Julho 31, 2017

As poucas opções que sobraram ao país

Esta é uma semana que, de qualquer modo, interferirá no futuro do país, desde que os deputados federais resolvam ao menos votar a denúncia da Procuradoria Geral da República, por corrupção passiva, contra o presidente Michel Temer, nesta quarta-feira. Sob os vários ângulos da questão, a oposição encontrou no momento um elixir para suprimir os ataques contra o enlameado ex-presidente Lula e tirá-lo do foco. A PGR, uma sustentação de sua cruzada contra a corrupção. E os deputados, responsáveis por decidir a questão, uma bandeira pré-eleitoral que os una a alguma causa popular. Em síntese: há muitos outros interesses do que votar em plenário pela razão ou pela ética, que devem seguir sempre unidas.

Enquanto Temer tenta, a todo momento, garantir que sairá ileso desta denúncia, tecnicamente mais grave do que a próxima que virá, de obstrução da justiça, seus opositores divertem-se como quem ganhou um presente, no caso, acabar com a imagem daquele que os retirou do poder, como se o atual inquilino do Planalto fosse o único a maquinar o que denominam de golpe. Por ora, serve. O Ministério Público Federal também acerta a outra parte do enfrentamento, evitar a reforma da Previdência Social que transformará servidores públicos, em futuro próximo, em cidadãos comuns, com o mesmo teto de aposentadoria dos que labutam, hoje, na iniciativa privada ou na informalidade. Já os políticos, bem. A eles cabe o papel constitucional, difícil é imaginar que vão pensar mais em seus mandatos ou na renovação deles, em 2018, do que no país e nas consequências que uma nova mudança na Presidência deve trazer à vida da população.

 

O grande equívoco

Temer deverá acertar as contas dos seus erros com a Justiça, mais cedo ou mais tarde. Não é um exemplo de quem respeitou a postura que lhe cabe no cargo, caiu no conto dos poderosos e foi atropelado por uma urdida armadilha, sabe-se lá por quem, mas de certo não da brilhante cabeça dos irmãos Joesley e Wesley Batista, da J&F, controladora, entre outros, da Seara e da JBS. Porém, fazer deste momento nevrálgico para o país um joguete entre governistas e oposicionistas e prolongar uma das piores crises econômicas, com mais de 13,5 milhões de desempregados e uma quebradeira de empresas, chega a ser maquiavélico. Ou quem está ou pretende assumir o comando da Presidência, as rédeas do Brasil, desconhece que o cenário que monta agora é o mesmo que terá que consertar, sem rios de recursos de empreiteiras e frigoríficos ou planos mágicos, baseados no desvio de dinheiro público.  

 

Tentativa

Temer foi ao Rio de Janeiro lamber a cria, o decreto de Garantia da Leia e da Ordem (GLO), no Rio de Janeiro, Estado e Capital há muito entregues ao crime organizado em suas mais variadas versões (veja a foto principal). O presidente foi angariar luzes para tentar aumentar a sua popularidade, sem precedentes de tão baixa. Na foto, durante o discurso, ficou entre o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) e o prefeito Marcelo Crivella (PRB), que agradeceram a ajuda e fizeram o que os governadores e prefeitos que foram a Brasílias, semana passada, na formalização das concessões de aeroportos, como o Hercílio Luz, de Florianópolis, não tiveram sequer vontade, ficar ao lado do presidente da República.  

 

O que importa

Com o caixa a fazer água, o governo federal não tem outra opção senão promover as reformas da Previdência e Tributária, sem contar com o empurrão para mudar as regras políticas. A cada contingenciamento, que significa corte de gastos, alguma atividade de atendimento ao público fica prejudicada. As reformas, no entanto, precisam de governos fortes, o que Temer ainda precisa assegurar, depois de escapar da degola.  

 

JAMES TAVARES/SECOM

PESSEDISTAS E TUCANOS

Ano pré-eleitoral faz isso. O deputado Gelson Merisio conseguiu uma vaga de representante do presidente da Assembleia Silvio Dreveck para estar colado ao governador Raimundo Colombo, durante o lançamento da edição de número 57 dos Jogos Abertos de Santa Catarina, em Lages. Nada que fuja do trivial, até porque Dreveck apoia o projeto do PSD ao governo e, pelo menos no registro fotográfico, Merisio assegura a companhia de tucanos, os secretários-deputados Leonel Pavan (Turismo, Cultura e Esporte) e Vicente Caropreso (Saúde), mais o presidente da Fesporte, Erivaldo Caetano Júnior, o Vadinho, que aparece à direita, ao lado do prefeito pessedista Antônio Ceron, o anfitrião da festa este ano. O novo troféu nem ofuscou o brilho de tantas estrelas.

 

Vai que...

A última vez que os Jasc foram em Lages, em 2002, Raimundo Colombo era o prefeito da cidade. Reelegeu-se dois anos depois e renunciou em 2006 para chegar ao Senado. Quem sabe se dá sorte.

 

MARCELO TOLENTINO/DIVULGAÇÃO

BOM HUMOR

O encontro era do PMDB Mulher, em Palhoça, e a personagem Dona Maricotinha, da atriz Mônica Prim, roubou parte da festa partidária do segmento presidido pela deputada Ada de Luca (secretária de Justiça e Cidadania). Mas um dos alvos preferidos da “manezinha” foi o deputado Mauro Mariani, presidente estadual da sigla, que, de quebra, ainda recebeu o apoio formal do ex-governador Paulo Afonso Vieira ao projeto para o ano que vem.

 

Novidade

Membros da executiva, das bancadas estadual e federal do PMDB têm até a próxima segunda, 7 de agosto, para trazer as posições de suas regiões sobre a escolha dos diretórios municipais, que ocorrerão em outubro. É a missão que o presidente Mauro Mariani passou para a próxima reunião do diretório estadual, em Florianópolis, quando o assunto será tratado. É que o diretório nacional da sigla delegou a decisão aos diretórios dos estados, e a opção catarinense foi para daqui a pouco mais de dois meses.  

 

MARCELO PASSAMAI/DIVULGAÇÃO

PARA CALAR BOCAS

Criticado por alguns peemedebistas pelo seu “divórcio” com a vida partidária, o senador Dário Berger resolveu mostrar que a coisa não é bem assim. No sábado, depois de participar do encontro do PMDB Mulher, em Palhoça, rumou para São João Batista, onde apareceu na foto da inauguração da revitalizada Praça Benjamin Duarte, para prestigiar o prefeito Daniel Netto Cândido. E levou o vereador Tiago Silva, da Capital, com ele. Foi Dário quem propôs a emenda de R$ 400 mil para a obra.

 

Até molhado

As denúncias de corrupção que marcaram a Confederação Brasileira de Desportes Aquáticos levaram 17 federações dos estados a encaminharem à entidade internacional, a FINA, um pedido para que a delegação brasileira não fosse aceita na competição realizada em Budapeste, Hungria, e que terminou neste domingo. A alegação foi desconsiderada e, mesmo com as oito medalhas, uma de ouro e a primeira de uma mulher, Etienne Medeiros (50m livre), o agasalho da equipe sequer tinha a bandeira do Brasil. A corrupção por aqui existe até debaixo d’água.

 

JOÃO MANOEL SOUZA NETO/DIVULGAÇÃO

MAS BAH!

O recesso parlamentar termina nesta terça, mas não dá para dizer que os deputados estaduais multiplicaram suas visitas às bases para garantir um apoio ali, outro cá, mais um acolá. Que o diga o deputado Rodrigo Minotto, presidente estadual do PDT, ao centro, que subiu a serra para prestigiar a Cavalgada da Nevasca, realizada há um década, e aproveitou para conversar com o prefeito Goivani Nunes (PSDB), de São Joaquim, enquanto o gaiteiro dedilhava alguma canção nativista. Ôigalê, tchê!

 

RÁPIDAS

* Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, que pretende institucionalizar sua condição de ditador com uma Constituinte, pagou o maior mico internacional quando, ao vivo, viu o tal “Cartão da Pátria”, uma corruptela do Bolsa Família do país vizinho, que simplesmente afirmou que o eleitor famoso “não existia ou o cartão foi anulado”.  Para delírio da oposição com a piada pronta.

 

* Jornalistas Suyanne Quevedo e Edmilson Ortiz, ex-RBS, serão os divulgadores do Jasc, escolhidos pela Fesporte, nas viagens por todos os cantos do Estado.

 

* Vai ter festa no Centro Integrado de Cultura, em Florianópolis, nesta terça, quando o presidente da Agência de Fomento José Caramori e o governador Raimundo Colombo oficializarão a liberação de R$ 54,6 milhões do Programa Badesc Cidades para obras de infraestrutura, aquisição de máquinas e ônibus escolares para 17 municípios.

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 35 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, editor-chefe, chefe de Redação, gerente e diretor de Jornalismo na RBS TV (Blumenau e Florianópolis), hoje NSC TV; na TV Record (Florianópolis) e na Rede TV Sul (hoje SCC SBT); comentarista na RIC TV (hoje NDTV) e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia. Atuou nas rádios União AM e FM (Blumenau e Florianópolis), e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, assina uma coluna no Diarinho (Itajaí), faz comentários nas rádios do Grupo RCC (Bombinhas e Nova Trento), na 105 FM (Jaraguá do Sul) e na Cidade em Dia FM, de Criciúma, e é diretor de Conteúdo na TVBV (Band).
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