Maio 16, 2019

A reforma tem meio caminho andado

A reforma tem meio caminho andado
FÁBIO QUEIROZ/AGÊNCIA ALESC

Horas depois da reunião conjunta das comissões de Constituição e Justiça, Finanças e Administração e Serviço Público (foto), na Assembleia, quando os três relatores, Luiz Fernando Vampiro (MDB), Milton Hobus (PSD) e Volnei Weber (MDB) apresentaram seus votos favoráveis à aprovação da reforma administrativa do Executivo, sem detalhar as emendas apresentadas, o governador Carlos Moisés mudou parte da agenda para debater o assunto com os seus assessores mais próximos. As conversas com os deputados já haviam sido neste sentido, individualmente ou nos encontros com as bancadas, tanto que surgiu uma versão desmentida na sequência de que o MDB, que apenas havia se comprometido a votar o substitutivo global que saiu das comissões, já circulava como o novo integrante da base de governo, que tem apenas PSL e PR. Os deputados têm o direito de votar com o governo quando quiserem, mas ingressar na base de apoio a um governo não é ato de bancadas e sim do partido, que teria que dar o aval a partir do diretório estadual, o que não ocorreu ainda. A questão é que Carlos Moisés não ofereceu cargos tampouco vantagens, apenas o atendimento de reivindicações pontuais de cada região, quando a situação financeira melhorar e se abrir a possibilidade criar algo semelhante ao Fundo de Apoio aos Municípios (Fundam). A medida foi editada pelo governo de Raimundo Colombo, quando o Estado bancava o pagamento de obras solicitadas pelos municípios, o que acabou fulminado em sua segunda edição por conta da negativa do BNDES em abrir uma linha de crédito nos moldes anteriores.

 

Maioria

Mesmo que dos nove integrantes da bancada do MDB, Valdir Cobalchini e Moacir Sopelsa estejam afastados do grupo maior, Moisés terá o apoio integral dos parlamentares para contar, em tese, com 18 votos, três a menos do que o necessário para aprovar a matéria. Como se sabe que os dois do PDT, Paulinha da Silva – ela presidente da Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público - e o líder Rodrigo Minotto, devem respaldar as medidas, mais os dois do PSDB (Marcos Vieira e Vicente Caropreso), Jair Miotto (PSC) e Ivan Naatz (PV), além de adesões no PSB, PSD e no PP, é improvável que o Centro Administrativo não aprove com folga o enxugamento da máquina e a economia que virá da extinção de centenas de cargos comissionados. Nem a bancada do PT deve ser um empecilho, apenas com críticas pontuais.  

 

Não mudou

O governador, que tem estreitado o contato com parlamentares, mantém a mesma proposta de não formalizar uma base de apoio na Assembleia. Deve ficar atento, pois nem todas as matérias serão tão palatáveis quanto a da reforma administrativa, por isso a presença do secretário Douglas Borba no Palácio Barriga Verde, sede do Legislativo, tornou-se tão constante.

 

A senha

Se vingar o apoio formal do MDB ao governo de Carlos Moisés, mesmo sem garantir uma boquinha aos filiados ou com avaliação positiva para o partido, a senha será a sigla assumir a liderança do governo na Assembleia. Episódios recentes no IMA, em São Miguel do Oeste, que envolveram, entre outros, o afastamento de Rodrigo Eskudlark, filho do líder Maurício Eskudlark (PR), não caíram bem na avaliação de gente graduada no Centro Administrativo. É bom ficar de olho.

 

Só na terça-feira

Quando as comissões votarem o parecer conjunto do substitutivo global, será possível clarear o quanto das 159 emendas foi incorporada ao texto da reforma administrativa construído na Assembleia, sem muitas diferenças do que o Centro Administrativo enviou. Até mesmo a questão do Esporte (Fesporte), Turismo (Santur) e Cultura (FCC), subordinadas ao gabinete do governador, parecem ter sido superadas, enquanto permanece o suspense sobre o quanto deve ser economizado com os cortes de secretarias e cargos, não explicitado no projeto, como frisou um dos relatores, o deputado Milton Hobus.

 

Sem solavancos

Na mudança sutil da agenda, o governador Carlos Moisés manteve o encontro com representantes da Marinha do Brasil, que vieram debater a construção de navios de guerra em Santa Catarina, em Itajaí, acompanhados do secretário Lucas Esmeraldino (Desenvolvimento Econômico Sustentável), uma investimento gigantesco de mais de R$ 1,6 bilhão, que gerará dois mil empregos diretos e outros seis mil indiretos. Já com a vice-governadora Daniela Reinehr, Flavia Didomenico, presidente da Santur, e o deputado Onir Mocellin (PSL), Moisés formalizou junto com o prefeito Volnei Morastoni (MDB) a proposta para receber mais uma etapa da Volvo Ocean Race à organização do evento, em uma disputa ferrenha, fora d’água, com São Sebastião (SP) e Salvador (BA).

 

Mais cedo

O ex-governador Eduardo Pinho Moreira retorna neste sábado ao Estado, direto de Londres, quase duas semanas antes do previsto. O assunto MDB no governo Moisés e a eleição do diretório estadual, dia 1º de junho, estão mais quentes do que nunca, principalmente porque o grupo ligado ao presidente Mauro Mariani e ao senador Dário Berger avalia as consequências de uma interferência natural de Moreira no processo.

 

DIVULGAÇÃO

APRENDA COM A HISTÓRIA

É desconcertante ouvir o presidente Jair Bolsonaro rotular de “idiotas úteis, uns imbecis” e “massa de manobra” os milhares que saíram às ruas nos 221 maiores municípios brasileiros – dentre eles as 26 capitais de Estado e no Distrito Federal – para protestar contra o contingenciamento dos recursos para as universidades e escolas técnicas federais. Bolsonaro, eleito com estrondosa votação por respeitar justamente os pedidos feitos em grandes manifestações em 2013 e 2015, além das demais concentrações que se seguiram e pediam o fim do toma lá dá cá, da velha política e o combate ostensivo à corrupção, sabe que atos públicos deste tamanho, como os realizados na última quarta (15), jamais devem ser menosprezados. Foi o que fizeram, por exemplo, os petistas Lula e Dilma Rousseff, que só viram o lado ideológico das concentrações, acusaram adversários e não perceberam o quanto era forte o sentimento  expresso nas ruas.

 

Lamentável

Digam o que foi pior: a participação absolutamente atrapalhada do Ministro Abraham Weintraub (Educação), na Câmara dos Deputados, para explicar a contingenciamento das verbas na área, na quarta (15), ou o encontro dele com os representantes e reitores da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior no Brasil (Andifes) nesta quinta (16). Com evidentes problemas de comunicação e de assessoria, Weintraub não esclareceu nada e não garantiu nada nas duas ocasiões.

 

Profissão perigo

De longe o cargo mais inseguro e perigoso no governo de Jair Bolsonaro é o de presidente do Instituto Nacional de pesquisas e Estudos Educacionais (Inep), que, entre suas atribuições, é responsável pelo Enem. Marcus Vinicius Rodrigues caiu por querer acabar com a avaliação da alfabetização e, agora, o  presidente que o substituiu, o delegado federal Elmer Vicenzi, teria sido demitido por querer divulgar dados com avaliação e indicadores educacionais e batido de frente com a área jurídica do instituto, contrária à medida. A colunista Renata Cafardo, de O Estado de S.Paulo, crava que o clima ainda pode piorar, pois o atrapalhado Abraham Weintraub teria o mesmo pensamento do demitido Vicenzi.

 

Finalmente

O pessoal da oposição não perdoa e garante que, pela primeira vez, Jair Bolsonaro pôs o Brasil acima dos Estados Unidos. Ao agradecer pela homenagem que recebia da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, em Dallas (Texas), nesta quinta (16), o presidente equivocou-se com o slogan de seu governo e tascou um: “Brasil e Estados Unidos acima de tudo. E Brasil acima de todos!”. Deus ficou de fora desta construção.

 

Enrolado

Os Bolsonaro querem levar para o lado pessoal a ação do Ministério Público do Rio de Janeiro que avalia que há indícios de que o atual senador Flávio (PSL) pode ter lavado dinheiro em negócios com imóveis que renderam R$ 3 milhões de lucro para o parlamentar, então deputado federal. Mas esquecem que a investigação do MP Fluminense também investiga outros 13 deputados estaduais, entre 2008 e 2017, que tiveram movimentações financeiras suspeitas, de acordo com o Coaf. A família presidencial prefere culpar a mídia, mesmo argumento do arquirrival PT quando as coisas não iam bem. 

 

As companhias

Se o problema de Flávio Bolsonaro fosse apenas o ex-assessor Fabrício Queiroz, tudo seria mais tranquilo. Mas a quebra do sigilo bancário atingiu oito ex-assessores do então deputado estadual e até dois que trabalharam com o irmão dele, o vereador Carlos Bolsonaro, e até alguns que trabalharam com o pai deles. Daí o presidente da República dizer, em Dallas, que podem vir para cima dele, em alusão à decisão da Justiça do Rio. Incomoda ter amigos e familiares na lista dos investigados, coisa que a gritaria nas redes sociais não resolve.

 

KETRIN RAITZ/DIVULGAÇÃO

E AGORA, ONYX?

No café da manhã promovido pela Acaert entre a bancada federal de Santa Catarina e o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, ficou evidente que os deputados federais e senadores não engoliram o suposto interesse do deputado federal do DEM gaúcho, investido na Esplanada, pela solução do ato de incorporação da Eletrosul pela diminuta CGTEE. Tanto que o senador Jorginho Mello (PR) resumiu a situação no fato de que Onyx terá que desatar o nó provocado pelo governo, e o coordenador do Fórum Parlamentar, o deputado Rogério Peninha Mendonça (MDB) joga todas as fichas em um provável encontro da bancada federal com o presidente Jair Bolsonaro, na semana que vem. Nos bastidores, os parlamentares catarinenses já contabilizam uma eventual derrota e esperam por um rompante de Bolsonaro para reverter tudo. Extraoficialmente, Onyx teria sido o protagonista da manobra para valorizar a estatal em território gaúcho, antes que venha a privatização. Na foto, da esquerda para a direita, os deputados federais Celso Maldaner (MDB), Angela Amin (PP), Darci de Matos (PSD, quase encoberto), Peninha e Carmen Zanotto (Cidadania), e os senadores Jorginho Mello e Esperidião Amin (PP) cercam o ministro-chefe da Casa Civil.

 

Na trincheira

Assessor especial do Palácio do Planalto para a interlocução da Casa Civil junto ao Senado, o ex-senador e vice-governador Paulo Bauer (PSDB) tem acompanhado de perto os problemas. Testemunha a lista de demandas catarinenses que é grande: vai da incorporação da Eletrosul às obras de rodovias como as BRs 470, 280 e 282, que ou andam em passo de tartaruga ou não saem do lugar.   

 

ANDRÉ KOPSCH/DIVULGAÇÃO

A FORÇA DO PIB DO ESTADO

Parte do importante papel institucional que desempenha, a Associação Empresarial de Joinville (ACIJ) promoveu um coquetel de relacionamento durante a Expogestão, uma relevante aproximação com os segmentos do setor produtivo em nome de seus 1,8 mil associados. Na foto, da esquerda para a direita, o presidente da ACIJ, João Joaquim Martinelli; o prefeito Udo Döhler (MDB), ex-presidente da entidade; o diretor-geral da Mercedes Benz, Holger Marquardt, e o empresário Fernando Schneider. Uma amostra da força do evento, onde também estavam, entre outros, Luiz Felipe Dau, presidente da Embraco; Fernando Duccini, diretor da GM; e Silvio Pietro Angori, CEO da Pininfarina.

 

Amigos, amigos, política à parte!

João Joaquim Martinelli, que tem raízes em Siderópolis, Sul do Estado, é amigo de longa data de Udo Döhler, mas nada de misturar o relacionamento com objetivos políticos, pelo menos os partidários, só os empresariais.

 

No topo

O nome que circula forte em Joinville é o do ex-presidente da Celesc, o engenheiro Cleverson Siewert, filho da terra, que agora atua na inciiativa privada. Cleverson, de 41 anos e com brilhante carreira no serviço público, onde foi um dos menudos do ex-governador Luiz Henrique, tem padrinhos fortes, entre eles o prefeito Udo Döhler. Não deixa de ser um outsider com experiência na vida pública.

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 34 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, chefe de Redação, editor-chefe, gerente e diretor de Jornalismo, nas RBS TV de Blumenau e Florianópolis, na TV Record de Florianópolis e na Rede TV Sul!; comentarista na RIC TV Record e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União de Blumenau e União FM de Florianópolis, e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, faz comentários nas rádios do Grupo RCC (Bombinhas e Nova Trento) e na 105 FM (Jaraguá do Sul); e assina uma coluna no Diarinho, de Itajaí.
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