Janeiro 07, 2019

A Yula Despe Prada

A Yula Despe Prada
Fotos divulgação

Mais canceriano, impossível. Emotivo, coração, autêntico, de uma delicadeza no modo de olhar o mundo que surpreende. Um gestor de programação. Um gestor de amor. De paixão. De verdades. De contradições. Sem condições, sem preconceitos.

É alma velha, com suas falhas, suas navalhas, sua articulação que flui feito correnteza de rio. Daí eu sorrio. E penso, que sorte o mundo ter pessoas assim. Enfim... Um homem, um gato, um profissional, um viajante das estrelas, um apreciador de taças e vinhos... Divido com vocês esse coração manezinho!

 

 

Conte-me tudo, esconda-me só o muito necessário. Como foi sua infância, o início do caminho...

Nasci em Trombudo Central, interior de Santa Catarina, situada no Alto Vale do Itajaí. Uma cidade pequena, de mais ou menos 7 mil habitantes, de origem italiana. O interessante da minha história com essa cidade é que um dos fundadores foi meu bisavô, Ernesto Prada. Ele veio da Itália como imigrante, da região de Vêneto, e foi um dos primeiros colonizadores da região.

Na época ainda havia índios na região. E meu bisavô conseguiu estabelecer uma curiosa relação entre as mulheres indígenas e minha bisavó, que tinha problemas de aleitamento.  Então alguns filhos deles foram amamentados pelas índias.

Ele era agricultor, e pra estabelecer essa ligação com as índias (e os índios) ele fornecia alimentação para eles, foi aí que foi criada essa relação amistosa com eles. Claro que o contato do homem branco com os índios sempre foi pernicioso, a história mostra isso, né. Mas nessa ideia de troca, de escambo, até para que eles não fossem mortos pelos próprios índios, criou-se uma relação de respeito e certa amizade.

 

Você já nasceu no meio televisivo?

Nada! Nasci no meio do mato! Não havia nem energia elétrica. Era vela e lampião pela casa toda. O rádio era à pilha e o primeiro advento da humanidade ali na região foi a chegada da luz elétrica e depois da televisão. Não podemos esquecer que boa parte do Brasil ganhou tudo isso há quatro décadas.

Eu era muito pequeno, mas me lembro, eu morava no interior de Trombudo Central, só tinha estrada de chão, e minha tia foi a primeira pessoa que teve uma televisão, preto e branco, claro. E todos nós da família nos reuníamos aos domingos pra ir pra casa da tia assistir TV, víamos os noticiários, Discoteca do Chacrinha, Irmãos Coragem,  A Ponte dos Suspiros, Véu de Noiva... Era o cinema da Tifa Prada! ( Tifa pode ser entendida como vila).

 

Anselmo Prada também era o nome do seu pai, né?

Outra história doida. Meu nome era pra ser Maurício, me contou minha mãe bem mais tarde rsrs. Mas nasci com problemas, aos oito meses, afogado com a água do parto, e a parteira chegou pra minha mãe e disse, “é um menino, mas não vai sobreviver, a senhora quer batizar agora?” Eles tinham esse costume para o bebê não morrer pagão.

Daí minha mãe resolveu me dar o nome do meu pai, para pelo menos homenageá-lo, já que o filho deles não sobreviveria. E me batizaram como Anselmo Prada Filho. Só que o Anselmo Prada Filho sobreviveu e viveu até os seis anos de idade em Trombudo Central.

 

Quais são suas lembranças mais fortes dessa época?

As melhores lembranças da minha vida vem desse tempo. Perto da minha casa passava um rio maravilhoso, onde a gente tomava banho, pescava, andava de batera... A gente curtia muito as  lavouras do  meu avô,  plantação de melancia , de aipim, roça de fumo, tínhamos todos os tipos de frutas e muitos animais, cavalos, vacas, tudo.

Mas até hoje o que eu mais me lembro da minha infância era quando eu me deitava no chão empoeirado e ficava olhando as estrelas. Essa é a imagem que mais me conforta. Quando eu estou muito tenso, muito aflito, eu volto lá atrás e imagino aquela estrada, aquele céu estrelado como eu nunca mais vi, com as Três Marias, o Cruzeiro do Sul... Parece que é um manto de proteção que eu tenho na minha vida até hoje!

 

De lá você foi para Lages, né?

Sim. Nós somos cinco irmãos. Meu pai quis ir pra Lages pra dar uma vida melhor pra gente. 

Ele virou comerciante de frutas e verduras da cidade.  E eu e meu irmão somos os caçulas com mais de seis anos de diferença dos outros. Daí meu pai focou em nós dois que ainda éramos crianças pra termos um estudo de mais qualidade, enfim.

 

Como você foi para o universo da Televisão?

Aos 17 anos eu fiz vestibular pra Direito em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul. Passei e fui morar lá. Nessa época eu não queria ficar longe dos meus amigos. Então cursei Direito só seis meses, não me adaptei à cidade e voltei pra Lages.

Nesse tempo estava abrindo uma sucursal da RBS TV em Lages e eles tinham uma vaga para repórter. E como no colégio eu era o responsável pelo jornal da escola, eu escrevia os textos, era líder de classe e estava sempre muito envolvido com a informação, me candidatei a essa vaga e passei nessa seleção.

 

 

Aposto que já estava contaminado com o vício do jornalismo...

Fiquei um ano como repórter em Lages. E nisso já tinha certeza que era isso que eu queria pra minha vida, que era comunicação! Não sabia exatamente em qual vertente. Mas aquilo de aparecer na televisão era bacana! Aquilo me deixou entusiasmado. Tinha também um pouco de ego, de vaidade, né. Fiquei famoso na cidade (risos).

Depois de um ano me transferiram para Joinville para ser repórter e coordenador de jornalismo lá. Fiquei três anos trabalhando ali. Aos 22 anos fiz vestibular para Jornalismo na Federal de Florianópolis, na USFC. Passei e negociei com a RBS daqui, que me aproveitou, não tinha vaga na reportagem e entrei para outras áreas.

 

E como foi a adaptação no novo trabalho, no novo mundo?

Teve uma pessoa muito importante pra mim, que me acolheu e até me hospedou em sua casa, a jornalista Roseli Galetti, que era responsável pelo  Jornal do Almoço. Essa pessoa me ensinou muito, me passou todo seu conhecimento. Sou muito grato a ela por tudo que aprendi.

A partir daí comecei a conhecer a cidade, a me envolver com a cultura de Florianópolis, com a história do manezinho, e quem não se apaixona pela ilha, né? Fui então produtor de pauta, editor, fui coordenador de telejornais, fui editor-chefe, chefe de redação e gerente de jornalismo.

Passei por todas as áreas do jornalismo em uns 15 anos de atividade. Nesse período fiz um curso, em duas etapas no Arquipélago dos Açores, para entender melhor os açorianos, afinal,  tudo que eu sabia vinha das minhas origens, os italianos.

Criei vários projetos, como o Santa Catarina em Cena, fui diretor do Jornal do Almoço, que na época tinha outro formato, e eu lidava muito com entretenimento, arte, cultura, a cidade foi me direcionando por esse caminho.

Mas claro, passei pela parte policial, cobri catástrofes, acidentes aéreos, tragédias. Fiz a cobertura da vinda do Papa Joao Paulo II ao Brasil e a Florianópolis, cobri a enchentes arrasadoras em Blumenau, enfim, fatos importantes que marcaram Santa Catarina.

 

Em qual momento que você direcionou sua carreira para gestão?

Depois da faculdade fui fazer uma pós-graduação em São Paulo, de um ano e meio, que era em Gestão de Conteúdo e Pessoas, e fui inclinando minha carreira mais pro lado da gestão - e a RBS me apoiou nisso. Na mesma época fiz um intercambio na Itália. Tudo isso me proporcionou muita experiência em relacionamento, tanto pessoais quanto profissionais.

Isso quer dizer, como criar uma rede de contatos, como conversar com as pessoas dentro da sua equipe de trabalho, como ter seus parceiros a disposição de um projeto, como fazer sua equipe se sentir valorizada, enfim, criar condições de clima para que os projetos pudessem se desenvolver com plenitude.

 

Você é hoje Gerente de Programação da NSC. Quais as maiores responsabilidades que seu cargo te atribui?

Bom, eu cuido da programação local da hoje NSC TV e da Globo em Santa Catarina. Sou responsável pela grade da programação, pelos conteúdos, pela promoção, pela audiência, por projetos especiais, por ativação de novos conteúdos da grade...

Também pelo envolvimento da comunidade com a programação, ações de lançamentos de produtos, de novelas, da linha de shows tipo The Voice Brasil, The Voice Kids...

 

 

Enfim, existe todo um direcionamento da Globo que vai  para as afiliadas. Mas tudo tem que ser pensado em uma linguagem próxima ao telespectador, com suas características regionais, e quem conhece as características locais somos nós que vivenciamos a cidade, o estado.

Então a gente adapta os lançamentos de tal forma que tenham uma identidade regional, para que as pessoas consigam se ver representadas na tela. Trabalhando ao mesmo tempo a identidade da marca NSC TV e a identidade da Globo.

 

A programação local tem mais audiência que a nacional?

A programação local sempre tem a seu favor o fato de estar próxima das comunidades. As pessoas assistem e se identificam porque estamos falando delas de algum jeito, da local onde elas moram.

Sempre a programação local tem desempenho na audiência igual ou maior que a programação nacional. Claro que não podemos comparar a grade do dia-a-dia com um final de novela, com uma Copa do Mundo ou um grande evento jornalístico.

 

Falando em programação local, você acabou de fechar a transmissão do carnaval com a Liga das Escolas de Samba, né? Como foi isso?

Fechamos um contrato exclusivo de exibição para transmitir o carnaval de 2019. Foi uma negociação longa. Começou lá em Março do ano passado, em conversas informais com a  LIESF, através do  presidente Fábio Botelho.

A gente nunca deixou de demostrar que tínhamos interesse nessa transmissão, por tudo que o carnaval representa, pela festa popular que é, pelas comunidades que reúne, pela identidade que tem e pelo valor do carnaval em si.

 

 

Nosso carnaval é uma herança que nós temos dos cariocas. Quando foi fundada a Eletrosul quem veio pra ca trabalhar foi o pessoal do Rio de Janeiro, que trouxe na bagagem o carnaval. Isso foi se agregando às comunidades daqui, à comunidade do samba local, e hoje temos as nossas escolas, o nosso carnaval, que é de desfiles e dos blocos que se foram formando ao longo do  tempo.

 

Grandes eventos regionais geram positividade entre telespectadores!

Isso mesmo! Além disso, esses eventos como Carnaval, Réveillon, Campeonato Catarinense de Futebol são muito importantes porque de alguma forma reúne o povo, tem valor cultural, tem identidade e projeta Florianópolis para o Brasil e pro mundo.

Agora em 2019, por exemplo, temos um projeto inédito com a TVI, Televisão e Cinema de Florianópolis. Uma coisa totalmente voltada para dramaturgia, chamada Pequenos Grandes Talentos. São 12 episódios, onde vamos contar a história de 12 catarinenses especiais, que têm expressão no estado onde nasceram, e pro Brasil e pro Mundo. Tudo gravado em 8k, que será exibido nesse primeiro semestre. Isso é informação em primeira mão! (risos)

E outra, a gente voltar a transmitir o carnaval em uma negociação difícil (porque são muitos interesses envolvidos entre escolas e emissora) é gratificante. As escolas entenderam que ter o carnaval na maior emissora de TV aberta do Estado é bom porque promove mais ainda o carnaval de Florianópolis e profissionaliza ainda mais a grande festa.

 

Com certeza não são só os desfiles o foco desse contrato de transmissão...

Claro! A transmissão dos desfiles é a conclusão de um projeto que começa muito antes. É um trabalho que desenha um projeto junto, que agrega, é a gente estar junto às escolas, estar junto com a produção, acompanhar os preparativos, os barracões, mostrar como as escolas promovem projetos sociais, como promovem a inclusão...Tudo por meio do  jornalismo que vai mostrando, que vai trabalhando junto e dando a cor do projeto carnaval.

Temos por meta estar próximos do que movimenta as comunidades, o turismo, o verão e projetos inovadores. Florianópolis é uma ilha conhecida mundialmente, temos turistas de toda parte, assim como problemas de toda parte também, como engarrafamentos, praias superlotadas, mas a economia se movimenta e isso também é importante pra cidade.

 

O que mudou com a transição da RBS para NSC?

A mudança do nome foi uma questão empresarial. Uma vez que o controle acionário em Santa Catarina foi vendido criou-se uma outra empresa. Hoje a empresa pertence ao Grupo NC que tem varias empresas dentro da sua holding, entre elas a EMS, uma das maiores fabricantes medicamentos farmacêuticos da América Latina.

A maior mudança foi a marca mesmo, que foi escolhida pelo público, que optou pelo nome Nossa Santa Catarina por meio de votação direta. Passamos a ter maior identidade com o Estado, ficamos mais compromissados com o desenvolvimento econômico, social, humano e  cultural de Santa Catarina.

A RBS fez isso muito bem por quase 40 anos, foi uma empresa que sempre respeitou, valorizou e deu credibilidade total ao estado. Mas quando você tem uma empresa que se chama Nossa Santa Catarina fala-se com maior identidade ao catarinense, da uma razão maior pra gente ter veículos de comunicação voltados ao interesse do nosso povo.

 

Vocês ganharam alguns prêmios nacionais da Globo, quais foram?

Há cinco anos a Globo criou o Premio Nacional de Programação, que é uma premiação que reconhece o trabalho das afiliadas e das  emissoras  Globo.  Já ganhamos três grandes prêmios ali, incluindo por dois anos consecutivos de melhor audiência do painel nacional de televisão. Somos uma das emissoras com maior desempenho de audiência do país.

 

Você sabe me dizer em números o quanto a Globo fica a frente das outras emissoras?

Sim, audiência é uma das coisas que eu acompanho muito de perto. Hoje estamos em média com uma audiência três vezes e meia maior que a emissora que fica em segundo lugar. Isso é uma média diária. Pra você ter uma ideia, a nossa audiência da madrugada e começo da manhã é maior que a audiência da segunda colocada em horário nobre. Isso nos coloca numa posição de responsabilidade gigantesca.

 

Você é um apaixonado. Algum segredo de sucesso na carreira?’            ‘

Pra mim, ser um gestor da área de programação é manter relações com o lugar onde você mora. É você conhecer o que as pessoas fazem. É conhecer as comunidades. É conhecer Santa Catarina.

No meu caso, eu conheço o estado inteiro, conheço os nossos sotaques, nossas etnias, nossas raízes. Já trabalhei por toda Santa Catarina. Isso é fundamental. Porque pra você promover uma programação com maestria você precisa ser parte daquele lugar. Porque o telespectador tem que sentir que aquilo que ele vê na televisão é dele. Tem que ser uma conexão, um trabalho genuíno. Minha função  é fazer parceria com o jornalismo local e desenvolver projetos de entretenimento que façam  sentido para o público.

Por  isso que eu gosto de estar com as pessoas, de estar nos eventos, nos bairros, saber o que a cidade e o estado estão pensando. Tenho muito orgulho de ter recebido o título de Cidadão Honorário na câmara de vereadores de Florianópolis. Sou um manezinho por conquista. E esse direito só veio pelo reconhecimento do trabalho que fiz ao longo da minha carreira toda em favorecimento dessa cidade que eu amo  e me acolhe.

Tenho não só orgulho, tenho obrigação de estar sempre fazendo algo em benefício da cidade, em função do seu desenvolvimento, do seu turismo, da sua cultura, da sua beleza, dos seus problemas. Tudo que eu posso trabalhar e aglutinar em beneficio de Florianópolis me traz contentamento, me traz alegria e me faz sentir inserido como cidadão, como ser humano e como  emissora. Inserido na minha comunidade que não é só Florianópolis, mas todo o estado de  Santa Catarina!

 

 

Feedback

 

O que você não fica sem?

Mar, praia e natureza

 

Uma mania:

Responder com afeto todos os comunicados, e-mails, whats, etc. Eu respondo a todas as pessoas, não deixo ninguém sem atenção. Mais do que uma obrigação profissional é uma questão de respeito com as pessoas que me procuram. Digo que é uma mania profissional  e amiga.

 

O que você abomina?

Qualquer tipo de preconceito! Não tolero preconceito com nenhum tipo de pessoa, com nenhum tipo gênero, de hábito. Preconceito destrói as pessoas. Preconceito afasta o crescimento. Desmonta a motivação.

Sou menino, uso azul, rosa, amarelo, preto, branco, verde, roxo e todas as cores possíveis. O que me incomoda é um mundo sem cor. Que é o mundo do preconceito, da violência, das ignorâncias.

 

O que você mais admira?

Gente. Gosto de ouvir as pessoas. Eu admiro demais os depoimentos que eu ouço às vezes numa fila de banco, no estacionamento onde deixo meu carro, ou do motorista de aplicativo ou taxi, ou do garçom que me atende, ou de um político, de um médico, escritor, arquiteto ou artista. Enfim, gosto de ouvir todas as pessoas! E para mim tudo isso tem valor absolutamente igual.

 

A melhor viagem:

Viajar é uma das coisas que mais gosto de fazer na vida e acho que já rodei quase o mundo inteiro. Mas a que me deu mais senso crítico de que o ser humano tem que se comunicar com o mundo foi a que fiz pra Tailândia e Vietnã  há dois anos. Foi onde vivi situações que mesmo estando do outro lado do planeta eu olhava pro meu mundo aqui.

 

 

Quando eu conversava com as pessoas la e estabelecia uma conexão, aquilo me dava uma alegria. A espiritualidade do povo asiático, o budismo, toda questão mística que existe na Tailândia mexeu com a minha cabeça e com meus sentimentos. Me transformaram em um viajante que hoje deseja mais experiências como aquela.

 

 

Eu hoje tenho evitado viagens pra destinos mais “comerciais”, com destinos de compra e tecnologia e sofisticação. Troco isso tudo por um barraquinho numa praia da Tailândia pra ver o sol se por, onde eu possa andar  na areia e de repente cruzar com um nativo e olhar nos olhos dele e saber que  historia essa pessoa tem dentro dela. E isso é lindo.

 

 

Uma palavra:

Resiliência. Acho que o mundo está exigindo da gente uma resiliência além do normal. A humanidade está confusa, complicada, mas acho que a grande receita da vida é você entender  que pode ser forjado, esticado, mas tem que voltar pro centro, manter o foco e ver que a beleza da vida está justamente nisso. O mundo não vai parar e a gente tem que se adaptar às transformações que  vida vai te apresentando. Isso nos faz mais humanos. Melhores ou piores, depende de cada  um.

 

Uma frase:

Acho essa frase muito doida, muito muito forte, e espero que Nelson Rodrigues não tenha razão nisso que escreveu, mas ele diz assim: “Se todo mundo conhecesse a intimidade do outro, ninguém se cumprimentaria”.

 

Um lugar no mundo:

Nesse momento vou ser contraditório! Porque um lugar no mundo que é um mundo é Nova York. Não há nada mais cosmopolita, não há uma cidade com mais superlativos. É uma cidade multifacetada, que se movimenta, que sempre você tem algo pra aprender.

Agora, a melhor cidade do mundo, sem nenhuma dúvida, é Floripa! Eu viajo o mundo inteiro, mas o meu lugar, onde o dia que eu morrer quero ser cremado, e ter minhas cinzas jogadas ao mar, é aqui. Meu coração tem raizes aqui. O amor que tenho por essa cidade é demais, chega a me emocionar. Eu não vivo sem isso aqui.

(lágrimas brotam...)

Aqui eu trabalhei, aqui eu sofri, aqui eu aprendi, aqui eu fiz grandes amigos, aqui tive lindos amores, grandes amantes, exercitei minha inteligência, minha capacidade intelectual, me relacionei com todas as pessoas que eu pude ao longo da minha trajetória e é isso que constrói esse amor, que faz você dizer: caramba, aqui é o meu lar! Meu lar é minha ilha. É onde quero viver pra sempre.

 

Uma saudade:

Meus pais (lágrimas transbordam...). Eles são as duas pessoas que mais respeito na vida. Que me deram um amor incondicional, me entregaram tudo que podiam, com um afeto total. Nunca levei um tapa. Os dois morreram com muito orgulho de mim. Nunca tive que ir pra uma terapia pra resolver problema de família. Se eu tive uma coisa que me faz ver o mundo com os olhos que eu vejo, foi esse amor que recebi dentro de casa. E meus pais foram absolutamente simples na forma de me amar.

Eu tenho um porta-retratos ao lado da minha cabeceira com uma foto deles junto comigo, e todos os dias eu olho essa foto e sinto que de onde eles estão, estão me abençoando... Sou apenas gratidão pelo tanto carinho que recebi dos dois.

 

Um sonho:

Pode ser bem  pessoal? Olha, não estou usando a oportunidade da entrevista pra colocar meu nome a disposição (risos), mas meu grande sonho pros próximos tempos é viver um grande, romântico, afetuoso, querido, proveitoso, delicado e complementar amor!

 

Esse é o meu desejo também, amigo! Merecemos!

"Você merece um amor que te queira com tudo e com as razões que te fazem levantar com pressa, com tudo e com os demônios que não te deixam dormir.

Você merece um amor que te faça sentir segurança, que te faça capaz de superar o mundo se caminhar ao seu lado, que sinta que seus braços se encaixam com sua pele.

Você merece um amor que queira dançar com você, que visite o paraíso cada vez que se deite contigo e que não se entedie ao ler todas suas expressões.

Você merece um amor que te escute, que discuta, que te dê melodia, música, que ria e chore com você. Que te apoie mesmo nos momentos ridículos, que te admire e, principalmente, que te inspire!!! Que te respeite se você for livre, que te acompanhe em seus vôos, que não se assuste ao cair.

Você merece um amor que leve as mentiras e que te traga sonhos, o café, o vinho e a poesia."

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Yula Jorge

Yula Jorge
Jornalista graduada pela UFSC. Antes disso estudou e viveu quatro anos entre o Canadá e os Estados Unidos e quando retornou a sua terra natal, Goiânia, graduou-se pela PUC em Secretariado Bilíngue. 
Logo mudou-se para Florianópolis, ingressou na Universidade Federal, e da ilha não saiu mais. Atua como colunista desde 2012, assinou uma coluna diária no jornal Notícias do Dia por alguns anos, e, paralelamente, foi repórter da RICTV Record e Record News. Traz todos os dias o que rola de legal em Floripa: sobre quem acontece, empreende, se engaja em causas legais. O que inaugura, as festas bombásticas, as melhores casas, restaurantes, os shows, as ações bacanas e o voluntariado.

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