Setembro 20, 2019

Cinema brasileiro: isso pode, isso não pode

Cinema brasileiro: isso pode, isso não pode

Depois da edição anterior que serviu para alegrar nossos corações com as canções dos Beatles, voltamos a um tema grave: o futuro do cinema brasileiro. Leio nos jornais que "a Ancine-Agência Nacional do Cinema se curva ao governo e cancela apoio aos filmes de temática racial e gay que representariam o Brasil no Festival de Cinema Queer, em Lisboa". Esses são exatamente dois assuntos que o atual governo não gosta de ver em discussão. Já falamos recentemente aqui na coluna sobre o período da censura oficial, então não vou me estender nela.

Mas, aproveitando um dos temas atualmente estigmatizados, gostaria de apontar alguns filmes sobre preconceito racial, questão importante que o cinema brasileiro ajudou a encarar de frente num país que se declara " não racista", embora uma antiga pesquisa conduzida pela socióloga  Lilia Schwarcz mostre que 97% dos entrevistados disseram não ser racistas, porém 98% afirmaram conhecer alguém que fosse.

Ficam aí as sugestões. É bom assisti-los enquanto há tempo. Boa leitura, bons filmes.

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MENINO 23: INFÂNCIAS PERDIDAS NO BRASIL - direção: Belisario Franca - 2016

Um caso chocante de escravidão nos anos 1930. O documentário retrata o caso de uma família de empresários que iam do interior de São Paulo para o Rio de Janeiro "higienizar" orfanatos, levando consigo meninos negros para exploração.

 

AQUÉM DAS NUVENS - direção: Renata Martins – 2010 ( curta-metragem)

Nenê é casado com Geralda há 30 anos. Em uma tarde de domingo, como de costume, ele vai à roda de samba encontrar os amigos. Ao voltar para casa, surpreende-se com uma notícia sobre Geralda. Sem deixar que o ritmo do samba caia, Nenê encontra uma solução para ficar ao lado de sua eterna namorada.

 

BRANCO SAI, PRETO FICA - direção: Adirley Queirós – 2015

Tiros em um baile black na periferia de Brasília ferem dois homens. Um terceiro vem do futuro para investigar o acontecido e provar que a culpa é da sociedade repressiva. Disponível na Netflix.

(Fonte: Assiste Brasil)

 

QUILOMBO – direção: Cacá Diegues – 1984

Em torno de 1650, um grupo de escravos se rebela num engenho de Pernambuco e ruma ao Quilombo dos Palmares, onde uma nação de ex-escravos fugidos resiste ao cerco colonial. Entre eles, está Ganga Zumba, príncipe africano e futuro líder de Palmares, durante muitos anos. Mais tarde, seu herdeiro e afilhado, Zumbi, contestará as idéias conciliatórias de Ganga Zumba, enfrentando o maior exército jamais visto na história colonial brasileira.  Quilombo tem Zezé Motta, Toni Tornado e Vera Fischer no elenco e recebeu prêmios no XXIV Festival de Cinema de Cartagena, de 1984, no Festival de Cannes, 1984 e no Festival de Miami em 1984.

 

BRÓDER – direção:Jefferson De – 2011

No Capão Redondo, distrito da periferia de São Paulo, vivem Macu (Caio Blat) e sua família: o pai desempregado e alcoólatra, a mãe dona-de-casa e a irmã Elaine. A poucos dias de seu aniversário, uma quadrilha incumbe Macu de esconder uma criança sequestrada. Ao mesmo tempo, ele recebe a visita de dois grandes amigos de infância, que cresceram com ele no local e depois se mudaram.

Um deles é Jaiminho (Jonathan Haagensen), jogador de futebol de sucesso que atua num grande time da Espanha. Elaine, sua ex-namorada, espera um filho dele. O outro é Pibe (Silvio Guindane), um pacato corretor de seguros que mora com a mulher e o filho em um pequeno apartamento colado ao Minhocão, no centro de São Paulo.

Felizes com o reencontro, Macu, Jaiminho e Pibe recordam os velhos tempos, mas os amigos começam a desconfiar que Macu esteja envolvido com bandidos. Depois de uma noite de farra, o jovem será cada vez mais pressionado a fazer o que acertou com a quadrilha - ainda que isso envolva prejudicar alguém muito querido. Ele terá então que decidir entre a lealdade às pessoas que ama e o caminho perigoso que escolheu trilhar. (Sinopse:Guia da Semana).

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DICA DE LEITURA

O Negro brasileiro e o cinema – João Carlos Rodrigues – Editora Pallas

Já sugeri este livro aqui na coluna, mas repito porque ele contextualiza o nosso tema da semana. Ele retrata a posição do negro na produção cinematográfica nacional- sua atuação na frente e por trás das câmeras.

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E O EMMY VAI PARA ...

Só lembrando os maníacos por séries (como eu) que domingo, 22/09, tem a principal premiação do gênero. O Emmy Awards 2019 pode ser visto no canal TNT. Na internet, o canal vai exibir a cerimônia on-line, no aplicativo TNTPlay. Pra quem curte o tapete vermelho (como eu...rs) a transmissão começa às 19h. A cerimônia de premiação inicia às 20h. Obs.: o melhor tapete vermelho é no canal E!

Não quero fazer grandes prognósticos, só torço por alguns mesmo sabendo não têm chance.


Jared Harris, Emilia Clarke, Rachel Brosnahan

Melhor série de drama: Succession (deve ganhar Game of Thrones)

Melhor série em comédia: The Marvelous Mrs. Maisel (pode ganhar)

Melhor Série Limitada: a tenebrosa Chernobyl

Melhor atriz em comédia: apesar do trabalho incrível de Rachel Brosnahan (The Marvelous Mrs. Maisel) deve ganhar Julia Louis-Dreyfus (Veep) por ela ter gravado a última temporada da série em meio a um tratamento de câncer de mama...e também porque ela é espetacular!

Melhor ator em série de drama: gostaria que premiassem Billy Porter (Pose), mas não sei quem ganha.

Melhor ator em minissérie o telefilme: adorei o trabalho de Jared Harris (Chernobyl) e ele talvez leve o Emmy.

Melhor ator coadjuvante em série de drama: minha aposta é totalmente emocional porque sou louca por ele: Peter Dinklage (Game of Thrones)

Melhor ator em série de comédia: gosto de dois Tony, o Tony Shalhoub (A Maravilhosa Senhora Maisel) e Tony Hale (Veep). Qualquer um está bom pra mim.

Agora é só torcer no domingo !

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THE END

(*)Fotosdivulgação/reprodução

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Brígida Poli

Brígida Poli

é jornalista. Cinéfila desde criancinha, converteu-se à mania das séries depois de assistir a "Os Sopranos". Não se considera crítica de cinema, apenas alguém que gosta de trocar ideias sobre a sétima arte.

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