Janeiro 15, 2020

Começaram a misturar as coisas

Começaram a misturar as coisas
SOLON SOARES/AGÊNCIA ALESC/ABR2019

Autor da denúncia por crime de responsabilidade contra o governador Carlos Moisés, a vice Daniela Reinehr e o secretário Jorge Eduardo Tasca (Administração), por equiparação dos salários dos procuradores do Estado aos da Assembleia, que considera ilegal, o defensor público Ralf Zimmer Junior (foto) pode esperar pesada bateria sobre seu passado político partidário bastante recente.

Zimmer, que fez 2.596 votos e ficou na condição de 15º suplente na coligação (PSDB, PPS, PTB e DC), foi candidato a deputado federal, em 2018, pelo PSDB, coincidentemente o partido para qual migrou o ex-deputado Gelson Merisio, derrotado no segundo turno da eleição ao governo por Moisés.

No que pode virar um dossiê, constariam várias declarações de Zimmer de admiração por Merisio - ex-presidente da Assembleia e influente até deixar o mandato, em 31 de janeiro do ano passado - de que o deputado venceria as eleições, desde a época em que era defensor-geral público do Estado, fato relatado a conhecidos, colegas de defensoria e até mesmo a deputados estaduais e ex-parlamentares.

No final das contas, o PSDB seguiu com Mauro Mariani (MDB), que tinha o ex-prefeito Napoleão Bernardes de vice, e perdeu a eleição.

 

Faz sentido

A manifestação do ex-defensor-geral sobre Merisio pouco importa, já que fez a denúncia na condição de cidadão, só que teve gente que não esqueceu as deferências a Merisio e faz ilações agora.

O que pesa é o fato de Zimmer ter pretensões políticas e isso conta no ambiente da análise pela Assembleia, principalmente diante da leitura de que as relações partidárias poderiam ter sido, ao lado do corporativismo salarial em função de ser um servidor público, uma das motivações para o questionamento enviado ao parlamento.

 

Tática velha

Tentar desqualificar o acusador ou denunciante é uma das estratégias mais antigas no debate jurídico, principalmente na área criminal, parte do histórico de uma infinidade de processos, imagina então em um ambiente político.

Inegável, porém, é perceber que há muitas variáveis por trás do pedido encaminhado por Zimmer Junior à Assembleia, mesmo que ele, em regra, não esteja sob julgamento.  

 

Mesmo peso

Em algumas regiões do Estado, notoriamente no Meio-Oeste e Oeste, o desgaste que o governador sofreu ao defender a tributação de ICMS sobre os agrotóxicos levaria os integrantes do agronegócio, na palavra de alguns que não representam entidades do segmento, a apoiarem o impeachment e até a pressionarem os deputados da região.

Seria o absurdo dos absurdos, pois o julgamento que pode vir na Assembleia refere-se ao fato concreto que motivaria o enquadramento em crime de reponsabilidade, algo que não deve ser condicionado a qualquer tipo de revanche de quem quer que seja ou sob qualquer outra razão.

 

GUTO KUERTEN/DIVULGAÇÃO

SOBRE O BADESC

Deputado Bruno Souza (NOVO) quer que o Tribunal de Contas do Estado faça uma auditoria no Badesc para saber como os empréstimos feitos pela instituição financeira, uma agência de fomento, são efetivados, com a necessária análise das taxas de juros e da inadimplência. Para Bruno, com mais de R$ 960 milhões de ativos, o Badesc viabiliza as concessões de financiamento de médio e longo prazo às empresas catarinenses através de operações diretas, via recursos de repasse e para às organizações de microcrédito, o que sugere uma atenção especial de como o “dinheiro do catarinense é aplicado”.

 

O contraponto

Prestes a divulgar os resultados do ano passado, que devem conter boas notícias, a diretoria do Badesc já se manifestou tão logo o deputado do NOVO postou um vídeo sobre o ofício ao TCE nas redes sociais e solicitou uma audiência no mesmo dia ao parlamentar, terça (14), para tratar do assunto.

De acordo com o Badesc, não houve ainda o retorno por parte do parlamentar, mas a instituição está à disposição para responder a todos os questionamentos, com a transparência e o comprometimento que a sociedade merece, o que vale, acentua a assessoria da Agência de Fomento, para “receber parlamentares, cidadãos ou órgãos de controle”.

 

Começou

Ex-candidato a governador em 2018, o jornalista Leonel Camasão, presidente do PSOL de Florianópolis, começou a série de ações que são previstas contra o deputado estadual Jessé Lopes (PSL), que atacou o movimento “Não é Não!”, que combate o assédio sexual no Carnaval.

A desastrosa declaração de Jessé de que “assédio é um direito” e de que “massageia o ego das mulheres”, ao ignorar que trata-se de crime, renderam duas denúncias feitas por Camasão, que considera ter o parlamentar passado dos limites: uma à Comissão de Ética da Assembleia e outra à chefia do Ministério Público Estadual, à Procuradoria Geral de Justiça.  

 

As mulheres também

Pois a Bancada Feminina, composta por quatro das cinco parlamentares da atual legislatura, reagiram às bravatas do colega Jessé Lopes, só recebidas bem no ambiente digital de seus seguidores nas redes sociais, e motivo de polêmicas enormes no mesmo ambiente.

O caminho seguido por Ada de Luca (MDB), Ana Paula Silva (PDT), Luciane Carminatti (PT) e Marlene Fengler (PSD) foi o mesmo a dotado por Camasão, duas denúncias, como relatam na nota que tornaram pública e que pode ser lida na sequência:

“A Bancada Feminina da Assembleia Legislativa de Santa Catarina informa que está apresentando denúncia formal à Comissão de Ética e Decoro Parlamentar da Alesc e ao Ministério Público de SC contra as manifestações do deputado Estadual catarinense acerca da campanha Não é Não, que visa ao combate do assédio sexual no Carnaval 2020.

Consideramos inadmissível que um parlamentar - eleito para representar a população, legislar e fiscalizar o Estado - insista em manifestações que estimulam a violência contra a mulher, a despeito da nociva desigualdade de gênero constatada em nosso País. Nesse quesito, citando apenas um dado, o ranking do Fórum Econômico Mundial divulgado no último mês acaba de classificar o Brasil na posição 92 entre 153 países.

Nós, as quatro deputadas que compõem esta Bancada Feminina, passamos o primeiro ano desta legislatura enfrentando os posicionamentos de Jessé Lopes (PSL) com contrapontos públicos e privados, lamentavelmente, sem efeito: o parlamentar insiste em manter e disseminar discursos que desrespeitam as mulheres, banalizam o crime de assédio e perpetuam a cultura da violência de gênero.

Diante disso, entendemos que a medida cabível, então, é apelar para o regramento desta Casa, embasado em um robusto código de ética, e às demais instituições democráticas existentes em nossa sociedade para garantir a defesa dos direitos, impedir retrocessos cívicos e fazer valer o cumprimento das leis.

Deputada estadual e coordenadora da Bancada Feminina - Ada De Luca

Deputada Estadual - Ana Paula da Silva

Deputada Estadual - Luciane Carminatti

Deputada Estadual - Marlene Fengler

 

Bafão no Sul

O deputado federal Daniel Freitas (PSL) deveria estar em clima de comemoração por ser indicado como futuro presidente da Frente Parlamentar Mista para o Programa Espacial Brasileiro, que será lançada no dia 19 de fevereiro.

Em vez disso, o parlamentar passou as últimas horas a se defender de um Boletim de Ocorrência por violência doméstica, feito em uma delegacia da Polícia Civil do Balneário Rincão, onde é apontado como o autor de uma agressão.

 

Negativa

Daniel Freitas, que foi vereador na maior cidade do Sul do Estado, nega os fatos e até o boletim de ocorrência.

Quando emitiu nota oficial sobre o ocorrido, nesta quarta (15), deu outra versão sobre uma agressão, esta sim que teria ocorrido, com “vias de fato” e mudou o status do episódio, pois o oponente na briga era o próprio sogro. Leia na íntegra:

NOTA OFICIAL

“O Deputado Federal Daniel Freitas vem, por meio desta nota oficial, manifestar-se sobre as informações inverídicas que estão circulando sobre uma “suposta agressão” praticada por ele contra sua esposa.

O deputado federal Daniel Freitas afirma que em momento nenhum agrediu fisicamente sua esposa. O fato deu-se por motivações políticas entre ele e seu sogro, relacionadas a divergências partidárias, e que durante uma discussão os dois (Deputado e seu sogro) entraram em vias de fato, resultando na intervenção de sua esposa no ocorrido, na tentativa de acalmar as partes.

O parlamentar enfatiza, ainda que, a situação foi ocasionada pelo calor do momento, eles mantêm uma ótima relação, ressaltando que seu sogro é um homem honrado e de bem; inclusive já conversaram e, através de um pedido sincero de desculpas ao seu sogro e sua esposa, voltaram a se entender.

Segundo o Deputado, com sua educação baseada nos princípios cristãos, jamais submeteria sua esposa e seus filhos a qualquer tipo de humilhação física ou psicológica e que, como marido e pai, sempre pautou a criação dos seus filhos no amor e nos valores; mantendo o casal, em um clima harmônico e de ainda mais união.

Comunicamos que, até o momento, o deputado não foi notificado ou intimado, estando à disposição da justiça para prestar quaisquer esclarecimentos.

O Deputado pede ainda, que sua família, bem como a de sua esposa, sejam respeitadas, pois desentendimentos acontecem em todos os lares; porém, a admiração mútua, sempre será mantida.”

 

Legenda do perigo

O placar é bastante negativo para o PSL catarinense ultimamente, embora Freitas e Jessé, ambos de Criciúma, estejam de malas prontas para a Aliança Pelo Brasil, partido de Jair Bolsonaro.

No melhor estilo sob ataque, um governador e um secretário de Estado estão no centro de uma denúncia que pode levar ao impeachment, um deputado estadual em situação difícil por apologia ao assédio sexual e outro, deputado federal, envolvido em um rolo de violência doméstica. Sessão do descarrego neles!

 

ARTE/PREFEITURA DE FLORIANÓPOLIS

ANTES DE DEPOIS EM CANASVIEIRAS

Ficou até engraçado, mas a arte feita pela prefeitura sobre duas fotos, o famoso antes e depois, mostra o resultado do engordamento da faixa de areia na Praia de Canasvieiras, Norte da Ilha de Santa Catarina, tendo o prefeito Gean Loureiro (DEM) como personagem. Não pense que não houve polêmica, inclusive com acusações de desafetos, adversários, moradores e até turistas de o porquê das obras, realizadas por uma super draga, entrarem janeiro adentro. Só que a foto diz tudo e muitos dos que desancaram xingamentos agora aplaudem a reversão de uma situação que, praticamente, inviabilizava o turismo na praia mais procurada pelos turistas gaúchos e argentinos. O lapso de tempo entre um registro e outro é de cinco meses, capaz de dar inveja a outras cidades, como Balneário Camboriú, que optou por fazer o mesmo trabalho em ritmo mais lento e fora da alta temporada.

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roberto-azevedo política economia bastidores da política Santa Catarina
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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 35 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, editor-chefe, chefe de Redação, gerente e diretor de Jornalismo na RBS TV (Blumenau e Florianópolis), hoje NSC TV; na TV Record (Florianópolis) e na Rede TV Sul (hoje SCC SBT); comentarista na RIC TV (hoje NDTV) e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia. Atuou nas rádios União AM e FM (Blumenau e Florianópolis), e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, assina uma coluna no Diarinho (Itajaí), faz comentários nas rádios do Grupo RCC (Bombinhas e Nova Trento), na 105 FM (Jaraguá do Sul) e na Cidade em Dia FM, de Criciúma, e é diretor de Conteúdo na TVBV (Band).
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