Junho 26, 2020

Amândio foi exonerado por telefone

Amândio foi exonerado por telefone

Pesou o fato do secretário Amândio João da Silva Júnior ser amigo de Samuel de Britto Rodovalho, investigado pela força-tarefa que reúne Ministério Público, Polícia Civil e Tribunal de Contas do Estado, para que o governador Carlos Moisés da Silva agisse com rapidez para exonerá-lo, informação dada em uma nota lacônica (abaixo).

O ato foi feito por telefone, no início da noite desta sexta (26), enquanto Amândio estava em Rio do Sul, no Alto Vale, e sequer esteve na agenda programada pelo interior do Estado, uma delas na terra natal dele, Ituporanga, onde o Hospital Bom Jesus recebeu três respiradores da Secretaria Estadual da Saúde.

O argumento do governador é o de que não há mais espaço para sombras no governo, certamente porque o exonerado chefe da Casa Civil sabia do episódio relacionado a Rodovalho ou deveria ter alertado, o que não evita do fato ter se tornado mais uma dor de cabeça.

Mesmo que o Centro Administrativo não trate o meio de exoneração como um sinal de desprestígio, Amândio irá prestar os devidos esclarecimentos longe do governo, talvez para não repetir a complacência que rodeava as desventuras de Douglas Borba, antigo ocupante da função mais inconstante do secretariado de Moisés. Amândio deu sua versão pelas redes sociais https://bit.ly/3eFJyQK .

 

Mais material

Não só a questão de Rodovalho (foto acima) e a teleconferência em 22 de abril eram alvos da CPI dos Repiradores.

Um contrato do Movimento Catarinense pela Excelência, que tem a chancela da Fiesc, assinado em março do ano passado, tinha a participação do farmacêutico Sandro Yuri Pinheiro, que certificou o documento na qualidade de diretor de Tecnologia da Secretaria de Desenvolvimento Econômico Sustentável, da qual Amândio era o adjunto.

 

Atividade

Ocorre que Amândio e Sandro foram diretores da Excelência-SC, na qualidade de empresários, o que, inevitavelmente, levantaria outros questionamentos, embora o valor do contrato fosse de R$ 10,5 mil para treinamento.

Sandro, que era atualmente chefe de Gabinete da Casa Civil, também exonerado na noite de sexta (26), e Amândio declarou à coluna que fez trabalho voluntário associativista de 2011 a 2015.

 

A decisão

Tirar Amândio do governo quatro dias antes dele prestar depoimento à CPI na Assembleia gerará rumores, já que a atração de empresários para a administração estadual, uma ação que ele mesmo dizia que foi crescendo sem ser planejada, incomodava muitos deputados com receio da pressão que virá.

O agora ex-secretário da Casa Civil foi filiado ao DEM durante muitos anos, recentemente aceitou o convite para se filiar no PSL, partido de Moisés, mas não ficou mais de dois meses na sigla.

 

Planos

Amândio, que conversou com a coluna na última quinta-feira (25), pela manhã, não estava disposto a falar sobre o seu compromisso com a CPI, temia que isso fosse distorcido ou virasse elemento de provocação pelos deputados.

Até aquele momento, o então secretário desenhava um futuro de ampliação da interlocução com os deputados, da interlocução com muitos deputados e projetava, inclusive, uma melhora no relacionamento entre Moisés e Jair Bolsonaro, que está a caminho por figuras ligadas ao presidente da República.

 

Premonitório?

Na rápida comversa no gabinete de Amândio, no Centro Administrativo, em Florianópolis, a frase que marcou parte do início da conversa virou premonitória.

O então secretário declarou à coluna que tudo passa e, daqui a pouco, "alguém, outra pessoa, vai estar sentado nesta cadeira", antes de dizer que voltaria à iniciativa privada após concluir a missão dada por Moisés.  

 

Silêncio

Os assessores e muitos no governo foram pegos de surpresa com a exoneração de Amândio, porém já chamava a atenção o silêncio e a falta de retorno das ligações durante toda sexta.

Se considerado que governador e chefe da Casa Civil só foram tratar do evento foto no celular de Rodovalho na quarta pela manhã, mais uma vez Moisés sabia depois de um fato nevrálgico, incômodo, embora Amândio não tenha sido, até o momento, ouvido pelo Gaeco ou pela DEIC, tampouco figure como investigado da força tarefa no episódio dos respiradores.

 

Temporário

Juliano Chiodelli, adjunto e ex-presidente da Junta Comercial do Estado, assumirá interinamente a Casa Civil e não deve ser homologado o titular.

A informação de dentro do governo é de que o sucessor de Amândio, que ficou um mês e 15 dias no cargo, não será conhecido este fim de semana.

 

O pessoal não perdoa!

Mal saiu a notícia da exoneração e o pessoal de Rio do Sul já encontrou uma maneira de satirizar o fato com a forma pela qual o ex-chefe da Casa Civil foi comunicado da saída do governo.

Amândio é empresário do setor de telecomunicações, nada mais justo do que ser informado pela telefonia.

  

Sem sossego

A saída do governo Moisés não foi a única, pois tão logo foi concluído o relatório preliminar da sindicância que apura o envolvimento de servidores no pagamento antecipado dos 200 respiradores por R$ 33 milhões à Veigamed, a controladora-geral adjunta, Simone de Souza Becker, auditora do Estado de carreira, pediu exoneração.

Com ela também saiu Daniela Potrich de Oliveira, gerente de Auditoria de Recursos Antecipados, o que sugere que as decisões devem passar pelo critério que valeu para Amândio. Simone Becker foi convocada a depor na CPI.

 

Deveras ruim

O instrumento nefasto do pré-julgamento foi mais uma vez usado na divulgação dos nomes que constam do relatório preliminar da sindicância interna promovido pela Controladoria Geral do Estado, entre eles o do atual secretário da Saúde, André Motta Ribeiro.

Nem mesmo nas internas do governo entregar o pré-relatório à CPI foi considerado algo sensato, pois só livra o controlador-geral, Luiz Felipe Ferreira, em joga biografias em um turbilhão de suspeitas, pois os servidores citados sequer foram notificados, ainda têm que entregar suas defesas e se manifestarem nos autos, antes de ser formalizada uma punição ou o arquivamento das denúncias.

 

REPRODUÇÃO/TV GLOBO

ATÉ QUEM É PODEROSO CAI

Uma das mais prestigiadas delegadas da era Sérgio Moro no Ministério da Justiça e Segurança Pública, a delegada federal Érika Marena foi exonerada da chefia do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Internacional. Ela estava na pasta desde 2019, mas antes provocou indignação ao ser a titular da Operação Ouvidos Moucos, da Polícia Federal, em Florianópolis, que investigava desvios de recursos na Universidade federal de Santa Catarina e resultou na morte do reitor Cau Cancellier de maneira trágica. A delegada era vista como uma espécie de “bicho-papão” da PF, e quando queriam assustar alguém diziam coisas como “Marena vai assumir a (Operação) Chabu”,algo semelhante para outra ação, a da Operação Alcatraz, em conjunto com a Receita federal. Saudades ela não deixou em Santa Catarina.

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 35 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, editor-chefe, chefe de Redação, gerente e diretor de Jornalismo na RBS TV (Blumenau e Florianópolis), hoje NSC TV; na TV Record (Florianópolis) e na Rede TV Sul (hoje SCC SBT); comentarista na RIC TV (hoje NDTV) e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União AM e FM (Blumenau e Florianópolis) e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, faz comentários na Rádio Cidade em Dia FM, de Criciúma, e é diretor de Conteúdo na TVBV (Band).
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