Setembro 06, 2017

Colombo terá que tomar uma decisão

Esperar que as novas gravações entregues pelo empresário Joesley Batista, um dos donos da J&F - que controla frigoríficos como Seara e JBS, entre outros - em áudio ao lado do lobista Ricardo Saud à Procuradoria Geral da República sejam descartadas ou não admitidas como prova passou a ser um desejo para o governador Raimundo Colombo (PSD) e o ex-secretário da Fazenda e suplente de senador Antonio Gavazzoni (PSD). Pior do que ser citado, mais uma vez, na conversa entre os dois réus confessos por crimes de corrupção, perdoados dos delitos pelo procurador-geral Rodrigo Janot , é ter a expressão “amigo” cunhada em um cenário em que envolvia também o governador do Paraná Beto Richa (PSDB).

Maior cabo eleitoral do Estado na atualidade, Colombo mexe no tabuleiro eleitoral seja qual for a decisão que venha tomar sobre o futuro político, a partir do desgaste que a citação por executivos da Odebrecht e da J&F, ambas na Operação Lava Jato pode lhe render. Respinga principalmente no projeto de seu partido, o PSD, que tem no deputado estadual Gelson Merisio como pré-candidato ao governo, embora sequer citado pela delação da J&F. Nos últimos dias, passou a ganhar corpo, entre pessedistas, a ideia de que Colombo possa até deixar de disputar uma vaga ao Senado, no ano que vem, e isso antes de divulgadas as novas gravações. O governador e Gavazzoni negam qualquer envolvimento com Joesley, o irmão Wesley ou Saud, mas foram citados na delação anterior como destinatários de R$ 2 milhões em caixa dois sob o pretexto de oferecer a privatização da Casan, negócio que não prosperou. Junta-se a isso o mesmo efeito devastador das delações de executivos da Odebrecht, que vieram a público no último mês de abril. O estrago já está feito e só deve ser contestado no Judiciário.

 

Indignado

O ex-secretário Antonio Gavazzoni reagiu com indignação à nova citação de Joesley Batista e Ricardo Saud que deixa transparecer que ele foi o responsável por receber o dinheiro de caixa dois. Gavazzoni, cunhado de Merisio, também citado anteriormente pela Odebrecht, afirmou à NSC TV que está tranquilo e espera que Joesley e Saud sejam presos rapidamente, algo que, tecnicamente, não invalida qualquer delação feita por eles.   

 

Mentirosos

Além de réus confessos, Joesley e Saud disseram, nesta terça, que mentiram nas gravações sobre supostos envolvimentos de procuradores da República e de ministros do Supremo Tribunal Federal em suas tramoias. A credibilidade do pessoal da J&F já era questionável, agora ficou insustentável.

 

E o Janot

O procurador-geral da República, que deve oferecer nova denúncia contra o presidente Michel Temer sobre obstrução à justiça e formação de quadrilha, com base na “idônea” denúncia de Joesley Batista, ignorou aquele adágio de que não se pode por os ovos em uma única cestinha. Aceitar a delação dos “Freeboys” e livrá-los da cadeia foi uma mancada profissional, até porque foi marcada por algo urdido. Temer deve dar risadas de forma compulsiva a cada segundo.

 

AGÊNCIA ALESC

BATALHA PAROQUIAL

As rusgas entre o governador Raimundo Colombo e o deputado estadual Fernando Coruja (PMDB) são históricas e remontam o passado político de ambos, em Lages, base eleitoral de ambos, cidade que foi governada pelos dois políticos. No último lance, da conturbada relação, Coruja reagiu com conhecimento e bom humor por ter sido chamado de “louco” por Colombo em um evento político na Serra Catarinense. Então vejamos: Coruja, teoricamente, faz parte da base de apoio do governador na Assembleia, tem feito críticas à situação financeira do Estado e da falta de cuidado com a enorme dívida, que ultrapassa os R$ 700 milhões na área da saúde. Mas no placar político, o atual governador tem mais musculatura e currículo.

 

Um dia

Raimundo Colombo apoiou Fernando Coruja à prefeitura de Lages, em 2008, quando concorreu contra o ex-vice Renatinho de Oliveira (PP), que assumiu a prefeitura com a renúncia do atual governador para concorrer e vencer a eleição ao Senado, em 2006. Foi um momento “oásis” no deserto da relação entre Colombo e Coruja. Renatinho, falecido em 2015, venceu a disputa com uma estratégia que fez época: convenceu o eleitor de que seria melhor manter um deputado federal na Câmara, único representante do município e da região em Brasília, do que eleger o adversário à prefeitura.   

 

REPRODUÇÃO/INTERNET

O ‘TROCADO” DO GEDDEL

Ex-ministro de Lula e de Michel Temer, o ex-deputado federal Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), que cumpre prisão domiciliar desde julho passado, tinha guardado, no apartamento de um amigo, mais de R$ 51 milhões em duas moedas (Real e Dólar). A contagem do que foi apreendido pela Polícia Federal no imóvel, utilizado por Geddel para guardar pertences do pai falecido, segundo o proprietário do apartamento, demorou mais de meio dia e teve que ser feito por funcionários em uma agência bancária. Geddel, reconhecido como articulador político, também gostava de guardar manter malas e caixas carregadas de dinheiro em espécie, obtido de maneira ilícita. Conta bancária e cofrinho, aqueles do tipo porquinho, nem pensar. E ainda bateu recorde na apreensão de dinheiro vivo da corrupção. Vergonha é pouco!

 

Aldo na presidência

Logo depois de lançar uma campanha do Legislativo de incentivo ao turismo no Estado, o presidente da casa Silvio Dreveck (PP) passará o comando da Assembleia ao seu vice Aldo Schneider (PMDB). Dreveck viajará ao exterior e só retornará dia 19 deste mês. Aldo passa por um tratamento de saúde, mas não se furtou em assumir o cargo.  

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 35 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, editor-chefe, chefe de Redação, gerente e diretor de Jornalismo na RBS TV (Blumenau e Florianópolis), hoje NSC TV; na TV Record (Florianópolis) e na Rede TV Sul (hoje SCC SBT); comentarista na RIC TV (hoje NDTV) e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União AM e FM (Blumenau e Florianópolis) e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, faz comentários na Rádio Cidade em Dia FM, de Criciúma, e é diretor de Conteúdo na TVBV (Band).
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