Março 06, 2020

A solução Gandhi para o Brasil

A solução Gandhi para o Brasil
Reprodução

As grandes massas de pobreza são grandes massas de consumidores de produtos primários, simples, como alimento, tecidos, roupas, transportes, remédios baratos, etc. Dentro da má distribuição de rendas, os produtores vivem dessas massas de consumidores pobres. O Brasil é, segundo a ONU, a pior distribuição de renda do mundo, abaixo do Qatar apenas.

A Índia, que Gandhi levou à independência, era, antes da independência, uma vastíssima massa de pobreza consumidora dos produtos primários, simples, produzidos pela Inglaterra. Para mostrar ao povo indiano o caminho para a independência, o que fez Gandhi? Pôs-se a fiar diuturnamente em casa para produzir tecidos e competir com a indústria inglesa. Convocou uma enorme passeata nacional, indo com ela até uma praia, para extrair do mar o sal que era propriedade do governo colonialista. Exploração proibida ao povo. Gandhi, para ensinar ao povo indiano o caminho da liberdade, deu seu exemplo pessoal para mostrar que todos poderiam aprender a produzir. E com isso se libertar de seus escravizadores econômicos.

O Brasil é, segundo a ONU, a pior distribuição de rendas do mundo. É isso porque tem um sistema de produção que vive apenas do consumo por parte de suas enormes massas de pobreza. Sendo, inclusive, em razão disso, incapaz de competir no campo internacional com produção mais sofisticada.

Para tirar da pobreza as grandes massas de pobres do Brasil, é preciso fazer – com técnicas mais modernas, naturalmente- o que Gandhi fez. Estimular os pobres a produzir para o seu próprio consumo, simples. E com isso se libertar de seus exploradores, os produtores da economia que vivem apenas do consumo primário, simples, das grandes massas de pobreza.

O caminho moderno para se fazer isso é uma revolução radical do sistema educacional. Que deve assumir, durante metade de seu tempo diário, a responsabilidade que Gandhi assumiu, de buscar condicionar o desenvolvimento produtivo das carreiras concretas de trabalho e empreendedorismo de todos os brasileiros, do nascimento à morte, com ajuda da revolução comunicacional-informacional que está aí. Na outra metade de seu tempo diário, a educação pode prosseguir ministrando as tais matérias básicas, acadêmicas – matemática, línguas, ciências, etc. – mas adequadamente combinadas com os interesses das carreiras concretas de vida, trabalho e empreendedorismo dos indivíduos. Com isso, a educação estará fazendo, em escala científica moderna, aquilo que Gandhi fez, com seu exemplo pessoal poderoso, para libertar as massas de pobres indianos da exploração comercial e política por parte da Inglaterra. Os exploradores no Brasil são nacionais mesmo. Os grandes empreendedorismos que vivem da vasta massa de consumidores pobres. E que, por isso, não têm interesse em tirar o Brasil da posição de pior distribuição de rendas do mundo. Quando o que esses grandes empreendedores deveriam estar fazendo, dentro da economia brasileira, seria dirigir seu poder financeiro para as concorrências mundiais mais sofisticadas. Deixando para a população pobre a produção que busca atender ao seu próprio consumo simples, primário.    

*Ricardo Luiz Hoffmann é Formado em direito, técnico em assuntos educacionais da Universidade Federal de SC, aposentado.

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Redação Making Of

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