Dezembro 20, 2017

A Globo sai na frente em sucessão. Por Claiton Selistre

Primeiro artigo sobre movimentos da mídia em direção ao futuro*

Os grandes desafios da mídia têm sido motivo de debate e de planejamento estratégico para os próximos anos. Não será permitido que grandes players deixem de se preparar adequadamente para receber novos concorrentes como aconteceu na chegada avassaladora da internet. Empresas e empregos ainda estão sob ameaça e têm se encolhido mês a mês. A reação foi lenta até agora, mas há sinais de mudança no ar.

A Preparação da Globo

A maior empresa de comunicação deu um passo enorme na gestão corporativa. A segunda geração da família Marinho deixou a área executiva há poucos dias, retirando-se para o conselho e nomeando um presidente executivo (sabe quem é ele?). Na notícia, que mereceu Jornal Nacional, ao passar o bastão, Roberto Irineu Marinho disse que a Globo continua sendo uma empresa familiar mas com gestão profissional. Ao contrário de outros exemplos do mercado onde quem dirige de fato são os donos.

O grupo teve aconselhamento especializado e já vinha tomando decisões estratégicas em colegiado. Mesmo assim, o selo da família conferiu até agora ao grupo uma garantia de preservação de atuação com qualidade de produto e institucional, superando crises, admitindo erros do passado. A terceira geração da família está vindo aí com Roberto Marinho Neto, que atualmente dirige a área esportiva e assumiu integrando processos de produção, reduzindo custos, mas garantindo a primazia em eventos brasileiros e mundiais. O setor é sensível devido as investigações que ocorrem nos Estados Unidos, envolvendo direitos de competições e parceiros de muitos anos. Um dos expoentes da Globo, na última década no ramo, Marcelo Pinto, foi afastado já no ano passado, após a denúncia de ter recebido 1 milhão de dólares de propina. 

O desafio maior, portanto, não é audiência nem credibilidade, embora sejam fundamentais, mas sobreviver bem com foco nesta informação do IBGE publicada em julho deste ano: "No Brasil 98% das empresas são familiares. Estimativas mostram que 30% delas sobrevivem na segunda geração e apenas cinco em cada cem chegam à terceira. A profissionalização das empresas familiares é considerada peça-chave para o sucesso e perpetuação dos negócios." 

Então como é o nome do presidente da Globo? Roberto Nóbrega, no grupo desde 1997.

E as outras redes?

Enquanto a Globo noticia a própria reciclagem, há pouca informação sobre as demais redes. A Record é dirigida pelos bispos e garante a sobrevivência com receitas fora da mídia. Silvio Santos é o único a comandar o SBT, idem na Rede TV, onde o dono virou até apresentador de programa. A Band que poderia ser uma opção, vai em frente com dificuldades, porque não consegue, no momento, sair da dependência de espaços alugados para igrejas em horário nobre.

A sorte foi lançada e a Globo saiu na frente também no processo de sucessão familiar.

*Claiton Selistre é jornalista.

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Claiton Selistre

Claiton Selistre

Jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, foi diretor de Jornalismo por 25 anos da RBS TV, TVCom e Rádio CBN/Diário em Santa Catarina. Antes atuou na  Rádio e TV Gaucha do grupo RBS e em redações de jornal, rádio e tv do grupo Caldas Jr. em Porto Alegre. Foi também repórter da na Sucursal do Jornal do Brasil. Planejou e Coordenou coberturas multimídia nas Copas do Mundo de Futebol na Alemanha, Argentina, Espanha, México, Itália, Estados Unidos, França e Japão/Coréia. Dirige a Making of há seis anos.

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