Novembro 10, 2017

A queda de William Waack. Por Claiton Selistre

William Waack é um dos mais bem preparados jornalistas da TV. Correspondente no exterior, poliglota, amplo conhecimento histórico para debater em alto nível com os convidados de sexta à noite na GloboNews. Às vezes até completa as frases deles para não deixar cair o ritmo do programa .

Mas há tempos surgem notinhas apontando problemas atribuídos a forte personalidade dele. A companheira de bancada no Jornal da Globo, Cristiane Pelajo, acabou deixando a apresentação por conta disso. E foi uma queda considerável, das 11 da noite no canal aberto para as quatro horas da tarde em canal fechado. 

Mesmo com toda experiência, Waack não resistiu a tentação de ser uma pessoa comum, dizendo palavrões e palavras racistas quando se preparava para um boletim ao vivo, direto de Washington (veja aqui). Erro primário de quem deveria estar acostumado ao microfone ou que pelo menos conhecesse o caso de Rubens Ricupero. O ex-ministro da fazenda foi demitido do cargo em 1994, quando fez comentários sobre o Plano Real antes de entrar no ar na Globo. Chamou-se o Escândalo da Parabólica. O que ele disse e vazou: "Eu não tenho escrúpulos. Eu acho que é isso mesmo: o que é bom a gente fatura, o que é ruim a gente esconde". 

Qual o verdadeiro Ricupero? O da biografia bondosa do Wikipedia ou o flagrado nessa frase mau caráter? E o verdadeiro Waack: o do talento jornalístico ou o racista antes do boletim sobre a eleição americana?    

Para o público, só existe uma imagem associada àquela que invade o vídeo diariamente. O profissional de credibilidade quando se acredita no que ele diz, e também se imagina que na vida privada tenha as mesmas qualidades.

Infelizmente isso nem sempre acontece, como se vê no caso de Waack. Vai acabar demitido por algo que disse fora do ar há um ano, que alguém gravou e espalhou na internet. O brilho de Waack também provoca inveja nos bastidores onde tramaram  a queda, porque se fosse apenas indignação teriam reagido na hora.

*Claiton Selistre é jornalista.

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Claiton Selistre

Claiton Selistre

Jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, foi diretor de Jornalismo por 25 anos da RBS TV, TVCom e Rádio CBN/Diário em Santa Catarina. Antes atuou na  Rádio e TV Gaucha do grupo RBS e em redações de jornal, rádio e tv do grupo Caldas Jr. em Porto Alegre. Foi também repórter da na Sucursal do Jornal do Brasil. Planejou e Coordenou coberturas multimídia nas Copas do Mundo de Futebol na Alemanha, Argentina, Espanha, México, Itália, Estados Unidos, França e Japão/Coréia. Dirige a Making of há seis anos.

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