Dezembro 22, 2017

A crise e a mídia catarinense. Por Claiton Selistre

Diferentes tamanhos, diferentes produtos, diferentes posições. A mídia catarinense enfrentou a crise de 2017 como pode: NSC e Barriga Verde diminuíram produtos e cortaram empregos, enquanto RIC e SBT mantiveram os quadros e a primeira, aumentou a exposição regional.

O grupo NC, "herdeiro" da RBS, em tamanho e liderança, sofreu mais baixas para manter o status. Os cortes em rádio e jornais foram profundos. O lançamento do portal unificado NSC Total, esta semana, consolidou aquilo que o mercado sabia: os jornais impressos de Blumenau e Joinville estão em extinção. O que restou das equipes foi reunido no meio digital, como para salvar as aparências, até que o público não se dê mais conta do que acabou.

Isso não deverá demorar, pela provável convivência com prejuízo. Um dos sintomas está na abertura do novo serviço com a oferta, por exemplo, de 40 colunistas. A ideia de que o leitor vá buscar notícias regionais nele não combina com o perfil das grandes cidades catarinenses .

Na contramão da NC, o grupo RIC manteve equipes em todas as praças, aumentou o conteúdo local e vai reforçar a estratégia de buscar liderança na pesquisa Ibope de 2018, em maio. O desafio do grupo da família Petrelli é ter uma audiência satisfatória em Florianópolis, como também é desejo da rede nacional. O que prejudica a Record, em quase todo o País, é a imersão em excesso em novelas com temas bíblicos.

A estratégia do SBT continuará sendo diferenciada da RIC, buscando combate direto pelo segundo posto com jornalismo gerado da capital e mais a participação de repórteres em outra sedes. 

A Barriga Verde, com a programação Band, conseguiu segurar produtos locais ao meio-dia e à noite, mas reduziu 30% de pessoal e enfrenta pendências judiciais. Está fora do páreo e será uma grande surpresa se virar o próximo ano.

A sobrevivência de todos, no entanto, depende de receitas, quando é certo que grandes anunciantes públicos estarão fora do ar no segundo semestre devido ao processo eleitoral. Por certo, o desejo de quem anuncia, publica e produz informação é ir adiante sem cortes de qualquer natureza. Só quem viver, verá.

*Claiton Selistre é jornalista.

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Claiton Selistre

Claiton Selistre

Jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, foi diretor de Jornalismo por 25 anos da RBS TV, TVCom e Rádio CBN/Diário em Santa Catarina. Antes atuou na  Rádio e TV Gaucha do grupo RBS e em redações de jornal, rádio e tv do grupo Caldas Jr. em Porto Alegre. Foi também repórter da na Sucursal do Jornal do Brasil. Planejou e Coordenou coberturas multimídia nas Copas do Mundo de Futebol na Alemanha, Argentina, Espanha, México, Itália, Estados Unidos, França e Japão/Coréia. Dirige a Making of há seis anos.

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