Dezembro 19, 2018

Ana Losekann, das letras para a música

Ana Losekann, das letras para a música

Conheci Ana Losekann em Londres, na bela casa em que vivia com suas duas filhas e o repórter Marcos Losekann, chefe da Sucursal da Globo. Mas só no ano passado, já com a família de volta à Brasília, é que conheci o seu lado compositora e cantora, demonstrado para os inúmeros convidados do mundo político e jornalístico da capital reunidos em noite de festa. Há poucos dias, recebi spoilers das músicas que ela está disponibilizando no Spotify, levando a sério o desafio, e pedi para que ela enviasse algumas informações aos leitores da Making Of. Ao invés de formatá-los, resolvi deixar o texto quase na íntegra como depoimento de Ana Losekann:

 

Formação

Basicamente são 20 anos de trabalho como professora.  Sou formada em Letras, com Mestrado em Linguística Aplicada pela Universidade King's College, de Londres.

Já dei aula no ensino médio, fundamental e também em universidades tanto no Brasil quanto na Inglaterra.  Na Inglaterra eu dei aula nos King's College de Londres por 3 anos. Em Jerusalém eu trabalhei na escola internacional da cidade.  Desde quando voltamos para o Brasil, já faz 5 anos, eu trabalho na EAB- Escola Americana de Brasília.  Há dois anos sai da sala de aula pra dar aula de musica na própria  escola americana. Essa tem sido a melhor experiência da minha vida pois pela primeira vez eu posso respirar musica 24 horas por dia.

 

Início na música

A relação com a musica existe desde quando eu me entendo por gente. Quando eu aprendi a escrever, em torno de 4 a 5 anos, minha tia me dizia que o que eu escrevia era música. Eu escrevia melodias e letras pra qualquer sonoridade da casa, como máquina de costura, liquidificador, etc. Tudo virava musica na minha cabeça.

Pensei sim em estudar musica, mas teria que ir pra fora da minha cidade na época, e não tinha condições financeiras pra tal. Estudei Letras e fui muito feliz no estudo e na profissão, pois eu AMO dar aulas, e o mundo das letras é também o mundo da poesia e da Literatura. Isso esta completamente atrelado à musica. 

Momentos interessantes dos meus estudos. Apesar de eu amar estudar, quando eu era universitária ainda, eu passava mais tempo tocando violão fora da sala do que dentro dela.  Outro momento que vale a pena destacar e quando eu tive a experiência de dar aula no King's College. De vez em quando eu resolvia tirar os alunos da sala para fazermos ''serenatas'‘ para alunos de outras salas de aula, recepção, pessoal da limpeza, etc. Isso era quase uma loucura numa instituição tão séria. Mas eu o fazia com a maior cara de pau. 

Em qualquer curso dentro fora do pais, eu sempre era a "cantora'' da turma, fazendo uma letra para o palestrante como forma de agradecimento no final de cada curso. Escrevia letras de improviso e fazia todo mundo cantar para o constrangimento geral de todos.

 

Encontros com a Musica

Sao Paulo

Fui de Minas Gerais (Ituiutaba) pra São Paulo fazer Mestrado em Linguística na PUC.  Como a musica falava sempre muito alto, fui a um estúdio pra fazer uma DEMO pra um concurso de MPB de uma radio de SP. Não sai nunca mais desse estúdio. La gravei uma canção para uma novela da Record, na época, Louca Paixão.  Comecei a fazer shows em barzinhos, conhecer pessoas do ramo etc. Mas acredito que tudo na vida tem seu momento certo. Era muito difícil conciliar tantos projetos sozinha em SP, eu era também imatura, e financiando tudo praticamente sozinha. Dei um tempo. Foi quando conheci o Marcos e nos mudamos pra Londres.

 

Londres

Continuei trabalhando como professora. Porém, conheci Caroline Chan e Neal Whitmore (ex vocalista e guitarrista da banda punk Zique Zique Sputinik) músicos excepcionais letristas que escreviam (escrevem ainda) canções pra crianças. O foco deles era escrever canções que fugiam do lugar comum, inteligentes, eloquentes. Fiz um projeto musical bem extenso com Caroline sobre a Amazônia.  Esse foi um projeto bilíngue e educacional sobre a floresta amazônica. O nosso projeto na época (2010) chamou a atenção de um outro projeto ambiental do Príncipe Charles. Eles chegaram ate a inserir uma de nossas canções no site deles. Foi bem impactante. Aqui no Brasil esse nosso projeto também chamou a atenção do Claudio Botelho (Mueeler & Botelho- Musicais), que se interessou pelas nossas canções para montar um possível musical. Essa ideia de musical nunca se materializou, talvez pela crise econômica que se instalou no Brasil na época. Mas sempre mantivemos contato e quem sabe um dia isso acontece.

 

Brasilia

Aqui em Brasília recebi um dos maiores presentes. Primeiramente um músico, cantor, amigo extremamente talentoso, chamado Di Brasil. Com ele tenho gravado algumas de minhas composições.  Conheci Di Brasil na casa do apresentador Heraldo Pereira ha 4 anos. Desde lá nunca paramos mais de cantar juntos em festas, etc. Brasília é conhecida pelas festas nas casas das famílias. Isso é muito comum aqui. É mais comum as pessoas irem a festas nas casas dos amigos do que a restaurantes.

Brasília é um celeiro de grandes músicos. Aqui conheci também um outro amigo especial, Nelson Latif do Trio Baru. Nelson é mais conhecido fora do Brasil do que aqui mesmo.  Nelson é violinista e cavaquinista com formação internacional em choro e em jazz. 

Um outro grande presente e o produtor Jonathas Pingo, que é simplesmente tudo: musico, produtor, arranjador, maestro. Ele dá vida a qualquer ideia louca que eu tenho. 

Pingo consegue transformar em ouro tudo que ele toca. É mágico.  Ele traz consigo também vários músicos excepcionais na manga. Isso faz toda diferença num processo de gravação. Com o Pingo eu tenho gravado essas canções que tenho dividido nas plataformas digitais. 

 

Onde quero chegar?

Meu objetivo e investir na musica e viver dela, com ela, por ela. Eu adoro escrever, cantar, criar melodias na cabeça. Tudo é razão pra escrever musica. Tristeza, alegria, decepção. Tudo é fonte de inspiração.  E sucesso para mim é alguém ouvir uma das minhas canções e se conectar com ela, lembrar de alguém, de algum momento especial da vida. Pra mim isso vale ouro. 

A ideia e continuar com parcerias, gravar com novos músicos, estabelecer novos projetos, viajar nesse universo.

 

Como conciliar família a essa loucura?

A minha sorte é que as minhas duas pequenas também são artistas. Elas cantam, tocam e participam desse processo comigo. São minhas parcerias. 

Marcos da todo apoio como eu também o apoio. Nesse momento por exemplo ele esta conciliando o estudo do Direito, para complementar a profissão de jornalista. Eu acho o máximo você poder se reinventar em qualquer momento da vida. As meninas veem isso como exemplo pra elas seguirem também. Nunca é tarde pra você seguir teus sonhos, por mais difíceis ou loucos que sejam. :)

 

Referências

Elis, Djavan, Aretha, Ray Charles, Nina Simone, Sarah Vaughn, Amy Whinehouse (sempre),  Um momento interessante em Londres que me arrependo eternamente. Eu sou, era, sempre fui louca pela Amy. Um dia ela entrou no meu vagão de trem em High Barnet. Ela estava com o namorado e um segurança. Eu estava bem em frente a ela. Eu pensei me cantar Garota de Ipanema, pois sabia que ela amava o Brasil e a bossa nova. Fiquei com vergonha  e não o fiz. Um ano depois ela morreu. Essa imagem dela tão perto de mim ficou marcada. Lição: melhor me arrepender de algo que fiz do que o contrario.

 

Como acessar meu trabalho:

Analeliaoficial (face)

Analeliaoficial (insta)

 

No Youtube tenho também algumas gravações com Di Brasil

Di Brasil & Ana Lélia

Tags:
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Claiton Selistre

Claiton Selistre

Jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, foi diretor de Jornalismo por 25 anos da RBS TV, TVCom e Rádio CBN/Diário em Santa Catarina. Antes atuou na  Rádio e TV Gaucha do grupo RBS e em redações de jornal, rádio e tv do grupo Caldas Jr. em Porto Alegre. Foi também repórter da na Sucursal do Jornal do Brasil. Planejou e Coordenou coberturas multimídia nas Copas do Mundo de Futebol na Alemanha, Argentina, Espanha, México, Itália, Estados Unidos, França e Japão/Coréia. Dirige a Making of há seis anos.

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