Junho 02, 2019

A operação Alcatraz e a imprensa investigativa 

A operação Alcatraz e a imprensa investigativa 
A divulgação da Operação Alcatraz em igualdade de condições pelas diferentes mídias fez parecer que o velho e bom jornalismo investigativo estava de volta. Não foi bem assim, na verdade as autoridades divulgaram o que queriam - ou podiam dentro da lei, e os veículos trataram de reproduzir.  Ninguém se preocupou, por exemplo, em divulgar as fotos dos envolvidos, nem mesmo do advogado suspeito de liderar o processo. Estranho isso...
 
É verdade que as estruturas e as ambições são diferentes de quando ocorreu a Operação Moeda Verde . Lá, havia a preocupação de ir atrás dos mais fatos, dos locais e pessoas suspeitas, muitas delas flagradas entrando na Polícia Federal algemadas.
 
Mas, como a maioria dos colunistas registrou, há indícios de que  veio à tona na Alcatraz, foi uma pequena parte do processo, apenas a ponta do iceberg. Por isso, há tempo de recuperar o tempo perdido e ir à fundo na investigação. E até colocar fotinhos 3 x 4 dos suspeitos. É o que se espera da imprensa para espantar um pouco a crise, ir além do trabalho eficiente  e metódico dos órgaos oficiais de investigação.
 
Alcatraz, a prisão americana próxima a São Francisco, foi conhecida pela impossibilidade de fugir da ilha. Sinal que vem mais coisa por aí.  
 
Rádios
 
A rádio Globo foi fundo  de novo na estrutura da rádio e demitiu todo o pessoal que acumulava funções com TV e jornal. Agora, só vai tocar música e transmitir futebol ( aquele horrível som cheio de eco).
 
Infelizmente esse é o ciclo do rádio. Investe em produto, não fatura o que espera, desmonta tudo e vira vitrolão. Isso defintivamente não dá certo. Embora o custo de uma rádio seja 70 por cento pessoal, o produto é que faz a diferença. Ninguém vai ligar na Globo por causa da música.  
 
A crise não é só lá Rio e privativo das rádios. Em Florianópolis, uma imagem publicada no Twitter pelo jornalista Carlos Alberto Ferreira, dá uma ideia exata do problema. Na entrevista coletiva oferecida pelo técnico Geninho, do Avai, quinta-feira, vespera da viagem para enfrentar o Inter, só havia um repórter na sala: Janiter Decordes, da CBN Diário.
 
Vejam a foto e digam: é sinal ou não de crise? Ou  desinteresse ou incompetência mesmo ?  
  

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multimidia claiton selistre bastidores comunicação TV rádio jornal
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Claiton Selistre

Claiton Selistre

Jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, foi diretor de Jornalismo por 25 anos da RBS TV, TVCom e Rádio CBN/Diário em Santa Catarina. Antes atuou na  Rádio e TV Gaucha do grupo RBS e em redações de jornal, rádio e tv do grupo Caldas Jr. em Porto Alegre. Foi também repórter da na Sucursal do Jornal do Brasil. Planejou e Coordenou coberturas multimídia nas Copas do Mundo de Futebol na Alemanha, Argentina, Espanha, México, Itália, Estados Unidos, França e Japão/Coréia. Dirige a Making of há seis anos.

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