Junho 06, 2020

Borba estaria eliminando provas

Borba estaria eliminando provas
FÁBIO QUEIROZ/ AGÊNCIA AL

Na coletiva realizada pela força-tarefa que envolve Ministério Público, Polícia Civil e Tribunal de Contas, neste sábado (6), dois pontos ficaram claros sobre a prisão preventiva do ex-secretário da Casa Civil, Douglas Borba, e do amigo dele, o advogado Leandro Barros: a detenção foi por eles estarem agindo para apagar rastros e provas e que os R$ 11 milhões já recuperados vieram mesmo da Veigamed, em dinheiro rastreado pela Procuradoria Geral do Estado.

O anúncio foi feito, direto da sede do MP, pelo coordenador da força-tarefa, promotor de Justiça Maurício Medina, na companhia do coordenador do Gaeco, promotor de Justiça Alexandre Graziotin; Rodrigo Schneider, delegado da DEIC; e Sidney Antonio Tavares Júnior, diretor de Contas do TCE, que durou 37 minutos.

Na maior parte do tempo, eles se limitaram a dar as informações gerais e, impedidos pela legislação, evitaram dar detalhes sobre as pessoas presas, duas delas no Rio de Janeiro: Davi Perini Vermelho, atual presidente da Câmara de Vereadores de São João do Meriti (RJ), comprador da empresa Veigamed; e Cesar Augustus Martinez Thomaz Braga, advogado da Veigamed; sendo que Pedro Nascimento Araújo, que atuava como uma espécie de procurador da Veigamed, prossegue foragido. Mas na coletiva, falou-se em seis mandados de prisão.

Há busca e apreensão também no Estado de São Paulo e as prisões foram feitas com o apoio das polícias civis fluminense e paulista. Assista a entrevista na íntegra aqui:

Destino traçado

Douglas Borba, que nega sempre a participação no pagamento antecipado dos R$ 33milhões à Veigamed já tinha o pedido de prisão preventiva solicitado na primeira parte da Operação Oxigênio, fato negado pela prerrogativa de for que ele possuía, à época à frente da Secretaria da Casa Civil, e por erros no pedido encaminhado.

Há muito ele era o alvo, pois tanto Helton Zeferino (ex-secretário da Saúde) quanto Márcia Regina Geremias Pauli (ex-superintendente de Gestão Administrativa da Secretaria da Saúde) relataram, as pressões que ele fazia. Márcia Regina acrescentava que Leandro Barros agia como preposto de Borba e transitava livremente pelo governo, sem ter cargo público.

 

Pedido

O deputado João Amin (PP), integrante da CPI dos Repiradores, saiu na frente e pediu ao presidente da comissão, deputado Sargento Lima (PSL), que seja garantida força-policial para trazer Borba à acareação, marcada para a  próxima terça-feira (9).

O mesmo pedido foi feito, em um primeiro momento de forma digital, depois será oficiado, ao procurador-geral de Justiça, Fernando da Silva Comin, para que ele auxilie na ação policial para levar Borba à reunião da comissão.

 

E agora?

Força-tarefa apurou que a Veigamed, que só enviou 50 dos 200 respiradores ao Estado, não teria sequer comprado outros 100, que dirá o restante do lote.

E que não nenhum deputado estadual ou federal investigado por conta da possibilidade de pressão na vende de respiradores ou na indicação de empresas, como chegou a ser relatado por Márcia Regina e Douglas Borba, que, com “amnésia seletiva”, não se  lembram dos nomes dos parlamentares.

 

Liminar garante Lima

Uma liminar concedida pelo juiz Humberto Goulart Silveira, da 3ª Vara Cível da Comarca de Florianópolis, impede que se cumpra o pedido de suspensão do deputado Sargento Lima das funções partidárias na Assembleia, o que, na prática, implicaria na saída dele da presidência da CPI dos Respiradores e de outras comissões.

O advogado Paulo Roberto Silveira de Borba, que representa Lima, afirma que a decisão judicial, que ainda terá o mérito analisado, corrige uma distorção, pois mesmo que o deputado tenha sido penalizado administrativamente pela sigla, estranha-se o fato de um ofício, assinado pelo presidente Fabio Schiochet, ser encaminhado um dia depois do conselho de ética pesselista se manifestar, 19 de maio, ao presidente Julio Garcia (PSD) para que o afastamento fosse cumprido.

 

Na Assembleia

Ocorre que não existe um Regimento de Bancada no Regimento Interno do Legislativo Estadual, como há no Congresso, e Julio Garcia submeteu a decisão da cúpula do PSL, feita de forma virtual, em plena pandemia do Coronavírus, à Procuradoria da Assembleia, que ainda não se pronunciou.

A liminar foi expedida enquanto Lima recorre da decisão do PSL catarinense junto ao diretório nacional. 

 

História antiga

Lima está suspenso por sete meses de suas funções partidárias e responde por infidelidade partidária, embora tenha um histórico de votar 95% com o governo de Moisés, mas a pendenga é sobre a ruptura com o governador a partir do afastamento de Jair Bolsonaro.

Em novembro passado, o deputado recebeu um ofício extrajudicial do PSL em que avisava que ele tinha o pedido de expulsão sob análise da cúpula, caso que ganha mais repercussão agora já que preside a CPI e ainda dispara contra o advogado Douglas Borba, ex-secretário da Casa Civil e secretário-geral do partido, que era o home-forte do governo Moisés.

 

Os outros

Felipe Estevão, também integrantes da CPI dos Respiradores, pegou sete meses de suspensão, assim como Ana Caroline Campagnolo.

Jessé Lopes foi punido com sete meses e, como já tinha sido afastado por cinco meses por conduta indevida, acumula um ano de punição. 

 

REPRODUÇÃO SELFIE

ZIMMER COM VIGNATTI

Autor de um dos pedidos de impeachment contra o governador Carlos Moisés, que tramitam na Assembleia, por ter concedido a equiparação de salários dos procuradores do Estado com os da Assembleia, o defensor público Ralf Zimmer Júnior filiou-se ao PSB, presidido pelo ex-deputado federal Cláudio Vignatti. Zimmer Júnior, ex-defensor público-geral, era tucano, concorreu a deputado federal na última eleição, nega que sua veia política seja o objetivo da representação contra Moisés. Ao lado de Vignatti, à direita, o defensor público declarou que entra no PSB para “para construir pontes de diálogo republicano e democrático com as demais forças políticas com foco em boas práticas de gestão e firmeza no combate a todo tipo de desmandos e desperdícios”, e jura que não projeta nenhuma candidatura.

 

Otimista

Em Criciúma, os holofotes estão na troca de partido do ex-deputado Vânio de Oliveira, que representa o forte segmento evangélico na política.

Aceitou o convite do presidente estadual do PTB no Estado, Romeu de Oliveira, filiou-se à sigla e já entra na janela, como comandante petebista na maior cidade do Sul catarinense.

 

Pessimista

Já nos lados do PSL, o vereador Júlio Kaminski deu no pé e desistiu da pré-candidatura a prefeito com uma desistência do projeto que tem todo o jeito de resposta a uma rasteira.

O suplente de vereador Alisson Pires assumiu a presidência no lugar do pré-candidato, depois de prevalecer a tese de Amarildo Passos e Jefferson Monteiro, de que o comandante não poderia concorrer, antes de dizerem que Kaminski não crescia nas pesquisas.

 

Problemas

Ex-tucano, Kaminski tinha 334 visitas acertadas, que terá que cancelar, e ainda, de sobra, foi retirado da executiva municipal, e hoje reclama que o partido de Carlos Moisés não está organizado, em cima e embaixo.

O vereador afirmou ao jornalista Rafael Matos, da Rádio Cidade em Dia FM, que não deve concorrer nem à reeleição, pois não tem mais como trocar de partido. Arrependeu-se em meio a mais uma faceta negativa do que chamam de “nova política”.

 

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 35 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, editor-chefe, chefe de Redação, gerente e diretor de Jornalismo na RBS TV (Blumenau e Florianópolis), hoje NSC TV; na TV Record (Florianópolis) e na Rede TV Sul (hoje SCC SBT); comentarista na RIC TV (hoje NDTV) e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União AM e FM (Blumenau e Florianópolis) e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, faz comentários na Rádio Cidade em Dia FM, de Criciúma, e é diretor de Conteúdo na TVBV (Band).
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