Fevereiro 09, 2017

A Câmara erra mais uma vez

O corporativismo da classe política brasileira produz, a cadia dia, novas gritantes manifestações de incompetência
coletiva e que não passam de tiros disparados no pé. Exemplo evidente desta tresloucada cruzada é aprovar a tramitação em regime
de urgência do projeto de lei que veda a possibilidade do Tribunal Superior Eleitoral punir partidos que não apresentem ou tenham rejeitada
a prestação de contas. Parte que foi retirada por acordo de líderes.
Na mais superficial das análises, a manobra que foi ensejada na Câmara dos Deputados só aumenta a antipatia da
sociedade contra quem é eleito para representá-la, não para fazer de seu meio uma interminável sequência de
atitudes de autoproteção em tempos de pressão e acusações de participação em atos de corrupção. A maioria parlamentar já tem pago
um grande preço por uma minoria venal e sem escrúpulos, mas respaldar atitudes como esta ajuda a jogar todo o
plenário na vala comum, principalmente , neste caso. O projeto prevê, ainda, a revogação do artigo da Lei dos Partidos
Políticos que dá ao TSE a função de emitir instruções para detalhar o funcionamento da norma. 
No Congresso, a palavra autoregulação tem que ser vista, no mínimo, com desconfiança extrema.
 
As versões
Enquanto o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara, afirma que trata-se de manter a prerrogativa do Legislativo sobre a matéria contra o TSE, que ainda consagra o fim dos diretórios provisórios, o ministro Gilmar Mendes, presidente da corte, pôs os pingos nos is. Para Mendes, é uma apologia à impunidade e formaliza a existência dos partidos de aluguel, aquelas siglas que deveriam ser varridas para fora do processo eleitoral em uma reforma política, que deveria sair em breve, embora a manobra na Câmara leve a entender o contrário. Nesta quinta, Maia e Mendes se encontraram para melhorar o texto, o que não diminui o mal-estar criado.
 
Importante
Um dos assuntos mais batidos na América do Sul é o controle de fronteiras, caminho aberto para a entrada de armas e drogas, quase uma terra de ninguém. Os presidentes Michel Temer e Maurício Macri adotam a posição de que, no Mercosul, o rigor da fiscalização deve aumentar, o que já seria uma evolução se saísse do papel, pois Santa Catarina faz fronteira com a Argentina e recebe, gentilmente, todo e qualquer contrabando vindo do Paraguai e da Bolívia sem que as forças armadas e a Polícia Federal sejam melhores aparelhadas para mudar a realidade de um verdadeiro corredor para a criminalidade. 
 
Está difícil
As redes sociais nos brindam com uma infeliz realidade que leva a crer que, pelos pensamentos expressos sem conteúdo aprofundado ou informação ou notícias falsas, o mundo seria reconstruído em um dia e destruído em questão de minutos. E se os ataques forem meramente de cunho ideológico, de um lado e de outro, o apocalipse ocorreria em poucos segundos.
 
E insano
Estamos diante de um inegável "privilégio" de convivência com especialistas em tudo, generalistas de carteirinha, que não
constroem, em regra, nada, porém fomentam a discórdia e a segregação em um cenário repleto de radicalismo. O escitor e jornalista
italiano Umberto Eco, que Deus o tenha, tinha mais do que razão ao decifar a pulverização das redes sociais como uma abertura
da janela para além da liberdade de expressão, um caldo de, não rara, estupidez pura, com adesões frequentes e crescentes.
 
MIRIAM ZOMER/AGÊNCIA AL

DEFERÊNCIA
É só o deputado Gelson Merisio (PSD) aparecer na área da mesa da Assembleia para que os colegas de parlamento demonstrem respeito extremo. Na última terça, até o presidente Silvio Dreveck fez questão de levantar da cadeira e fazer um gesto como se oferecesse a vaga ao ex-comandante da casa. Depois, muita conversa. Gratidão é pouco.
 
Na mosca
Senador Dário Berger (PMDB) tem tudo para angariar inimizades no meio político e ganhar aplausos da sociedade com a PEC que propôs para que o teto do funcionalismo valha para as empresas estatais. São rios de dinheiro público que escorrem para o bolso de poucos sob o argumento de que são autarquias e que recebem aporte do capital privado em forma de compra de ações, o que engorda os salários, inclusive com direito a plano de participação nos resultados. E a sugestão é que se amplie para os tais conselhos de administração das mesmas, responsáveis por remunerar muito bem gente que é indicada por governos e acionistas.
 
Não vale
Pedir a prisão de sindicalista por descumprimento da ordem da Justiça em função da greve dos servidores da prefeitura de Florianópólis ter sido considerada ilegal é um ataque as garantias da atividade. A afronta deve ser analisada sob outros aspectos, mas não acrescentaria em nada a posição mais forte do prefeito Gean Loureiro (PMDB), que corre o risco de criar um clima de vitmização e praticamente criar um mártir da causa, enquanto o ideal seria negociar em vez de por querosene no fogo do radicalismo.
 
Derrapada
Nomear e voltar atrás não é um erro, persistir no equívoco é que deve ser reprovado. Por isso, mesmo diante de uma trapalhada, a decisão do prefeito Gean Loureiro em retroagir na escolha da superintendente da Floram, Iracema Wolan (PMDB), que afirmou ter sido "laranja", em Palhoça, para compor a cota de 30% de mulheres na chapa proporcional na última eleição, merece certa consideração, embora não deva ser aplaudida. O critério para montar a equipe também passa pela ética ou imita o que o presidente Michel Temer ffez várias vezes, escolher por pressão do partido. Sal grosso na administração do Gean.
 
A bomba
A decisão do TRE do Rio de Janeiro em cassar a chapa de Luiz Fernando Pezão (PMDB) e Francisco Dornelles (PP) só agrava a quase caótica situação do Estado do Sudeste. Ambos permanecerão no cargo até o julgamento em última instância, o TSE, com um chorinho no STF, fato que prolonga a agonia local, sem contar que nova eleição, que daria mais uma ano e pouco para o novo governante, podedar deserto, ou seja, sem candidatos, a não ser um "Kamikase" (pilotos suicidas do Japão na 2ª Guerra Mundial) ou um Masoquista (gente que cultiva o prazer pela dor), disposto a comandar uma máquina pública podre, com pagamentos de salários e fornecedores atrasados.  

RÁPIDAS

*Indisfarçável é a animosidade entre dois ex-prefeitos de Rio do Sul e que já estiveram juntos em uma administração inteira da cidade: Garibaldi Ayroso (PMDB), que assume a Diretoria Financeira da Assembleia, e o deputado Milton Hobus, líder do PSD.
 
*Sob a presidência do deputado Narcizo Parisotto, o PSC faz encontro estadual, nesta quinta-feira, em Biguaçú.
 
*O nome do evento é Greve Internacional de Mulheres, no próximo dia 8 de março, data que lembra o gênero, e Santa Catarina estará engajada na causa que pretende denunciar todas as formas de violência (social, legal, política, verbal, institucional e econômica) vivida por elas. Merece a atenção porque o problema é muito mais grave do que se imagina. 
 
*Voos de madrugada, que eram os mais procurados pelo preço melhor, estão longe da lotação de dois anos, reflexo da crise econômica.
 
*Wellington Moreira Franco virou Lula, pelo menos com a suspensão temporária da nomeação dele para a Secretaria-Geral da Presidência: ninguém engoliu a manobra para lhe dar foro especial, privilegiado no popular.  
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roberto-azevedo política economia bastidores da política Santa Catarina
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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 35 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, editor-chefe, chefe de Redação, gerente e diretor de Jornalismo na RBS TV (Blumenau e Florianópolis), hoje NSC TV; na TV Record (Florianópolis) e na Rede TV Sul (hoje SCC SBT); comentarista na RIC TV (hoje NDTV) e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União AM e FM (Blumenau e Florianópolis) e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, faz comentários na Rádio Cidade em Dia FM, de Criciúma, e é diretor de Conteúdo na TVBV (Band).
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