Janeiro 22, 2020

Até onde ir?

Até onde ir?
Foto: Reprodução/Pixabay

Por Glauco Fonseca*

No Brasil não há eutanásia e é proibida a comercialização de órgãos. O aborto, fora de parâmetros sociais e juridicamente aceitos, também é proibido. Há, portanto, diversos limites para o exercício da medicina e toda ação médica é limitada por diversas questões muito claras e transparentes. Casos como drogas em teste, bem como experiências genéticas, são altamente controlados, assim como questões éticas e típicas do exercício da medicina nos diversos Conselhos da categoria. O profissional que pratica abortos, ainda que seja por questões “humanitárias” é considerado criminoso por ter ultrapassado limites da profissão.

Isso vale para advogados. Há inúmeros limites para a prática da profissão, delineados pelo código de ética da categoria, bem como pelas relações entre clientes e representantes, ungidos por sigilo e proteção legal. Quando este sigilo é quebrado, ainda que passível de justificativa, existe o processo judicial adequado que pode levar o advogado à perda da autorização para exercer a profissão. As limitações legais, éticas e morais são pesadas para a magistratura, para a polícia, para legisladores e diversas profissões privadas e públicas. Isto é o que garante a civilidade nas relações, a paz na república e o respeito entre pessoas e entes representados.

Padres não revelam aquilo que lhes confessam. Psiquiatras e psicólogos idem. O sigilo é parte fulcral de seus ofícios, sem o que não se confessa e não se procede uma psicoterapia. Os limites a estas profissões que exigem sigilo são extremos e dramáticos. Uma relação quebrada pode levar a tragédias pessoais ou familiares impressionantes. Não se transige com estes limites profissionais. Não se pode nem se deve transigir.

Arquitetos e Engenheiros constroem pontes por onde passam milhares de vidas todos os dias. Sua responsabilidade está implícita e impregnada no cimento utilizado, no aço e no concreto que requerem a especificação adequada e segura. Há limites implícitos na ação destes profissionais, há códigos de ética e compromissos com aqueles que serão os usuários de uma hidrelétrica, um túnel ou um simples prédio de três andares. Se forem mal construídos, pessoas poderão morrer. Se os projetos forem ruins, seres humanos podem ser atingidos. Existem limites para a profissão de engenharia, arquitetura e congêneres? Inúmeras e todas elas precisam ser respeitadas diariamente.

Há duas categorias que, infelizmente, nos dias de hoje, não aceitam mais que lhes sejam impostos limites: Jornalistas e professores. Esgarçam diariamente seus códigos profissionais, sem a mínima preocupação com as consequências. Vou me deter, por enquanto, apenas nos jornalistas.

O caso do site The Intercept e do diretor Glenn Greenwald é uma “aula” de como pouco ou quase nada restou de bom senso e ética profissional na profissão. Perderam a noção entre o legal e o ilegal, entre o ético e o criminoso, entre a verdade e a mais sórdida mentira. Jornalistas não são. Publicar o produto de crime de invasão de privacidade é repulsivo. Foram ainda mais adiante ao tentar dar ares conspiratórios a conteúdos efêmeros, na tentativa de comparar juízes e procuradores com políticos corruptos processados no âmbito da operação Lava Jato.

Liberdade de expressão? Claro que o limite foi espichado! Os jornalistas do The Intercept são tão criminosos quanto o “Molição” e o “Vermelho”. Glenn Greenwald e seu comparsa Leandro Demori são a mais evidente constatação de que o “piso da categoria” é dinheiro demais para gente como eles.

 

*Glauco Fonseca é Consultor de marketing.

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Redação Making Of

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