Dezembro 24, 2019

Cine & Séries: o que rolou nas telas em 2019

Cine & Séries: o que rolou nas telas em 2019

Final de ano é época de retrospectiva. Para não ficar apenas na opinião única desta colunista que vos escreve semanalmente, pedi aos companheiros do Portal Making Of, a outros colegas jornalistas e aos leitores assíduos da coluna que apontassem seus destaques do ano na telinha e/ou na tela grande. Ter opiniões variadas é sempre enriquecedor. Nesta 1ª parte, são os colunistas que opinam.

Seria muito interessante se vocês também deixassem aqui os seus títulos favoritos, aqueles que os impactaram, sejam lançamentos ou mesmo alguma obra mais antiga só descoberta agora. Num ano tão difícil, onde acompanhamos tragédias causadas por desastres naturais, pela violência urbana, pelo deslocamento humano em busca da sobrevivência... a arte continua sendo um bálsamo ou , parafraseando o grande Guimarães Rosa (sobre o amor) " é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura". Ou ainda como diz meu tio Anildo, filosofando do alto dos quase 90 anos, sobre um de seus prazeres: "música é remédio". Amplio sua frase lapidar para "a arte é remédio"!

O cinema é assim: pode servir de ungüento, nos fazer esquecer as dores por algumas horas, nos ajudar a refletir sobre temas fundamentais, nos provocar risos e lágrimas. Por isso gosto tanto de escrever a respeito e espero ter conseguido transmitir a vocês – em mais um ano de C&S - a emoção que ele me causa. Espero também que minhas sugestões tenham agradado e – na melhor expectativa do mundo – sido "remédio" para a alma e o coração de vocês.

Ah, claro, escrevi um pouco também sobre o que foi ruim em 2019. Só pra não perder o hábito.

Boas festas, boa leitura e bons filmes agora e sempre!

Brígida

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AS MELHORES NOTÍCIAS DE 2019

1 - A entrada dos sistemas de streaming na produção de grandes filmes, muitas vezes sem espaço nas fórmulas prontas obrigatórias dos estúdios. Graças a Netflix pudemos ver Roma, de Alfonso Cuarón, longo e preto&branco; O Irlandês, de Martin Scorsese, com 3 horas e meia de duração; História de um casamento, uma espécie de azarão do próximo Oscar.

2 - A volta de Martin Scorsese com O Irlandês. Este filme que - como escreveu um crítico- " já nasce como um clássico" é o primeiro desde Silêncio (2016). Por algum motivo incerto e não sabido, o grande diretor sempre foi esnobado pela Academia de Cinema de Hollywood. Vamos ver o que a festa do Oscar reserva a ele em 2020.

3 - Outra volta legal foi a de Fernando Meirelles. Diretor do aclamado Cidade de Deus e de O jardineiro fiel, o brasileiro retornou este ano com Dois Papas. A história reúne o conservador Bento XVI e o progressista Papa Francisco, interpretados por dois atores de talento: Anthony Hopkins e Jonathan Price.

4 - O cinema brasileiro teve ótimas produções e ganhou prêmios internacionais importantes: Bacurau, de Kleber Mendonça, levou o Prêmio do Júri no respeitado Festival de Cannes, além de mais um monte em outros países; A Vida Invisível levou o prêmio "Um certo olhar" também em Cannes. A febre, O mistério da carne, Democracia em vertigem também foram agraciados em outras mostras.

5 - Filme novo de Pedro Almodóvar sempre é uma boa notícia para mim, mas isso vocês estão carecas de saber... Em 2019 foi ainda melhor porque adorei Dor e Glória. Além do filme ser maravilhoso, Antonio Banderas tem a melhor interpretação de sua carreira. Maduro, comovente, a gente até esquece daquela beleza acachapante que Deus lhe deu e redescobre o talento que andava escondido nos filmes hollywoodianos que o espanhol fez nas últimas décadas. Só não vai levar o Oscar de Melhor Ator porque no seu caminho tem um Joaquin Coringa Phoenix.

6 - Fernanda Montenegro comemorou 90 anos em plena atividade. Fez três filmes: A Vida Invisível, O juízo e Piedade. Em apenas 15 minutos de atuação ela rouba a cena em A vida invisível. Também gravou a novela A dona do pedaço, lançou biografia e fez leituras de Nelson Rodrigues pelo país. Disse que quer descansar mais em 2020, mas não vai se aposentar. Amém!

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AS PIORES NOTÍCIAS DE 2019

1 - O avanço do sistema de streaming nas produções cinematográficas. "Uai, colunista, mas você não escreveu lá em cima que era boa notícia?". Sim, escrevi, mas não dá pra deixar de lamentar a troca do escurinho do cinema pelo sofá de casa. Vi O Irlandês na Netflix e gostei. Mas, certamente seria outra experiência se tivesse assistido no cinema.

2 - A transformação da Ancine-Associação Nacional do Cinema num instrumento não de fomento ao cinema nacional, mas quase de perseguição aos cineastas e artistas brasileiros. Passamos o ano lendo que vão investir na produção de filmes evangélicos, retiraram os cartazes dos filmes da parede ( alegando isonomia...), cancelaram a estreia de Marighella , dirigido por Wagner Moura ( vai virar minissérie na Globo em 2020). O diretor da Funarte ofendeu Fernanda Montenegro - com palavras que não vou repetir aqui - por ela ter criticado a censura velada do governo aos movimentos artísticos.

3 - A divulgação de que Hollywood vai produzir um remake de A Festa de Babette, um filme dinamarquês que é modelo de perfeição! Pra quêeeee isso?

4 - Ficamos fora da disputa pelo Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. A vida invisível não ficou entre os pré-selecionados, divulgados esta semana. Mas nem tudo está perdido: Democracia em Vertigem ( disponível na Netflix) continua no páreo na categoria Documentário.

5 - As mortes de atores e atrizes: Doris Day, Bibi Anderson, Ruth de Souza, Bibi Ferreira, Anna Karina, Albert Finney, Peter Fonda, Luke Perry, Rutger Hauer, Bruno Ganz e Danny Aiello; e de diretores: Agnes Vardá, Stanley Donen, Fábio Barreto, Domingos de Oliveira e Franco Zefirelli; dos maestro e compositores de cinema Michel Legrand e Andre Previn.

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OS PREFERIDOS DOS COLUNISTAS DO MAKING OF

 

Claiton Selistre

Depois dos dois primeiros anos, pensei que a série The Crown fosse diminuir a qualidade ou perder-se no roteiro. Ou poderia ter problema com a troca de atores, já que entrou o pessoal maisvelho para representar os personagens da realeza britânica. Nada disso. Os episódios continuam de alto nível, com grandes atuações e aquela sensação de aquilo tudo é real (não é trocadilho). O 3º episódio sobre o soterramento de uma escola infantil  é brilhante também pela direção.

O Coringa é o filme do ano, envolvente, inquietante, sarcástico e até violento. Um filme para ganhar Oscar e colocar Joachim Fênix no topo da glória. Assim que tiver chance visitarei o Bronx, em Nova Iorque, em busca da escada onde o Coringa desceu dançando. Momento marcante do filme, como tantos outros.

 

Jefferson Douglas

Vi muita coisa, mas confesso que tenho consumido mais seriados pelo streaming – e todos com viés policialesco. Nessa linha, no Amazon Prime, a melhor pedida é Bosch. É um seriado policial com um roteiro correto, bons atores e muito bem produzido. No Netflix o eu me chamou a atenção foi Trapped , uma série também policial que se passa na Islândia. Muito diferente pelo idioma e cenários, mas ao mesmo tempo instigante ( lembra os seriados ingleses de mistério).

Por falar em Inglaterra, o filme mais recente é Entre facas e segredos, que tem como destaque o Daniel Craig e um elenco ainda mais top. Trama e o humor ácido são os pontos altos. Neste momento é o meu preferido- até mais que o Coringa, do qual também gostei muito. Ainda não vi O Irlandês. Vamos ver se não mudo de opinião.

 

Roberto Azevedo

A boa notícia começa antes da avaliação e a requintada e primorosa produção de His Dark Materials (HBO) terá uma segunda temporada, como revelou em plena CCXP19, em São Paulo, a atriz Ruth Wilson, que dá vida a Marisa Coulter, que confirmou que as gravações já foram encerradas, mas não revelou a data de estreia. Baseada na obra Fronteiras do Universo, de Philip Pullman, a série conta a procura da menina Lyra Belacqua (Dafen Keen) pelo seu pai, Lord Asriel (James McAvoy), e tentativa de evitar a tomada do mundo pelas mãos do Magisterium, uma entidade religiosa que coordena as questões morais e políticas, em forma de uma ditadura.

Lyra cresce na Universidade de Oxford e acredita que Lord Ariel é seu tio, até que descobre que suas viagens têm outro objetivo e que ela é fruto de um relacionamento com Marisa Coulter – só revelado depois -, uma das mais ativas defensoras do Magisterium e de suas ações para obter o pó mágico e a transposição de mundos feitas por portais. A menina domina a Bússola de Ouro que utiliza o pó, localiza pessoas e antecipa fatos, e se une a um urso que fala e a outros aliados como bruxas e aventureiros para chegar ao seu objetivo.

O interessante é que Pullman fez a história em uma trilogia, que ainda tem a Faca Útil e a Luneta Âmbar, instrumentos que dividem espaço com os daemons, animais que representam a alma dos indivíduos e acompanham os humanos durante toda a vida. Não se sabe o quanto a HBO e os produtores devem prolongar a história, mas como segue mais fielmente a obra de Pullman, material e uma trama fantástica neste universo próximo ao nosso é o que não faltam. O problema sempre será o mesmo, tem que ser rápido, porque a protagonista (Dafen Keen, que era uma menina em Logan) cresce rápido.

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E O TROFÉU CINE&SÉRIES DE 2019 VAI PARA ...
 

A  nossa rainha, musa diva... o título que quiserem dar para esta atriz brasileira extraordinária, Fernanda Montenegro!

THE END

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Brígida Poli

Brígida Poli

Jornalista, cinéfila desde criancinha e maníaca por séries de TV desde "Os Sopranos". Não se considera crítica de cinema, pois não consegue deixar o coração de lado na hora de avaliar um filme. Adora falar e escrever sobre o assunto e tenta chamar a atenção para as grandes obras cinematográficas que as novas gerações desconhecem. Concorda com o mestre Federico Fellini quando ele disse que "o cinema é um modo divino de contar a vida".

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