Fevereiro 03, 2017

Colombo projeta desafios com otimismo

O governador Raimundo Colombo ficou emocionado no início da mensagem anual feita na reabertura dos trabalhos da Assembleia ao lembrar que pela sétima vez cumpria o rito institucional. Esta é um das senhas mais claras de que Colombo não tem certeza de que, em 2018, voltará a se manifestar ao Legislativo, desde que antecipe a renúncia para concorrer ao Senado, embora o prazo legal para desincompatibilização seja em abril.

Tanto que o chefe do Executivo estadual evitou fazer qualquer projeção de medidas de impacto ou projetos polêmicos este ano. Limitou-se a dizer que novas alterações na Previdência Pública ou nos direitos dos servidores ou até mesmo a análise da venda de ativos do governo devem ficar para o próximo governo eleito. Colombo, que acredita em uma recuperação gradual da economia, mas a passos lentos, antecipou, de fato, muitas medidas que hoje o governo federal precisa aplicar, terá este como o seu último ano de governo pleno, sem a pressão de uma eleição ou a legislação eleitoral restritiva, ou seja, quer fechar sua administração com chave de ouro e sem solavancos se possível.

 

A lista 1

Um dos pouquíssimos desconfortos que cercam Raimundo Colombo no ano decisivo de sua gestão passa pela incógnita que cerca ilações perigosas de seu nome com as delações premiadas de diretores e ex-diretores da empreiteira Odebrecht, na Operação Lava Jato. O argumento do governador não mudou: não há contratos da Odebrecht com o Estado em seus sete anos à frente do Centro Administrativo tampouco houve compras de ações da Casan pela empreiteira atolada em denúncias de corrupção.

 

A lista 2

Sobre a quebra do sigilo dos nomes que constam da delação premiada feita à força-tarefa da Lava Jato e homologada pelo STF, o governador apega-se à legislação, que provoca debate entre os juristas. Divulgar nomes em plena análise do que deve ou não ser investigado pelo Ministério Público Federal seria como uma santa inquisição, com direito à fogueira moral, sem que exista a comprovação da culpa.

 

PAULO CESAR/DIVULGAÇÃO

ABRAÇO DO LÍDER

Na passagem pela Assembleia, Raimundo Colombo recebeu um forte abraço do novo líder do PSD, partido do governador na Assembleia. O deputado Milton Hobus, que já foi secretário da Defesa Civil e não pretende retornar ao Executivo, também assumirá missões importantes nas comissões. O PSD, depois da saída de Gelson Merisio da presidência da casa, garantiu a presidência da Comissão de Constituição e Justiça com Jean Kuhlmann e Kennedy Nunes na primeira secretaria da mesa diretora.  

 

Do Oeste

Ex-secretário de Infraestrutura do governo do Estado, ex-secretário regional de São Lourenço do Oeste e ex-vice-prefeito do município oestino, João Carlos Ecker, do PMDB, foi nomeado presidente do Imetro. Conhece a estrutura melhor nesta sexta e assume na segunda-feira com o devido reconhecimento do governador Raimundo Colombo, do vice Eduardo Pinho Moreira e do secretário Nelson Serpa (Casa Civil).

 

Vitorioso

Não há dúvida de que nas acachapantes eleições de Eunício Oliveira (PMDB-CE) e Rodrigo Maia (DEM-RJ) sobrou competência na articulação política do presidente Michel Temer. Além de não se comparar com a antecessora Dilma Rousseff (PT), que também teve a maioria nas duas casas por muito tempo, Temer abriu caminho para as reformas da Previdência, Trabalhista e Política, mas, junto com a base, terá que ampliar o diálogo com a sociedade.

 

FÁBIO RODRIGUES/AGÊNCIA BRASIL

QUE LAVADA

Dá pra entender agora o porquê dos pedidos no Supremo dos quatro dos cinco candidatos à presidência da Câmara dos Deputados contra a participação de Rodrigo Maia (DEM-RJ), ao centro na foto, quando comemorava a reeleição já no primeiro turno. Maia fez 293 contra os 206 dos demais somados, o que superou Eduardo Cunha (PMDB-RJ) há dois anos. Isso sem contar a pífia participação do deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ), adversário paroquial de Maia, que garantiu robustos quatro votos.   

 

Na lista

Na mesa diretora da Câmara, que tem o deputado Fábio Ramalho (PMDB-MG) como 1º vice-presidente, o catarinense Pedro Uczai (PT) ficou como 3º suplente. O petista comemorou a indicação, embora deixe para trás, sem muita evidência, a informação da suplência.  

 

Um problemão

A destinação de resíduos sólidos, lixo orgânico no popular, será um dos grandes desafios que a sociedade necessita vencer e, nesta sexta, um workshop sobre "Gestão Pública para Cidades Lixo Zero", debaterá soluções conjuntas, criativas e sustentáveis. O evento ocorre na sede da Associação Catarinense de Supermercados  (Acats), na Avenida Osvaldo Rodrigues Cabral (continuação da Beira Mar Norte, em direção ao Centro), 1570, em Florianópolis.

 

RICARDO STUCKERT/INSTITUTO LULA/FACEBOOK

QUE GESTO

No mar de absurdos relatados de um lado, leia-se PT e aliados, e de outro, gente da direita, a imagem do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) na visita ao ex-presidente Lula (PT) para dar as condolências pela quadro irreversível da ex-primeira-dama Marisa Letícia é um conforto. Civilizados e estadistas, longe de um embate insano de quem mistura dor e drama com interesses políticos ou ideológicos. Ninguém foi mais criticado e “demonizado” nos quatro governos petistas do que o Fernando Henrique. À noite, ainda nesta quinta, o presidente Michel Temer, acompanhado de ministros, do ex-presidente José Sarney e do presidente do Congresso Eunício Oliveira (PMDB-CE), visitou Lula no Hospital Sírio Libanês.

 

RÁPIDAS

 

* E agora: o relator da Lava Jato, no STF, ministro Edson Fachin está escolhido, falta Michel Temer indicar o substituto do catarinense Teori Zavascki, na mais alta corte.

 

* A prefeitura de Joinville decretou situação de emergência pelos danos que a chuva causou a 94 mil pessoas, na mais populosa cidade catarinense.

 

* Decisão impactante do prefeito Udo Döhler (PMDB): a recomendação do Ministério Público e não destinará recursos públicos para o Carnaval local de rua.

 

* Citado na Operação Lava Jato, o peemedebista Wellington Moreira Franco sai da quase metafísica secretaria que prometia agilizar negócios públicos-privados e ganha o status de ministro e o foro privilegiado na Secretaria-Geral da Presidência. 

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 34 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, chefe de Redação, editor-chefe, gerente e diretor de Jornalismo, nas RBS TV de Blumenau e Florianópolis, na TV Record de Florianópolis e na Rede TV Sul!; comentarista na RIC TV Record e na Record News, e editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União de Blumenau e União FM de Florianópolis, e na Rádio Record da Capital. Faz comentários sobre política e economia.
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