Agosto 08, 2020

ÁLCOOL x PANDEMIA

ÁLCOOL x PANDEMIA
Pexel/Divulgação

Quais os impactos da pandemia e da crise no consumo de bebidas alcoólicas? Produtores, indústrias, pesquisadores, profissionais de marketing, influencers e consumidores estão procurando compreender tudo que mudou – e ainda pode mudar – neste setor.

O fato é que a venda global de bebidas alcoólicas teve uma oscilação grande ao longo da pandemia. No mercado mundial começou com queda de 29% em março e 59% em abril. E uma retomada discreta (para o tamanho da perda) nos meses de maio, junho e julho. A Diageo, maior fabricante de bebidas espirituosas do mundo (dona de marcas como Johnnie Walker e Ciroc), teve uma queda de 47,1% no lucro operacional do primeiro semestre.

No Brasil o período de confinamento e incertezas também começou com impacto nas vendas e mudanças de hábitos dos consumidores. Mas, no fim das contas, o coronavírus acabou tendo um efeito positivo. Pesquisa do Kantar Ibope mostra que o consumo de bebidas alcoólicas aumentou 22,5% nos primeiros cinco meses do ano. Especialmente por conta das vendas online. Mas o desempenho do setor não foi linear. Muito pelo contrário.


Coka/Fotolia – Reprodução

Beneficiado pelo aumento do dólar e o confinamento, o consumo de vinho nacional subiu 39% no primeiro quadrimestre, pelos dados da União Brasileira de Vitivinicultura (Uvibra). O volume comercializado chegou a 4,4 milhões de litros, contra 3,2 milhões nos primeiros quatro meses de 2019. Se somados aos vinhos importados, os brasileiros consumiram mais de 35 milhões de litros de vinhos finos no período, crescimento de 10%.

O bom desempenho se deve à agilidade e a capacidade de adaptação das vinícolas brasileiras. “As vinícolas se mexeram rápido e passaram a vender pela internet. A média de aumento das vendas on-line é de 80%. E quem não comercializava pelo seu site, passou a fazê-lo", diz o presidente da Uvibra, Deunir Argenta. Em Santa Catarina a mudança na forma de atuação de vinícolas, distribuidores e lojas de vinhos também foi percebida, garante José Eduardo Bassetti, presidente da Associação Vinhos de Altitude:

Sem a possibilidade de realizar degustações e outros eventos durante um bom tempo (felizmente muitas já retomam as atividades de visitação), as vinícolas passaram a se comunicar mais com seus clientes por meio de lives nas redes sociais e canais de venda online. Não resolveu, mas amenizou – e muito – o prejuízo do setor. Na montagem abaixo, alguns exemplos de debates, cursos e até degustações guiadas durante a pandemia.

Resumindo: as marcas procuraram se manter na cabeça dos consumidores, apesar da distância física e das restrições. E procuraram entregar o produto onde quer que o consumidor estivesse. Por falar em consumidor, qual foi o impacto da pandemia para quem compra e consome? A coluna ouviu a opinião da sommelière Heloise Guil.

No ramo cervejeiro, mais mudanças. A alta do dólar aumentou consideravelmente insumos como o lúpulo. Além disso o consumo do chopinho no boteco foi proibido por um bom tempo mas, felizmente, growlers continuaram sendo abastecidos neste período em bares e brew pubs. Isso amenizou o prejuízo do setor, mas não impediu a queda nas vendas, conforme o presidente da Associação Brasileira da Cerveja Artesanal (Abracerva), Carlo Lapoli. Ele deu uma entrevista sobre o assunto para o Sebrae.

Cervejeiros, destiladores, vinicultores e todos profissionais da cadeia ainda estão sofrendo os impactos da pandemia. Mas adaptação é a palavra de ordem no segmento. Um bom exemplo é a bartender Wakana Morishita. Habituada a criar drinks em um wine pub de Blumenau ela procurou driblar as restrições do lockdown  e passou a oferecer coquetéis pré prontos (abaixo) à pronta-entrega. O cardápio é muito variado e tem drinks clássicos e autorais. O cliente encomenda o da sua preferência e horas depois recebe a bebida no conforto de casa. É só acrescentar gelo (quando o caso) e servir.


W.Morishita/Acervo Pessoal

O vírus colocou o mercado de pernas para o ar, provocando até o cancelamento de eventos como a Oktoberfest de Blumenau, a segunda maior festa da cerveja do mundo. O problema permanece ainda por tempo indeterminado. Mas a percepção é de que – felizmente – o pior no segmento de bebidas já passou. Se for isso mesmo, proponho um brinde para comemorar!

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ANTES DA DESPEDIDA

Duas informações importantes. A cervejaria Bohemia realiza uma ação bacana para marcar o Dia dos Pais apesar do período de distanciamento social. E está ensinando os filhos a montar um “boteco” em casa. No link há imagens e informações sobre a ação de marketing.

A segunda informação mexeu com o segmento vinícola há pouco mais de uma semana. A argentina Zucardi foi reconhecida como a melhor vinícola do mundo. A votação foi coordenada pela World’s Best Vineyeards. A Bodega Garzon, do Uruguai, ficou em segundo no Top 50. Infelizmente não há brasileiros na lista.

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Jefferson Douglas da Silva

Jefferson Douglas da Silva

Jornalista com especialização em Gestão de Marcas, atuou por mais de 25 anos em jornais e emissoras de televisão de Chapecó, Blumenau, Joinville e Florianópolis. Foi repórter, editor, apresentador e gestor de equipes de TV, entre elas a chefia de redação da RBS TV. Tem experiência em assessoria de comunicação e relações públicas nas áreas governamental e privada. Conhece em detalhes a rotina de cantinas que produzem vinho colonial no Oeste do estado e alambiques do Vale do Itajaí. Fez cursos de coquetelaria (Senac) e produção artesanal de cerveja (Escola Superior de Cerveja e Malte). Apaixonado por vinhos, estuda o assunto desde 2001.

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