Dezembro 05, 2018

Bolsonaro debate a governabilidade

Bolsonaro debate a governabilidade
VANDREI BION/DIVULGAÇÃO

Com um abraço no deputado federal mais votado de Santa Catarina, o comunicador Hélio Costa (foto), o experiente deputado federal e presidente eleito Jair Bolsonaro demonstrou no encontro com a bancada do PRB a disposição em buscar apoio da sigla para aprovar a reforma da Previdência, que deverá ser fatiada, e aumentar a reforma Trabalhista. Antes, Bolsonaro encontrou-se com os parlamentares do MDB, a maior bancada no Senado e a quarta na Câmara. Nesta quarta (5), o presidente eleito estará com as bancadas do PSDB e do PR. À mesa, ainda não está a ideia de construir uma base de apoio no Congresso, mas usar as reformas como forma de atrair votos valiosos. Bolsonaro, que já foi criticado por se afastar dos deputados e senadores e manter unicamente o contato com as bancadas temáticas, que inclusive indicaram vários ministros, dá um exemplo que serve ao governador eleito de Santa Catarina, Carlos Moisés da Silva.

 

O desafio

O pesselista Moisés sabe que nem mesmo a melhor das propostas de modernizar o Estado, aumentar a transparência criar uma nova estrutura administrativa mais enxuta e eficiente, resiste à ausência de diálogo com os deputados estaduais, responsáveis por aprovar as reformas. Até porque lhe falta a experiência do presidente eleito no traquejo com o parlamento e ainda enfrentará o desafio de construir a maioria na Assembleia sem oferecer os espaços e o toma lá dá cá que perduravam na política.      

 

DIVULGAÇÃO

NOME PARA A CELESC

Enquanto muitos apostavam que sairia da equipe de transição o nome do novo presidente da Celesc, indicado pelo sócio majoritário, o governo do Estado, Moisés convidou o engenheiro Cleicio Poleto Martins para o cargo. Engenheiro com mestrado em Energia e Sustentabilidade pela UFSC, Poleto Martins, que atuou na Companhia Vale do Rio Doce e está na Engie Brasil Energia, terá seu nome submetido ao Conselho de Administração da maior estatal catarinense, uma mera formalidade.

 

Mais cedo ou mais tarde

Se cumprir à risca a cartilha do futuro superministro da Economia Paulo Guedes, o governador eleito Carlos Moisés terá que tocar no vespeiro da análise de privatização de empresas públicas. E deverá ser com muito critério, pois, no passado recente, esta manobra rendeu denúncias de corrupção nas eleições de 2010 e 2014, quando a bola da vez seria a Casan, situação que não se confirmou, porém teria rendido muito dinheiro em doação de campanha por caixa dois.   

 

Sem avião

O governador eleito anunciou, na noite desta terça (4), que colocará à venda as aeronaves Cessna Citation II e o Embraer Carajá, avaliadas em mais de R$ 2 milhões, que pertencem ao governo do Estado, e que, só com conservação e manutenção, consumiram R$ 14 milhões dos cofres públicos nos últimos anos, realmente um estorvo na estutura. São praticamente quase duas sucatas e este é mais um futuro ato que dependerá da aprovação da maioria na Assembleia. Mesmo que a atitude de Moisés caia no agrado popular quando ele afirma que fará os deslocamentos prioritariamente com a utilização de voos comerciais, a tendência será mudar de ideia quando os compromissos forem rápidos dentro do Estado ou nas idas a Brasília, com a necessária locação de helicópteros e jatinhos.

 

No vídeo

O direito à livre manifestação e opinião esteve em xeque no voo entre São Paulo e Brasília, nesta terça (4), quando o ministro Ricardo Lewndowski pediu que a Polícia Federal fosse chamada por se sentir ofendido com uma crítica do advogado Cristiano Caiado Acioli, de 39 anos, ao STF. O advogado, que não chegou a ser preso, mas ficou retido na aeronave e depois foi ouvido por um delegado da PF enquanto Lewandowski não saísse do aeroporto, afirmou que tinha vergonha da atual corte e mais ainda de ser um brasileiro representado por aqueles ministros. Podia ser mais alguém fazendo barraco para aparecer, porém o conteúdo e forma como foi feita a crítica não parece ter esta conotação. Assista ao vídeo com o episódio.

 

* Deputados aprovaram duas medidas provisórias que devem garantir recursos para o caixa do governo do Estado: a que altera a forma de recolhimento e contabilização do ICMS pago pelas empresas do Programa de Desenvolvimento da Empresa Catarinense (Prodec) seja feito de forma mensal e não mais apenas na quitação integral do contrato; e a que instituiu Programa Catarinense de Recuperação Fiscal do Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação de Quaisquer Bens ou Direitos de 2018 para estimular o pagamento que está em atraso com o desconto de juros e multas.

 

* Gerou a maior polêmica a aprovação do projeto do Executivo que acaba com o pagamento de FGTS aos servidores municipais contratados como Admitidos em Caráter Temporário, os ACTs, depois de uma manobra na Câmara, que votou a medida em uma sessão extraordinária , na última segunda (3), depois que protestos impediram a análise na quinta passada (29).

 

* A pressa também teria outra motivação, a ausência do combativo vereador Ricardo Alba (PSL), deputado estadual eleito com a maior votação em Santa Catarina, que estava em Florianópolis, no anúncio dos primeiros secretários pelo governador eleito Carlos Moisés da Silva.

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 33 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, chefe de Redação, editor-chefe, gerente e diretor de Jornalismo, nas RBS TV de Blumenau e Florianópolis, na TV Record de Florianópolis e na Rede TV Sul!; comentarista na RIC TV Record e na Record News, e editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União de Blumenau e União FM de Florianópolis, e na Rádio Record da Capital. Faz comentários sobre política e economia.
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