Março 15, 2019

A imprensa no massacre de Suzano

A imprensa no massacre  de Suzano

A cobertura da tragédia de Suzano exigiu um grande esforço de mobilização da imprensa. O helicóptero da Record foi o primeiro a chegar ao local: o comandante e o apresentar César Filho fizeram o possível para manter o assunto no ar, mesmo tendo poucas informações naquele momento – 10 horas da manhã.

A Globo demorou mais a mobilizar suas equipes, mas quando o fez, colocou inúmeros repórteres e postos de vivo em todos os pontos relevantes. Ao meio-dia, suprimiu a programação local e seguiu cobertura com Dony e Annenberg, âncoras do Hoje, e o auxílio de César Tralli. O jornal terminou as 15h20.

Já o SBT largou mal, recebendo inúmeras críticas no Twitter devido a fraca atuação da repórter Márcia Dantas, deslocada do matinal Primeiro Impacto. O próprio Silvio Santos ligou de casa para colocarem Roberto Cabrini em ação. E de fato, já ao meio-dia, o repórter experiente dava informações diferenciadas sobre os criminosos.

 

Linha Agressiva  

O foco editorial de todos os veículos, a partir das declarações das autoridades, foi forçar a caracterização dos atiradores como “assassinos”. Os termos eram pesados também na descrição dos fatos. Seguia na linha da interpretação psicológica da ação de que os autores buscavam reconhecimento pela violência. Assim, todas as coberturas tentavam, de certa maneira, não estimular que algo semelhante aconteça mais tarde.

 

Audiência

Tragédias como essa mexem profundamente com o público e a audiência de todos os meios cresce. Ontem, 14, o “Cidade Alerta” da Record, ao final da tarde, ficou em primeiro lugar em São Paulo, superando a novela da Globo, mesmo em reta final da história.

 

Governador

Tão rápido quanto a primeira informação da Record foi o governador João Dória. Na manhã dos crimes, se deslocou imediatamente para o colégio Raul Brasil, tomou a frente das primeiras declarações públicas, deixou as autoridades estaduais no controle da situação, marcou coletiva posterior para elas prestarem esclarecimento e foi para a sede do governo.

Lá, no dia seguinte, já estava autorizando uma indenização de cem mil reais para cada vítima de Suzano. Agilidade, clareza administrativa e política, o que se espera de um governador.

 

Online

Os meios digitais também foram ágeis na cobertura e alguns divulgaram detalhes exclusivos. O Blog do Sakamoto no UOL, por exemplo, disse que na Deep Web havia elogios e cumprimentos a ação dos dois assassinos. A polícia investiga se eles frequentavam esse meio. 

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Claiton Selistre

Claiton Selistre

Jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, foi diretor de Jornalismo por 25 anos da RBS TV, TVCom e Rádio CBN/Diário em Santa Catarina. Antes atuou na  Rádio e TV Gaucha do grupo RBS e em redações de jornal, rádio e tv do grupo Caldas Jr. em Porto Alegre. Foi também repórter da na Sucursal do Jornal do Brasil. Planejou e Coordenou coberturas multimídia nas Copas do Mundo de Futebol na Alemanha, Argentina, Espanha, México, Itália, Estados Unidos, França e Japão/Coréia.

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