desconhecem. Concorda com o mestre Federico Fellini quando ele disse que "o cinema é um modo divino de contar a vida".

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