Dezembro 31, 2019

Cine&Séries: prognósticos e desejos para 2020

Cine&Séries: prognósticos e desejos para 2020

O Making Of pediu aos seus colunistas prognósticos para 2020 nas suas respectivas áreas. Olhando minha "bola de cristal cinematográfica" prevejo que o próximo ano não vai ser dos melhores. Assim, resolvi incluir também desejos. Gostaria muito de receber os de vocês para criarmos uma rede de boas energias. No caso do cinema, ajudará também se prestigiarmos mais as produções nacionais, nos divertimos com boas histórias e não fugirmos daquelas que nos fazem pensar.

Quanto à vida fora das telas, que se cumpra o artigo final do ÚNICO Ato Institucional permanente que nos interessa, o dos Os Estatutos do Homem, do poeta Thiago de Mello, que continua atual mais de 40 anos depois de ter sido escrito.

(...)Fica proibido o uso da palavra liberdade,
a qual será suprimida dos dicionários
e do pântano enganoso das bocas.
A partir deste instante
a liberdade será algo vivo e transparente
como um fogo ou um rio,
e a sua morada será sempre
o coração do homem.

Um abraço a todos. Força em 2020!

Brígida De Poli

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O QUE VEM POR AÍ ...

1) No Brasil: teremos + filmes com temas evangélicos e falta de incentivo a produções com temas sociais ou sexuais. Entre os que já estão finalizados e DEVEM ser lançados em 2020 estão Pedro, com Cauã Reymond, Três Verões, com Regina Casé e Aos nossos filhos, com Marieta Severo.

Remando contra a maré, nosso cinema continuará ganhando espaço internacional. O Festival de Cinema de Berlim, que acontece no final de fevereiro, selecionou três filmes brasileiros: Meu nome é Bagdá, Cidade Pássaro e Apyiemiek.

2) Na vizinha Argentina: maior incentivo ao cinema nacional e mais prêmios internacionais para nuestros hermanos, com a política cultural do novo governo.

3) Cada vez mais filmes de animação e de super-heróis, com "pegada" politicamente correta: diversidade sexual, personagens femininos no comando... Previstos para o primeiro semestre de 2020: Frozen 2, Aves de Rapina( Arlequina, a companheira do Coringa), X-Men-Os novos mutantes, Viúva Negra ( com Scarlett Johanssen), Mulher Maravilha, Mulan...

4) Outros grandes diretores do cinema produzirão para  a tela pequena , via sistema streaming, como Netflix. O sucesso de Roma de Alfonso Cuarón quebrou barreiras e trouxe até Martin Scorsese e o seu bem-sucedido O Irlandês para o cinema doméstico.

5) Veremos o último James Bond na pele de Daniel Craig: 007 – Sem Tempo para Morrer em abril. Depois deste, o loiro deixa o papel para outro ator ( ou atriz? hã??!!...mil especulações).

6) Virão remakes de grandes filmes ( falta de talento e criatividade dos estúdios e roteiristas?).

7) Séries: aumento da competição entre HBO e Netflix na produção de séries originais. Em 2019, a Netflix conseguiu passar a HBO que era top de linha. Quem vencerá em 2020?

8) Falando em Netflix, o serviço de streaming vai lançar 30 produções originais brasileiras em 2020, entre filmes e séries. Um dos longas será Sérgio, a cinebiografia de Sérgio Vieira de Mello, diplomata brasileiro que foi vítima de um atentado em 2003 no Iraque, com direção de Wagner Moura.

9) 2020 é o dead line para que todas as redes de cinema adaptem suas salas ao público com deficiência auditiva e visual. A resolução da Ancine é de 2016, mas não se percebe que as salas de exibição estejam se adequando para atender cerca de 45 milhões de pessoas surdas e cegas (de acordo com o Censo publicado em 2010). Essa medida inclui um visor portátil feito para surdos, com tradução feita em libras, e um fone com tradução e audiodescrição do filme escolhido para cegos. Como no Brasil tem "lei que pega" e "lei que não pega", vamos aguardar.

10) Chega o novo filme dirigido por Clint Eastwood , depois do frustrante A Mula, de 2019. Trata-se de O caso Richard Jewell, sobre um segurança acusado pelo atentado nas Olimpíadas de 1996, em Atlanta. Primeiro tido como heroi, virou suspeito e mesmo o FBI tendo descartado a culpa depois, Jewell nunca se recuperou e morreu do coração aos 44 anos. Já Clint está firme, forte e filmando aos 89 anos de idade. Obs.: Acabo de saber que o filme está "queimado" nos EUA por mostrar a jornalista que cobriu o caso "transando" com o agente do FBI para obter o furo de reportagem. Segundo a família e ex-colegas ( ela morreu em 2000), isso nunca aconteceu. Ai, Clint...

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E OS DESEJOS...

1) No Brasil: incentivo e liberdade temática ao cinema nacional que teve um ótimo ano em 2019, com prêmios internacionais inéditos e títulos com ótimas bilheterias.

2) Que Pedro Almodóvar lance um ou mais filmes em 2020 ( tá, este desejo é bem pessoal !). E que Dor e Gloria, seu filme mais recente, ganhe ainda mais prêmios.

3) Sei que não faltarão séries novas em 2020, mas que venham no grau de qualidade de algumas ótimas que deram adeus em 2019: Veep, The Deuce, Game of Thrones ... Uma que promete é Hunters, da Amazon Prime, porque traz ninguém menos que Al Pacino no papel de um caçador de nazistas nos dias atuais. A ver.

4) Que os leitores de Cine&Séries escrevam mais, comentem mais, reclamem mais na coluna...

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OS MELHORES DO ANO – Parte II

Amigos jornalistas e leitores da coluna, responderam sobre seus favoritos em 2019.

E os seus quais são? Escreve pra coluna contando.

 

VIVIANE BEVILACQUA

O grande guerreiro otomano ou Dirilis: Ertrugul – Netflix - 5 temporadas – gênero:ação, aventura, guerra .A série narra a história do período anterior ao do Império Otomano e segue Ertugrul, um guerreiro turco do século 13, que junto com seus aliados, enfrenta vários inimigos que vão desde os Cavaleiros Templários, aos mongóis e tribos rivais.

 

SUZETE ANTUNES

O melhor do ano? Bacurau, Bacurau e ...Bacurau !

 

PAULO DE POLI

Um filme bem do início do ano: Infiltrado na Klan, do Spike Lee, sobre um policial negro que consegue ficar em contato com os membros da Ku Klux Klan através de telefonemas, como se fosse um deles. A história é real.

Nas séries: O método Kominski, conseguiu manter a qualidade na segunda temporada. O assunto é sério, mas as situações são muito engraçadas. Não tem como não se identificar com os dois caras enfrentando os problemas da velhice.

 

ROBERTO CATTANI

Uma indicação negativa: Bacurau. Embora o filme tenha impacto e conteúdo polêmico bem atual, achei lamentáveis alguns aspectos fundamentais: a autodefesa que extrapola em vingança feroz; a comunidade rural que acaba sendo salva pelos marginais (uma repetição do chavão das favelas, onde a brutalidade de polícia e milícias só é contrabalançada pelas gangues de traficantes); a orgia de cenas de violência extrema predominando e sobrepujando a parte da conscientização da força da própria comunidade.

Uma indicação positiva: A Vida Invisível de Eurídice Gusmão. Um filme forte e triste sobre mulheres, solidariedade feminina e machismo patriarcal, que poderia ter sido filmado por uma cineasta mulher. Não só pelos méritos de Karim Aïnouz, mas pela presença de muitas mulheres na criação do filme, a começar pelo romance homônimo que inspirou o filme. 

 

CELSO VICENZI

Vi muitos filmes bons em 2019, mas destaco Guerra Fria, do polonês Paweł Pawlikowski. O pano de fundo é a Guerra Fria entre a Polônia stalinista e a Paris boêmia dos anos 50. Com fotografia em preto & branco, conta a história do amor impossível entre um professor de música, amante da liberdade, e uma jovem cantora que carrega duros traumas na vida. Está disponível no Telecine.

Outro é o argentino Um amor inesperado, com Ricardo Darín, que trata com leveza, humor e profundidade a questão dos relacionamentos, da duração do amor, das incertezas da vida a dois, da chegada da velhice ...A direção é de Juan Vera.

 

CLARA AMÉLIA

Gostei de pensar sobre os filmes de 2019, a memória precisa de estímulos. Lembro de três filmes que gostei, (mas sei que vi outros bons também): Coringa, O Irlandês e Cèzanne e eu.

 

DEDÉ RIBEIRO

Como apaixonada por séries, dou o meu pitaco nessa área... Acho que 2019 foi o ano em que se consolidou a elevação das séries à categoria de "arte séria", com muitos atores e diretores consagrados no cinema se jogando, sem restrições, na telinha. Também percebi no público que o hábito de maratonar tomou conta, então as séries disponibilizadas por inteiro foram muito bem recebidas, com exceção do Game of Thrones, claro, que todos esperavam pacientemente.  Minhas preferidas de 2019:  Fleabag; Years and Years e After Life.  Que venga 2020!

 

EDNA MEROLA

Começando por Bacurau, outros  bons filmes que vi em 2019 : A Lavanderia, com Meryl Streep, O Irlandês, do Scorsese e Dois Papas, sobre o encontro de Bento XVI e o papa Francisco (os três disponíveis na Netflix).

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MUITO OBRIGADA !

Agradeço aos amigos que ajudaram a tornar a coluna mais rica e diversa em 2019 com seus artigos, como o jornalista Roberto Cattani; aos cineseriéfilos que leram e comentaram a cada edição, como Zuleide Besen que deixou o comentário abaixo, um incentivo à continuidade de Cine&Séries. Através dela, homenageio todos os leitores.

"Brígida, muito boa retrospectiva!!! Concordo com você em tudo. Adorei a parte em que define o cinema: " ... pode servir de ungüento, nos fazer esquecer as dores por algumas horas, nos ajudar a refletir sobre temas fundamentais, nos provocar risos e lágrimas." PERFEITO!!
Boas festas para você também e toda a equipe do Portal Making Of, e que em 2020 estejamos todos por aqui, firmes e fortes!!!
Abraços". (Zuleide Besen)

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QUE VENHAM MAIS E MELHORES FILMES EM 2020...


Bette Davis em A Malvada

THE END

(*)Fotosdivulgação/reprodução

Tags:
cinema séries beijos de cinema arte cultura séries de TV netflix
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Brígida Poli

Brígida Poli

é jornalista. Cinéfila desde criancinha, converteu-se à mania das séries depois de assistir a "Os Sopranos". Não se considera crítica de cinema, apenas alguém que gosta de trocar ideias sobre a sétima arte.

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