Fevereiro 03, 2017

A crise na produção local

A produção local de conteúdo em televisão, rádio e jornal atinge um momento crítico com as frequentes demissões para reduzir custos. As decisões mais radicais até agora foram o fechamento do Notícias do Dia, de Joinville, e da TVCom, de Florianópolis. Mas há outros movimentos singnificativos que impactam na qualidade do produto e deixam as equipes desmotivadas e preocupadas. Profissionais saem de férias sem ter certeza se voltam ao trabalho.  

  • A morte anunciada da TVCom

O encerramento das atividades do canal 36 foi anunciado na semana passada, mas já era esperado há algum tempo. Por vários motivos, entre eles: a desativação do canal Octo, em Porto Alegre, que havia sucedido a TVCom gaúcha numa tentativa de salvação infrutífera; a decisão da Net de eliminar  a emissora catarinense da grade básica de programação, reduzindo assinantes;  a visão do negócio que superou qualquer desejo de investimento no localismo.

A TVCom, que chegou a gerar 8 horas ao vivo dos estúdios e foi concebida para receber profissionais em início de carreira, morreu de inanição. Morreria mais tarde, provavelmente, por falta de sinal digital. O crescimento da TVCom como opção para o telespectador local, apesar dos 16 anos de atuação, nunca foi uma opção sem questionamentos pela rede. Era vista como concorrente. Agora nem traço é mais na tabela de audiências.

  • Rádio também sofre

As demissões recentes do cometarista esportivo Renato Semensati e do repórter Fabiano Linhares, experientes e capacitados, expôs publicamente aquilo que já vem acontecendo nos bastidores da CBN Diário: a diminuição da equipe para baixar custos. Não há substitutos para eles ou os demais que saíram no último ano. As funções são absorvidas pelos que ficam. É política do fazer mais com menos, somada a um gerenciamento equivocado. Nas eleiçoes passadas, a emissora líder no segmento, ficou quase ausente da cobertura, entrando em cadeia com a TVCom (agora fechada).

A coordenação da emissora, que estava centralizada nos últmos meses em um profissional vindo do interior gaúcho, agora foi dividida entre jornalismo e esporte. Chico Vargas, salvo da TVCom, assumiu a burocracia e o microfone do plantão esportivo.

O maior custo de uma emissora de rádio é pessoal. Por isso, a CBN chega a um ponto crítico: se mexer mais, perde qualidade. Se nao mexer, tem que buscar receita, em um ano que começa dificil. A jornada esportiva, por exemplo, principal produto da emissora, só tem três dos oito patrocinadores previstos.

  • Prince e o Grupo NC

Prince, cantor norte-americano criador de "Purple Rain", em certa época da carreira abandonou o nome e adotou como identificação um logotipo preto, chapado, que usou na guitarra. O Grupo NC, que comprou a RBS SC, tem um procedimenro semelhante: o olho colorido desenhado por Hans Donner é substituto em vários momentos por um logotipo preto, também sem dimensões.

Prince estava em crise de identidade, o NC está em busca de uma. Neste rito de passagem, enquanto não assume de vez a postura em Santa Catarina, toma medidas de contenção de gastos como ocorre na RBS RS: a junção de operações de jornal, o fechamento da TVCom, e outras. Qual será a próxima etapa?  

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Claiton Selistre

Claiton Selistre

Jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, foi diretor de Jornalismo por 25 anos da RBS TV, TVCom e Rádio CBN/Diário em Santa Catarina. Antes atuou na  Rádio e TV Gaucha do grupo RBS e em redações de jornal, rádio e tv do grupo Caldas Jr. em Porto Alegre. Foi também repórter da na Sucursal do Jornal do Brasil. Planejou e Coordenou coberturas multimídia nas Copas do Mundo de Futebol na Alemanha, Argentina, Espanha, México, Itália, Estados Unidos, França e Japão/Coréia. Dirige a Making of há seis anos.

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