Novembro 09, 2019

A HORA DO RUM

A HORA DO RUM

O gin continua fazendo sucesso. Mas não se engane, pode ser por pouco tempo. A indústria de bebidas avisa que a próxima tendência do segmento é o RUM.

Pesquisa da consultoria inglesa JefferiesInternational, explica que o principal motivo seria o boom no mercado de coquetéis e uma reconquista da imagem de bebida “refinada”. Só no Reino Unido o aumento no consumo foi de 7,5% entre 2017 e 2018, quase o dobro do gin. O rum branco é o mais consumido, mas os analistas dizem que o crescimento mais significativo é nas vendas de rum saborizado ou com especiarias.

Produzido desde o século XVII a partir da fermentação alcoólica de melaço, o rum é produzido principalmente no Caribe e tem de 35 a 55% de teor alcoólico. É uma bebida versátil e principal ingrediente de drinks famosos como mojito, daiquiri e cuba libre. Também pode ser envelhecido, dando origem a runs complexos que rivalizam em preço e qualidade com excelentes cachaças, whiskys ou bourbons.

O ÍCONE


Bacardi/Divulgação

O rum mais popular do planeta é um velho conhecido dos brasileiros: o Bacardi. A história da bebida começou com o jovem espanhol Facundo Bacardi Massó, que se mudou para Cuba em 1927. Lá ele conheceu o rum jamaicano (mais alcoólico e rústico) e desenvolveu uma maneira de suavizar o sabor e amenizar os efeitos da indesejada ressaca provocada pela bebida. O rum ficou mais palatável e garantiu fama ao empreendedor que, em 1862, adquiriu uma pequena destilaria repleta de morcegos (eis a explicação da logomarca) e deu início a produção industrial da bebida.

Em 1959 os herdeiros de Massó tiveram que fugir do país por conta da Revolução Cubana. E passaram a gerir os negócios a partir dos Estados Unidos, onde já possuíam um escritório de negócios e construíramuma destilaria conhecida como “Catedral do Rum” (foto), mais precisamente em Porto Rico (quem se interessar em conhecer, pode fazer visitas guiadas a partir de R$ 60).


Bacardi/Divulgação

Além do tradicional Carta Branca, o mais famoso e consumido, a empresa investe em runs envelhecidos por 4, 8, 10 ou mais anos (foto). Há também séries limitadas, como a garrafa preta. Considerado o mais raro e luxuoso rum da Bacardi, o Gran Reserva é um blend que mescla runs novos e envelhecidos, selecionados a cada ano pelo mestre destilador. A garrafa custa em torno de R$ 700.


Bacardi/Reprodução

Desde a década de 1990 a empresa produz uma infinidade de variações da bebida, para atender diferentes mercados e públicos (foto): Limón, Spice, Coconut, O, Silver, Peach Red, Big Apple, entre outros. Sem contar coquetéis prontos como o mojitoe cuba libre.

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NOVIDADES NO MERCADO


Brands for Fans/Divulgação

A banda de metal Judas Priest decidiu comemoraros 50 anos de carreira com o lançamento de um rum produzido sob encomenda e com um “toque de maldade”. A explicação: a bebida teria notas de baunilha, açúcar queimado, baunilha e pimenta. O item foi produzido em parceria com a empresa Brands for Fans e, por enquanto, será vendido apenas na Suécia.

Já a destilaria nicaraguense Flor de Cana vai comemorar os 130 anos da empresa com o lançamento de um rum de 30 anos. São apenas 411 garrafas que devem chegar ao mercado por aproximadamente US$ 1.600.


Captain Morgan/Divulgação

O famoso Captain Morgan está lançando nos Estados Unidos uma edição limitada e saborizadacom gengibre. O produto é levemente apimentado e tem como foco o mercado natalino. Segundo a empresa, a bebida é perfeita para o inverno e harmoniza “perfeitamente” com pão ou biscoito de gengibre. A garrafa custa em torno de US$ 21.

A coluna já falou sobre a tendência, especialmente no mercado norte-americano, de produzir cerveja sem álcool, mas com THC. Como era de se imaginar, a novidade também chegou ao mercado do rum. Nas Ilhas Jersey uma destilaria local tem usado uma produção própria de maconha para produzir o Jersey Hemp. O rum começa a ser vendido no comércio local, mas já há pedidos da Suécia, Rússia, Nova Zelândia e Caribe.


Engenho do Norte/Divulgação

Já na Ilha da Madeira, em Portugal, uma destilaria local decidiu mergulhar ao mar um lote com 605 garrafas de rum já envelhecido por seis anos. A intenção foi garantir uma característica especial ao rum, que deve mudar algumas características com a falta de luz, temperatura e a pressão do mar a 10 metros de profundidade. O vídeo mostra um pouco da experiência realizada no começo do ano.  

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CURIOSIDADES


 Casa Clement/Divulgação

 

O rum mais caro do mundo foi vendido em leilão, em 2017, por 100 mil euros. A garrafa (foto) tem uma rolha fabricada com 200 gramas de ouro 18 quilates e com quatro quilates de diamantes. A embalagem é de cristal Baccarat e armazena um raro rum da Casa Clement, fabricado em 1966 na Ilha da Martinica.

 

A mais antiga destilaria do mundo, ainda em funcionamento, é a Mount Gay Rum, inaugurada em 1703. A empresa fica em Barbados e exporta a bebida produzida para 110 países.

 

Outras curiosidades do mundo do rum, registradas pelo Guiness Book, o Livro dos Recordes: a maior degustação coletiva de rum envolveu 786 pessoas e ocorreu na Colômbia, em 2015. E o rum mais antigo do mundo é datado de 1780 e teria sido produzido em Barbados.

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PRA PROVAR


 DomBar/Divulgação

Quem ficou interessado no assunto, uma excelente dica. Além da oferta cada vez maior de drinques prontos, bons bares de todo país oferecem uma gama grande de coquetéis à base de rum. O mais recente (e bacana) talvez seja o DomBar, inaugurado há pouco mais de uma semana em Curitiba.

A carta conta com mais de vinte drinques autorais. Muitos deles elaborados por Gabriel Bueno, que ficou em quarto lugar na etapa brasileira do World Class Competition 2019.

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RECEITA


Absolut/Divulgação

Se não dá para ir a Curitiba, que tal se arriscar em casa com um drink à base de rum? A coluna recomenda testar a receita do Mai Tai. O drink foi criado entre os anos de 1930 e 1940 em Los Angeles, nos Estados Unidos. E leva, além de rum, ingredientes relativamente simples como licor de laranja, suco de limão, xarope de açúcar e cereja. No site da Absolut, tem um vídeo que mostra a forma de preparo.  

Por hora era isso. Um brinde e até a próxima!

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Jefferson Douglas da Silva

Jefferson Douglas da Silva

Jefferson atuou por mais de 25 anos em jornais e emissoras de televisão de Chapecó, Blumenau, Joinville e Florianópolis. Foi repórter, editor, apresentador e gestor de equipes de TV, entre elas a chefia de redação da RBS TV. Como jornalista – e descendente de italianos – pode conhecer em detalhes a rotina de cantinas e alambiques que produzem vinho colonial e cachaça no Oeste do estado. Fez cursos de coquetelaria (Senac) e produção artesanal de cerveja (Escola Superior de Cerveja e Malte). Apaixonado por vinhos, estuda o assunto desde 2001.

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