Abril 02, 2018

Aliança põe futuro nas mãos de Colombo

Na semana da renúncia de Raimundo Colombo, que concorrerá ao Senado, os líderes da pré-aliança que reúne PSD, PP e PSB, e que apoia a pré-candidatura de Gelson Merisio ao governo, mas que pode ter o deputado federal Esperidião Amin na cabeça de chapa, quer que o governador licenciado oficialize o apoio ao projeto e que coordene a articulação. A lógica é a de que Colombo liderará o processo ao lado do colega de partido, e que a tão propalada intervenção nacional, via Gilberto Kassab, presidente nacional pessedista, seja um ato para garantir que o pré-candidato à Presidência Geraldo Alckmin (PSDB) dê apoio incondicional a Merisio, o que significaria o engajamento dos cobiçados tucanos locais. Colombo teria papel preponderante para dirimir as resistências internas entre os pessedistas ao projeto de Merisio, embora o pano de fundo seja mesmo o de impedir a manutenção da aliança com o MDB.

  

Variáveis

A estratégia é a mesma de sempre, isolar o MDB, o que une os discursos de Merisio, Amin e Paulo Bornhausen, presidente estadual do PSB. A nova investida seria atrair os tucanos, que têm o senador Paulo Bauer, pré-candidato ao governo, e o prefeito Napoleão Bernardes, de Blumenau, que renuncia esta semana, como figuras centrais no processo da eleição majoritária, sem a garantia de que eles teriam espaço em um projeto fechado.

 

Aliados

Quem ouve o senador Paulo Bauer, precebe a disposição dele em levar o projeto tucano à frente, a mesma linha de raciocínio e de atuação do presidente estadual da sigla, o deputado Marcos Vieira. Cheio de planos, Bauer confirma que, a partir de 20 de abril, bem depois de encerrado o prazo de fialiações e a da janela de troca de partido, e até 20 de julho, véspera das convenções, um triunvirato composto por Marcos Vieira, o senador Dalírio Beber e o ex-prefeito de Imbituba e ex-presidente estadual Beto Martins, inicia as tratativas institucionais com os demais partidos, a formalização de alianças. 

 

Grandes

Nas articulações dos pró-Merisio não se trabalha com a possibilidade real de uma aliança, como em 2002, que una MDB e PSDB. Juntos, os dois partidos comandam cidades com mais de 4,5 milhões em Santa Catarina - os três maiores colégios eleitorais e 13 dos 25 principais municípios - e fizeram, na última eleição municipal, mais de 1,8 milhão de votos. Seria uma temeridade não imaginar que parceiros tão poderosos possam entrar em campo do mesmo lado. Se com todas as variáveis, PSD, PP e PSB (que juntos totalizaram mais de 1,7 milhão, em 2016) conseguirem construir esta proposta pelas mãos de Colombo, desde que Alckmin enquadre o PSDB catarinense e que o MDB seja excluído, já que apostam que o partido estará em convulsão e desgaste interno, a aliança merecerá total crédito. No mínimo, estarão aptos a antecipar os números dos futuros concursos da Mega-Sena. 

 

Detalhe

Se Gilberto Kassab tem tanta influência sobre Geraldo Alckmin, que seria compratilhada pela valiosa influência do ex-senador Jorge Bornhausen no Estado, como ficará a velada articulação de que setores proeminentes do MDB nacional já apoiem o tucano nos bastidores, inclusive com a oferta do ministro Henrique Meirelles (Fazenda) para um provável vice. E tem ainda um fator estadual: o governador Eduardo Pinho Moreira tem longa amizade com Alckmin, iniciada na Constituinte de 1988, em Brasília, sem contar a proximidade das famílias e da formação médica em comum.

 

"República dos Fiscais"

Não há dúvida de que uma das mais bem sucedidas ações de servidores públicos na política catarinense é a dos auditores fiscais da Fazenda, conhecida como a "República dos Fiscais". Na eleição deste ano, o PSD garantiu espaço para o auditor e presidente do Sindicato dos Fiscais da Fazenda (Sindifisco), Fabiano Dadam, que tem no ex-secretário Antonio Gavazzoni um padrinho e o coordenador da campanha, disputar uma vaga de deputado. Pense que este grupo funcional já teve um governador, Paulo Afonso Vieira (MDB), e o atual presidente da Assembleia, Aldo Schneider (MDB), como alguns de seus eleitos. A lista é muito maior. 

 

AGÊNCIA CÂMARA

PASSO INCERTO

O futuro político do deputado federal João Paulo Kleinübing, presidente estadual do DEM, oscila de acordo com a força das demais alianças que estão senado desenhadas. Ele deixou o PSD por não concordar com o projeto de Gelson Merisio, por isso seria difícil imaginá-lo em uma apoio à aliança com o PP e o PSB. Kleinübing, por razões históricas, é próximo do deputado Esperidião Amin (PP), com quem aparece na foto em uma das comissões da Câmara dos Deputados, que pôs o nome como pré-candidato, mas não teria condições de um voo solo e teria que compor com outras siglas além dos demistas. O PR, de Jorginho Mello, já foi procurado por Amin, mas tem, por ora, projeto ao governo. Por falar em Kleinübing, dentro do PSD seu passo foi visto com ceticismo, uma perda de espaço e uma saída sem a parceria de outras lideranças. Não houve a tal debandada pré-anunciada.

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 35 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, editor-chefe, chefe de Redação, gerente e diretor de Jornalismo na RBS TV (Blumenau e Florianópolis), hoje NSC TV; na TV Record (Florianópolis) e na Rede TV Sul (hoje SCC SBT); comentarista na RIC TV (hoje NDTV) e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União AM e FM (Blumenau e Florianópolis) e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, faz comentários na Rádio Cidade em Dia FM, de Criciúma, e é diretor de Conteúdo na TVBV (Band).
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