Dezembro 10, 2019

A PRINCIPAL RAIZ DA VIOLÊNCIA NO BRASIL

A PRINCIPAL RAIZ DA VIOLÊNCIA NO BRASIL

A violência tem mais de uma raiz. Além do roubo, raiz econômica, ela pode ter outras raízes, por exemplo, ciúme sexual, conflito ideológico, etc. Mas, no Brasil, e em toda a América Latina, a principal raiz da violência é a desigualdade econômica. Oitenta por cento da violência no Brasil, e na América Latina, tem sua principal raiz na desigualdade sócio-econômica.

Essa violência, para buscar compensar a desigualdade econômica, gera milhares, milhões de empregos criminosos. Tráfico de drogas, assaltos a bancos e caminhões de carga, roubo de celulares, controle sócio-econômico de áreas urbanas pelas milícias, etc.  

Só tem uma solução para essa violência sócio-econômica. Substituir os empregos criminosos por empregos honestos. Os fuzis policiais e militares não vão resolver o problema. Porque as armas do crime também oferecem centenas e centenas de empregos de comércio criminoso. Que continuarão desafiando os empregos honestos da polícia e dos militares.

A única ferramenta para se multiplicar os empregos honestos, para substituir os empregos criminosos, é a educação. Mas não a educação que está aí no Brasil. Precisamos de uma educação integral, corretamente definida, e revolucionada. Precisamos de uma revolução radical na educação. Metade do dia a educação tem que assumir a responsabilidade total pelo sucesso das carreiras concretas, honestas, de vida e trabalho de todos os cidadãos, do nascimento à morte. Com ajuda da revolução comunicacional-informacional que está aí. E metade do dia ela injeta as tais matérias básicas, acadêmicas – matemática, línguas, ciências, etc. – nas carreiras concretas de vida e trabalho dos indivíduos, devidamente combinadas com os interesses de tais carreiras. As matérias básicas se tornam, assim, aplicadas.

O que acabamos de dizer acima é o princípio geral básico para se revolucionar, modernizando, a educação brasileira. Que ainda parte de princípios formulados séculos atrás, pela primeira revolução industrial. Preparando apenas, além de acadêmicos para competirem disputando lugar nas universidades, mão de obra rudimentarmente especializada para funcionar como parafusos do sistema de produção que está aí. Ninguém é preparado para o empreendedorismo, e para carreiras que a ciência e a tecnologia modernas propiciam.

Precisamos de uma educação científica, dentro das vastas possibilidades de ação produzidas pelas ciência e tecnologia modernas combinadas com a revolução comunicacional-informacional. As universidades têm que classificar cientificamente todas as ações humanas e todas os conhecimentos que as acionam e otimizam. Com base nisso, cruzando o universo da ação com o universo do conhecimento, modelar não só o sucesso das carreiras concretas de vida e trabalho de todos os cidadãos, mas também, cientificamente, o desenvolvimento sócio-econômico orgânico de todas as comunidades de baixas rendas, como as favelas.

Em resumo, para se substituir os empregos criminosos por empregos honestos – e cortar, com isso, a principal raiz das violências no Brasil – é preciso lançar mão, com qualidade científica e tecnológica modernas, do único instrumento que tem condições de fazer isso. A educação. Mas, radicalmente revolucionada, como proposto acima.

*Ricardo Luiz Hoffmann é Formado em direito, técnico em assuntos educacionais da Universidade Federal de SC, aposentado.

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Redação Making Of

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