Agosto 05, 2019

A postura ética dos jornalistas e a linha editorial Globo

A postura ética dos jornalistas e a linha editorial Globo
Reprodução

Evandro Carlos de Andrade iniciou a recuperação da imagem editorial da TV Globo em 1995, depois de gestões comprometidas com o golpe militar e a eleição de Fernando Collor. Seu sucessor, Carlos Schroder, hoje diretor geral, tratou de implantar uma nova visão, sem privilégios políticos, defendendo causas comunitárias e pautas de interesse da população.

O atual diretor Ali Kamel, vindo da área de jornais e de confiança dos acionistas, em tese segue a mesma linha, nos governos do PT, Temer e agora com Bolsonaro. A sociedade, por sua vez, entende que a postura crítica favorece um lado, ora a favor da direita, ora da esquerda.

A questão do momento é que para seguir em uma postura balanceada eticamente, uma equipe de jornalistas precisa ser de reputação irreparável, seguindo altos padrões profissionais, dentro e fora da empresa. Tudo tem que ser feito às claras.

Nos últimos meses, um turbilhão de informações vem dos bastidores da Globo, envolvendo muitos profissionais que, ao que tudo indica, usavam a imagem pública para faturar altas somas em trabalhos privados. Poucos foram demitidos, outros se afastaram e pelo menos um se demitiu. O caso mais claro foi do apresentador do Jornal Hoje, Dony de Nuccio, que admitiu prestar serviços a um grande banco e assinou pessoalmente propostas valendo milhões de reais. Outros jornalistas de funções relevantes, Renata Vasconcellos, do Jornal Nacional, e Rodrigo Bocardi foram citados pela revista Veja como tendo prestados serviços que, em última análise, não conseguiriam se não estivessem na Globo.

A emissora, embora radicalizasse nos primeiros casos, resolveu informar que deve deixar mais claro o que os jornalistas podem ou não fazer profissionalmente fora das redações. Assim, aliviou a barra diante da constatação que havia bem mais gente atuando como De Nuccio.

Se não estava claro, até agora, a responsabilidade não é totalmente do pessoal, mas de quem os chefia. Talvez alguém não esteja dando conta de tarefa tão importante de clareza ética, logo na emissora mais vista e crítica do País, que não pode ter telhado de vidro. 

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Claiton Selistre

Claiton Selistre

Jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, foi diretor de Jornalismo por 25 anos da RBS TV, TVCom e Rádio CBN/Diário em Santa Catarina. Antes atuou na  Rádio e TV Gaucha do grupo RBS e em redações de jornal, rádio e tv do grupo Caldas Jr. em Porto Alegre. Foi também repórter da na Sucursal do Jornal do Brasil. Planejou e Coordenou coberturas multimídia nas Copas do Mundo de Futebol na Alemanha, Argentina, Espanha, México, Itália, Estados Unidos, França e Japão/Coréia.

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