Agosto 25, 2019

A ideia que morreu na casca e isso não é ruim

A ideia que morreu na casca e isso não é ruim
LUIS MACEDO/CÂMARA DOS DEPUTADOS

Nos delírios legislativos de quem tem conseguido tirar leite de pedra na Câmara, o deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ) desistiu de propor uma Reforma Política para as eleições do ano que vem.

Visto com desconfiança em um sistema presidencialista, o voto distrital misto, praticado na Bolívia, Venezuela e Alemanha, previa, nas intenções de Maia, que, nos munícípios acima de 200 mil habitantes, a escolha para integrantes da Câmara de Vereadores seria parte majoritária - os mais votados seriam eleitos - e a outra metade em lista fechada para valorizar os partidos, com nomes escolhidos pelo partido sem o conhecimento do eleitor.

Com a regra, somente Joinville, Florianópolis, Blumenau, São José, Criciúma e Itajaí, em Santa Catarina, realizariam esta versão na democracia à brasileira, enquanto nos demais municípios o voto para o Legislativo seria em lista somente fechada.

O modelo, que não vingou para 2020, talvez seja viável para 2026, acabaria com o desagradável efeito rolha de champanha, onde um campeão de votos leva junto gente, na maioria das vezes, com desempenho medíocre nas urnas.

 

Na realidade

Naturalmente, com o fim das coligações nas próximas eleições para vereador, cada partido elegerá os mais votados da sigla, ainda pelo cálculo da proporcionalidade do que a legenda recebeu.

O voto distrital tem, no entanto, muitas dúvidas para ser implantado em um país com as proporções do Brasil ou suscita dúvidas sobre critérios: como se definiria, uniformemente, a construção de distritos, dentro de um conceito que valha para o município de São Paulo, que tem mais de 12 milhões de habitantes, ou Joinville, com quase 489 mil, o maior colégio eleitoral catarinense.

 

Não confunda

Pela legislação eleitoral atual, os municípios com mais de 200 mil eleitores podem ter disputa de segundo turno à prefeitura.

A proposta defendida pelo ministro Luis Roberto Barroso, do STF, futuro presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), encampada por Rodrigo Maia e outros tantos, refere-se ao voto distrital misto em cidades com mais de 200 mil habitantes.

 

TULIANA ROSA/DIVULVAGÃO

OS PRÓXIMOS DE BOLSONARO

O deputado federal Rogério Peninha Mendonça (MDB), ladeado pelos assessores Ketrin Raitz e Rafael Pezenti, é, há muito, um dos mais próximos parlamentares do presidente Jari Bolsonaro. Não só por ideiais comuns, como a flexibilização do Estatuto do Desarmamento, mas pelo tempo em que dividiram cadeiras na Câmara, por dois mandatos – Peninha está  no terceiro. Mais recentemente, na leva do PSL, os deputados federais Daniel Freitas e Caroline de Toni (ao fundo), tornaram-se frequentadores do Palácio do Planalto. Fora da foto, o deputado federal Luiz Armando Schroeder Reis, o Coronel Armando, vice-líder do PSL, tem espaço garantido na agenda do presidente. Os dois foram contemporâneos na Academia Militar de Agulhas Negras, em Resende (RJ), e Armando não se cansa de dizer que entrou na política por causa de Bolsonaro.

 

Uma lição

Voltar atrás nas declarações fora de contexto para sua claque nas redes sociais e falado em rede de rádio e TV (leia mais em https://bit.ly/2zk1Bsw) que ajudaria os estados do Norte a combater os focos de queimada na Amazônia Legal é mais do que uma solução de estadista para o presidente Bolsonaro diante do grave problema ecológico, eocnômico e social.

Admitir que revisou e mudou de ideia em relação as declarações desastrosas que ele deu sobre o tema, que começaram com os ataques à credibilidade do Inpe e que foram desmentidas até pela Nasa, a Agência Espacial norte-americana, são uma lição e tanto.

E isso tudo deu, mais uma vez, munição aos adversários, além de deflagrar uma corrente mundial contra o governo brasileiro.

 

Problemão

Ter comprometido o futuro acordo do Mercosul com a União Europeia por conta das queimadas na Amazônia seria terrível para o Brasil e os demais integrantes do bloco na América do Sul.

O presidente Jair Bolsonaro, que deu muita corda para os que reclamavam das fiscalizações ambientais, principalmente os fazendeiros da região Norte, terá toda a responsabilidade em suas costas, não tem como reclamar de mais ninguém.

 

REPRODUÇÃO/AGÊNCIA BRASIL/REUTERS

NÃO SE ESQUEÇA

Que as atitudes do presidente da França, Emmanuel Macron, que leva consigo boa parte da repercussão na União Europeia em relação à Amazônia, são eleitoreiras também. O altruísmo do presidente francês, que também lidera o G7, grupo dos países mais desenvolvidos do mundo, reunidos em Biarritz (sudoeste da França), na foto, não passa da próxima esquina. Não faz muito tempo, o maior problema de Macron eram manifestantes, os coletes amarelos, que tomavam as ruas para reclamar de tudo, principalmente do governo dele. Além do mais, os produtores rurais franceses são conhecidos pelo protecionismo e já foram os primeiros a berrar com a possibilidade da derrubada de barreiras para os produtos brasileiros, da carne às frutas. Outros empresários da "Gália" também não gostaram muito desta ideia.

 

“Macronisses”

Vetar o acordo desenhado entre Mercosul e União Europeia, o que não é seguido pelos demais chefes da comunidade econômica, a não ser o da Irlanda, é um bom pretexto para Macron ficar bem em casa.

Se ele chama Bolsonaro de mentiroso, Macron também merece ser chamado de oportunista, opportuniste em bom francês.

 

Consenso

Foi a primeira-ministra alemã, Angela Merkel, que puxou o cordão para tentar amenizar os ataques na reunião ao G7 ao Brasil, a ponto de dizer, em diálogo vazado pela Agência Bloomberg, que ligaria para o presidente Jair Bolsonaro durante a semana, “para que ele não tenha a impressão que estamos trabalhando contra ele”.

O primeiro-ministro inglês, Boris Johnson, concordou com Merkel, ao lembrar que a Amazônia também se estende por Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname, Venezuela e pelo o departamento ultramarino da França, Guiana Francesa, o que sensibilizou até o vaidoso e enraivecido Macron.

Os que pensam na Europa e na América do Norte querem ajudar os países da América do Sul a combater as queimadas e não criar novos problemas.

 

* O Instituto Teotônio Vilela, braço acadêmico e de formação política do PSDB, abriu as inscrições para o Programa Jovens Líderes, pessoas com 30 anos que serão selecionados e capacitados para as eleições de 2020, e que devem conhecer os detalhes em http://www.psdb.org.br/jovenslideres/

 

* O deputado Moacir Sopelsa (MDB), que preside a Frente Parlamentar do Cooperativismo na Assembleia, considerou que a decisão do governador Carlos Moisés da Silva de editar uma MP para manter a não cobrança do ICMS sobre os agrotóxicos até 31 de dezembro “é o melhor para Santa Catarina”.

 

* Para Sopelsa, a participação decisiva da Assembleia no diálogo entre o governador e os líderes da cadeia produtiva foi essencial para o acordo.

 

* Diretor do Serviço Florestal Brasileiro, o ex-deputado federal Valdir Colatto (MDB), hoje no governo de Jair Bolsonaro, conhecido por suas posições fortes e às vezes geradoras de conflitos, terá importante papel nos bastidores para acalmar os ânimos mais exaltados do agronegócio quando apontado como um dos responsáveis pelas queimadas na Amazônia.

 

* Governo federal já recebeu o pedido de ajuda de sete estados (Acre, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins) para que as forças armadas atuem no combate às queimadas, a partir do decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro.

 

* Ministro Sérgio Moro (Justiça e Segurança Pública) informou, neste domingo (25), que a Polícia Federal vai investigar todo mundo envolvido em possíveis ações criminosas para pôr fogo nas matas da Amazônia.

 

* Uma delas refere-se a um grupo de WhatsApp, composto por mais de 70 pessoas — de Altamira e Novo Progresso, no Pará entre sindicalistas, produtores rurais, comerciantes e grileiros, que combinaram em um grupo incendiar em 10 de agosto as margens da BR163, rodovia que liga essa região do Pará aos portos fluviais do Rio Tapajós e ao Estado de Mato Grosso, conforme denunciou o site da revista Globo Rural.

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 34 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, chefe de Redação, editor-chefe, gerente e diretor de Jornalismo, nas RBS TV de Blumenau e Florianópolis, na TV Record de Florianópolis e na Rede TV Sul!; comentarista na RIC TV Record e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União de Blumenau e União FM de Florianópolis, e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, faz comentários nas rádios do Grupo RCC (Bombinhas e Nova Trento) e na 105 FM (Jaraguá do Sul); e assina uma coluna no Diarinho, de Itajaí.
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