Janeiro 08, 2020
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As peças se movimentam em Blumenau

As peças se movimentam em Blumenau
MAURÍCIO LOCKS/DIVULGAÇÃO

O terceiro maior colégio eleitoral de Santa Catarina precisa estar no radar do mundo político, não só pelo que significa em 2020, mas pelo que pode trazer de consequência na eleição estadual daqui a três anos.

Há a expectativa de que Mário Hildebrandt (sem partido) deva definir, nos próximos dias, a ida para o Podemos, com as bênçãos do ex-deputado  Paulo Bornhausen, o irmão Waldemar (presidente estadual da sigla) e do senador Álvaro Dias (PODE-PR), embora o prefeito, pré-candidato à reeleição, seja cortejado ou assediado por uma verdadeira sopa de letrinhas, que inclui o MDB e o PSD.

O deputado estadual Ricardo Alba (PSL) é nome certo na disputa, está cada vez mais forte com uma característica singular, a de ser o candidato de Jair Bolsonaro e de Carlos Moisés, um híbrido que deve enfrentar a resistência dos extremistas na Assembleia, ainda ligados ao partido, que aguardam pelo registro oficial no TSE para seguir à Aliança Pelo Brasil.

O nome para esta tentativa de torpedeamento recai sobre o também estadual Ivan Naatz, autorizado a se desligar do PV pela Justiça Eleitoral, que anunciou, nesta quarta (8), como mostra a foto – onde também aparece o vice-presidente estadual do partido, Jorge Goetten -, que assina a ficha de filiação no PL, do senador Jorginho Mello, no dia 1º de fevereiro próximo e concorreria com o apoio dos revoltosos pesselistas no Legislativo Estadual e com reforços locais, como Alexandro Fernandes, que foi assessor e secretário de Napoleão Bernardes (ex-tucano, hoje no PSD), dono de grande influência no município.

 

Nomes importantes 1

O futuro do ex-deputado e ex-prefeito João Paulo Kleinübing, presidente estadual do DEM, intriga muitos eleitores de Blumenau, que o veem como um nome ainda forte para a disputa.

O dilema de Kleinübing é shakespeariano: ser ou não ser postulante, sem chance de erro para uma nova derrota, enquanto avista uma candidatura mais tranquila a deputado federal, em 2022, ou um s alto maior, na majoritária.

 

Nomes importantes 2

A petista Ana Paula Lima, que ainda aguarda o julgamento do TSE que poderá levá-la a uma cadeira na Câmara dos Deputados, é outra grande expectativa, provável nome de uma Frente Democrática, que teria os partidos mais fortes de esquerda, PT, PSOL, PCdoB e PDT.

Sempre com bom desempenho nas últimas eleições à prefeitura da maior cidade do Vale do Itajaí, Ana Paula, mulher do ex-prefeito e deputado Décio Lima, hoje presidente estadual do PT, que chegou a ter o nome lembrado para concorrer este ano, seria mais do que uma alternativa.

 

Dúvidas

Olhado pelo lado de novidade, Alba é a grande estrela, que foi catapultado de vereador à condição de deputado estadual mais votado na última legislatura, na onda Bolsonaro, o que não tira o protagonismo de Hildebrandt, Kleinübing, Naatz e Ana Paula, todos testados nas urnas.

A dúvida é o caminho que trilharão o ex-deputado Jean Kuhlmann (PSD), que disputou o segundo turno nas duas últimas eleições e não estaria inclinado a concorrer; Arnaldo Zimmermann, candidato em 2016, que saiu do PCdoB e namora com o PSB; ou do vereador Adriano Pereira (PT), figura que cresce entre os alternativos de esquerda, ou ainda como devem se comportar partidos emergentes como o Republicanos e o NOVO, só para citar alguns.

 

DIVULGAÇÃO

SURPRESA NA RUA

Dos 25 outdoors que o prefeito de Palhoça Camilo Martins (PSD) distribuiu na Grande Florianópolis (10, em Palhoça; 4, em São José; 4, em Biguaçu; 3, em Santo Amaro da Imperatriz; e 4, em Florianópolis) para desejar Feliz Natal e próspero Ano Novo, os espalhados pela Capital geraram muita especulação. A mais natural era a de que Camilo estava disposto a concorrer à prefeitura, algo que ele, como bom advogado, já descarta pela ilegalidade em função da itinerância vetada pelo TSE. O prefeito justifica que faz a manifestação há 10 anos, e que, por um erro, em 2016, alguns foram parar em ruas longe de Palhoça. A ideia agora, garante Camilo, foi do irmão Rodolfo, que sugeriu estender os agradecimentos à região inteira, que garantiu preciosos votos para a eleição do pai, Nazareno Martins (PSB), a deputado estadual.

 

Futuro

Camilo Martins afirma que seu objetivo agora é trabalhar ainda mais no último ano de mandato, sair bem avaliado, garantir a eleição do sucessor indicado por ele, trabalho que já está em debate em um grupo com três opções, e intensificar a atuação no campo do direito.

Sobre uma eventual candidatura à Assembleia, depois de dois mandatos de prefeito, Camilo ainda não fala, mas dispara contra àqueles que pensam que somente com o trabalho nas redes sociais e à associação ao nome do presidente Jair Bolsonaro ou ao do governador Carlos Moisés terão facilidades.

 

Conselho

“Precisa ter conteúdo”, assegura Camilo, que lembra que uma postagem que fez sobre a ação que impetrou contra a concessionária do trecho da BR-101, que passa por Palhoça, rendeu 123 mil visualizações e comentários, viralizou.

Fato que não se verifica quando trata de assuntos do dia a dia da administração municipal.

 

Um crime contra a democracia

Quando um mandatário é assassinado, como o episódio que ocorreu com o prefeito João Schwambach (MDB), de Imbuia, a democracia sofre um grande revés. Leia os detalhes do assassinato em https://bit.ly/37PBAAF.

Não há qualquer justificativa ou argumento que leve a um desfecho bárbaro, quando Schwambach deixava a prefeitura após o expediente. A Federação Catarinense dos Municípios emitiu uma nota de pesar pela morte do prefeito, no Alto Vale do Itajaí:

 

“João Schwambach, Prefeito do Município de Imbuia, era um político conciliador. Humilde e de bom trato, liderava na política construindo pontes, dialogando, ouvindo e sempre preocupado em aprender. Gestor simples e persistente, administrador fortalecido pela constante presença e determinação, era um líder respeitado e quisto pela sua comunidade. Tragicamente, teve sua vida tolhida em mais um inaceitável episódio de violência, evento inexplicável, situação incompreensível e fato inaceitável como todas as formas que atentam contra a vida e a integridade humana.

A FECAM, as lideranças políticas municipalistas, os colegas, prefeitos e prefeitas e toda a sociedade solidária choram sua morte juntamente com a população do Município de Imbuia.

À família enlutada e à comunidade Imbuiense: que a fortaleza e a união prevaleçam e sustentem os enlutados. Que a dor e a amarga experiencia da morte inaceitável sejam aplacados pela perseverança, fé e unidade de toda a população. Que a mão solidária das pessoas que agora pranteiam a partida de seu líder sustente familiares, amigos, servidores públicos e, que ensinamentos de João Schwambach como líder político, amigo e liderança pública sirvam de resistência e permitam exemplo e fonte de luz para os dias que se seguirão.
Para a sociedade catarinense, também atingida pelo tolhimento de uma preciosa vida de mais um cidadão catarinense, reste o dever de refletir e testemunhar pelo fim da violência e pela contestação contra todas as formas que ceifam vidas. Uma sociedade plena tem por dever, responsabilidade e amor, refletir, resistir e agir pela eliminação das fontes de morte, violência e ataque à vida dos brasileiros.

Que João Schambach descanse em Paz e que seu exemplo de vida, alimente nossa sede por justiça.”

Joares Ponticelli, presidente da FECAM, em nome dos 294 Prefeitos e Prefeitas de Santa Catarina.

 

De protesto em protesto

Moradores e lideranças empresárias lançaram um abaixo-assinado às margens da ainda intransitável SC-108, no trecho que passa por Guaramirim, para reclamar da demora da obra, um deslizamento que impediu a passagem de veículos, para que o governo do Estado adiante a obra, prevista para ser entregue dia 31 de março.

O problema ocorreu em função das chuvas no dia 25 de fevereiro do ano passado e a Defesa Civil estadual lançou nota oficial, na tarde de quarta (8), para informar que o tráfego de veículos nos dois sentidos, ainda em caráter temporário, será liberado na próxima terça (14), uma vitória de quem reclama.

Outro problema será corrigir os danos nas demais rodovias que passaram a ser alternativas em função do fechamento da rodovia, responsável pelo escoamento de boa parte da produção da região. Um novo protesto está marcado para o dia em que o deslizamento completar um ano.

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 35 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, editor-chefe, chefe de Redação, gerente e diretor de Jornalismo na RBS TV (Blumenau e Florianópolis), hoje NSC TV; na TV Record (Florianópolis) e na Rede TV Sul (hoje SCC SBT); comentarista na RIC TV (hoje NDTV) e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia. Atuou nas rádios União AM e FM (Blumenau e Florianópolis), e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, assina uma coluna no Diarinho (Itajaí), faz comentários nas rádios do Grupo RCC (Bombinhas e Nova Trento), na 105 FM (Jaraguá do Sul) e na Cidade em Dia FM, de Criciúma, e é diretor de Conteúdo na TVBV (Band).
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