Agosto 22, 2017

A arte imita a vida e a política em 'Billions'

Fora de série

Você já viu?

  • Billions

(1ª temporada: 2016 –  12 episódios - 40 minutos- USA)

Chuck Roades é um rígido procurador da República. Bobby Axelrod, um bilionário que fez fortuna em Wall Street,  usando métodos pouco ortodoxos.  Entre eles, o terceiro vértice: Wendy, a mulher do procurador . Não, não é o triângulo amoroso tradicional, onde há infidelidade carnal.  O que os dois homens disputam é a alma dessa mulher. Wendy trabalha para o executivo e como psicoterapeuta tem duas missões : ajudar o patrão a tomar decisões e manter a sanidade dos funcionários dele.  Seu marido, claro, não aprecia essa ligação profissional.

Mas esse não é um duelo entre o bem e o mal, entre o rico corrupto e o promotor justiceiro. O ódio mútuo pode levar ambos a ações extremas.  Rhoades  tenta se manter longe da influência do  pai que quer vê-lo ascender na política a qualquer custo.  Mas conseguirá  mesmo resistir se isso significa ter mais poder para eliminar Axelrod?  Apesar de conservador, Rhoades tem um telhadinho de vidro: hábitos transgressores quando o assunto é sexo. Ok, vamos parar por aqui para evitar o spoiler!

Inescrupuloso nos negócios, Axelrod  é, ao mesmo tempo, um marido fiel e pai amoroso . Aí, entra Lara, companheira desde os tempos de pobreza, bonita e leal , mas ambiciosa e dura. Claro, ela não gosta da dependência que o marido tem da sua charmosa psicóloga Wendy.

O final da temporada de estreia marca também o fim do primeiro round entre Rhoades e Axerold.  No início da segunda, percebe-se que as peças do jogo mudaram , mas a rivalidade entre os dois homens  está ainda mais forte, gerando grandes emoções a cada episódio.

Sobre o elenco: Paul Giamatti (Rhoades), ator de fôlego de "Sideways" e " John Adams", não decepciona. Damian Lewis( Axelrod), de "Homeland", poderia imprimir mais força ao papel, mas seu carisma acaba compensando. O restante do elenco é muito convincente.


------------------------------------------------

Cinema&Literatura

  • O LIVRO QUE VIROU FILME

Literatura e cinema andam juntos desde o surgimento da sétima arte. Grandes livros geraram filmes inesquecíveis.  Quase nunca o leitor concorda com a versão cinematográfica, mas controvérsias à parte é sempre interessante assistir o resultado nas telas. " A Insustentável Leveza do Ser" é um dos raros casos em que leitores e espectadores ficaram satisfeitos com a adaptação. Há até quem diga que o filme é melhor que o livro do tcheco Milan Kundera, considerado um dos grandes escritores do século XX.  Lançado em 1984, "A Insustentável" conta a história de dois casais : um  mais comportado e o outro bastante ousado. O acaso vai misturar as peças, tendo a invasão russa em Praga, em 1968, como pano de fundo. A filosofia e a política, porém, ficam em segundo plano na adaptação para o cinema. O amor e o erotismo ganham vida  nos desempenhos do então jovem Daniel Day-Lewis, Juliette Binoche e Lena Olin. O filme, de 1987, foi dirigido por Philip Kaufman e concorreu a dois Oscars e dois Globo de Ouro.  Um fragmento do livro interpreta o significado do título:"Quanto mais pesado o fardo, mais próxima da terra está a nossa vida, e mais ela é real e verdadeira. Por outro lado, a ausência total de fardo faz com que o ser humano se torne mais leve do que o ar, com que ele voe, se distancie da terra, do ser terrestre, faz com que ele se torne semi real, que seus movimentos sejam tão livres quanto insignificantes. Então, o que escolher? O peso ou a leveza?". Leia o livro, veja o filme e tente responder.

  • VEM AÍ

"Como nossos pais", o novo filme de Lais Bodanzky ( diretora brasileira do ótimo "Bicho de Sete Cabeças"). Com lançamento previsto para o final de agosto, o filme conta a história de Rosa, uma mulher de 38 anos, em momento de turbilhão. Ela tenta ser boa mãe para suas filhas, enquanto possui uma relação conflituosa com a própria mãe. Nesse duplo conflito de gerações, Rosa ainda enfrenta dificuldades no casamento e tenta manter vivos seus sonhos e objetivos profissionais. O título é o mesmo da canção de Belchior, interpretada visceralmente por Elis Regina, e arremata o tema: "...apesar de termos feito tudo o que fizemos, ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais". Mas não é ?


------------------------------------------------

Para os cinéfilhinhos

  • PIPOCA NEWS

Mesmo com o fim das férias escolares , os shoppings de Florianopólis, São José e Palhoça oferecem vasta programação para o público infanto-juvenil. Fica até difícil para os pequenos escolherem. Dá só uma olhada .

Animações – livre : O Reino Gelado-Fogo e Gelo (Rússia); Uma Família Feliz (Alemanha); Meu Malvado Favorito3 (EUA)

Ficção Científica – 12 anos – Valerian e a Cidade dos Mil Planetas (de Luc Besson)

Brasileiro – livre – Detetives do Prédio Azul ( personagens da série em versão para o cinema).


------------------------------------------------

Bastidores

  • DROPS DE ANIS

# Clint Eastwood ,aos 86 anos , continua na ativa e já iniciou a produção de The 15:17 to Paris: The True Story of a Terrorist, a Train. O filme conta a história real dos três americanos que impediram um ataque terrorista no trem que ia de Bruxelas a Paris, em 2015. Ousadia de Clint: o trio verdadeiro interpreta a si mesmo no filme.

# Jennifer Lawrence é a atriz mais bem paga de Hollywood, o que significa dizer do mundo. O cachê da protagonista de "Jogos Vorazes" chega a 52 milhões de dólares. Mesmo assim, muito abaixo do que recebe Robert Downey Jr., o "Homem de Ferro": 80 milhões de dólares. Há muitos anos as atrizes lutam para igualar seus salários aos dos colegas do sexo masculino, mas mesmo com personalidades como Meryl Streep na briga, ainda não chegaram lá. Nada diferente do que acontece no mercado de trabalho dos reles mortais, onde mulheres ainda ganham bem menos.

# Game of Thrones tem uma dupla impagável nos bastidores. Peter Dinklake e Conleth Hill ( Tyron e Varys) são os "palhaços" que fazem o resto do elenco morrer de rir com suas piadas e brincadeiras. Aliás, a série mais famosa do momento tem fama de manter um ambiente amigável entre suas tantas estrelas durante as gravações.


------------------------------------------------

Fan Page

  • EU RECOMENDO!

Sempre que, numa roda de amigos, o assunto gira em torno de filmes preferidos, um título me vem à cabeça: "Era Uma Vez na América" (Once Upon a Time in America, EUA/Itália – 1984), última produção de Sergio Leone, estrelada por Robert De Niro, James Woods e Joe Pesci, entre tantos outros grandes nomes do cinema americano. Obra complexa, poética, sensível que vale cada um dos 229 minutos - quase três horas – de duração. Tão grandiosa que foi escrita por seis pessoas, incluindo o próprio Leone, para contar a história de amizade e lealdade entre jovens de descendência judaica durante a Lei Seca, em Nova Iorque. Um deslumbre visual e auditivo. Direção, interpretações, roteiro, edição, fotografia e cenários impecáveis. A trilha do mestre italiano Ennio Morricone, nos presenteia com a uma versão instrumental de "Yesterday", dos Beatles, inédita até mesmo no álbum com a soundttrack original do filme. E o design de som é absurdamente incrível. Logo nas primeiras sequencias, o espectador pega carona na viagem de ópio do personagem Noodles (De Niro), induzido pelo toque incessante de um telefone. Vi, revi e sei que ainda vou rever muitas outras vezes. 

​(Pedro Leite é jornalista e Coordenador da Itapema FM)​

  • BEIJO DE CINEMA !

Burt Lancaster e Deborah Kerr rolam juntos na areia da praia e acabam a cena dando um dos beijos mais icônicos ( e molhados) da história do Cinema. O filme "A Um Passo da Eternidade", dirigido por Fred Zinnemann, ganhou oito Oscars em 1954. Se houvesse o Oscar para o melhor beijo teria vencido também!

E o seu beijo inesquecível qual é? Conte para o C&S!!

------------------------------------------------

HASTA LA VISTA, BABY!

Nosso the end será sempre uma frase que vive na boca do público, às vezes sem saber que vem do cinema ou a que filme se refere. O C&S vai explicar. Começamos com o título da seção: "hasta la vista, baby" : foi a despedida assustadora do ciborg terminator vivido por Arnold Schawarzenegger em " O Exterminador do Futuro", de 1984. Ela tornou-se uma das frases mais conhecidas da história do Cinema. E agora, mais de 30 anos depois, o velho Schawarza se prepara para voltar ao "Exterminador" sob direção do prestigiado James Cameron. Afinal, era só "hasta la vista" , lembram?

*Brígida De Poli é jornalista, com passagem pelo rádio, jornal e televisão. Cinéfila desde criancinha, viu-se convertida à mania das séries de TV depois de assistir "Os Sopranos". Entre os trabalhos alternativos na profissão adorou criar e editar o "Jornal do Vídeo", do Vídeo Clube do Brasil, na década de 90. Agora, ela volta a escrever sobre o que mais gosta: a sétima arte e suas variações.

Críticas (de preferência boas), sugestões e pedidos para cineseries@portalmakingof.com.br.

Tags:
cinema séries beijos de cinema arte cultura séries de TV netflix
Compartilhe: Compartilhe no FacebookCompartilhe no TwitterCompartilhe no Linkedin

Brígida Poli

Brígida Poli

é jornalista. Cinéfila desde criancinha, converteu-se à mania das séries depois de assistir a "Os Sopranos". Não se considera crítica de cinema, apenas alguém que gosta de trocar ideias sobre a sétima arte.

Comentários

Media Social

Fique por dentro

Receba novidades no seu e-mail!