Janeiro 27, 2020

Comunicação social: marketing político não é só campanha eleitoral

Comunicação social: marketing político não é só campanha eleitoral
Foto: Reprodução/Pixabay

Por João Miras*

Marketing político é uma modalidade de comunicação — uma cátedra do curso de Ciências da Comunicação Social (que é uma graduação de ensino de nível acadêmico superior), dirigido para o universo das relações do campo político, que, por sua vez, é uma área da sociologia, que é a ciência que estuda as relações entre as pessoas que pertencem aos diferentes grupos de seres humanos.

Marketing político, portanto, não é só o trabalho de comunicação feito para campanhas eleitorais. Marketing político é o trabalho de comunicação feito para todos os segmentos de atuação profissional existentes no campo da representatividade eletiva, inclusive os de governança.

Ou seja, o marketing político é a comunicação feita para atuantes em função de ações pleiteadoras de mandatos (candidatos) ou as próprias instituições destes (agremiações partidárias), mas, também, atuantes em funções de legislação pública (como parlamentares no exercício do mandato) ou ainda as próprias instituições públicas constitucionalmente concebidas para desenvolver a gestão das atividades de estado como poderes constituídos (governos estaduais e federal, prefeituras, empresas estatais ou de economia mista) na solução das necessidades das coletividades politicamente consolidadas em função de sua municipalidade, estadualidade ou federalidade.

Portanto, além de fazer campanha eleitoral, o técnico ou catedrático ou graduado, pós-graduado, especialista, mestre ou apenas prático em marketing político é o comunicólogo responsável pelo desenvolvimento e implantação de um projeto de comunicação para prefeituras, governos, empresas estatais, parlamentares, partidos e campanhas eleitorais.

Eu mesmo, por exemplo, comecei como publicitário de planejamento de contas públicas na década de 80, numa grande agência de São Paulo onde atendíamos poderes executivos municipais e estaduais e empresas estatais. Depois é que comecei a atuar também em campanhas eleitorais e posteriormente, ainda, em partidos políticos e hoje até em mandatos parlamentares.

Por que isso acontece? Por óbvio, os governos necessitam gerir a relação com a população e a comunidade que administram — às vezes, aglomerados humanos numerosos —, e, portanto, têm a necessidade de levar fatos, iniciativas, ações, realizações, obras e campanhas de interesse da comunidade ao conhecimento de todos os segmentos e espaços desta mesma sociedade.

Muitas vezes, as próprias realizações de um poder executivo dependem da mobilização e do envolvimento da própria comunidade que participa fazendo, completando ou se aproveitando de ações de interesse dela própria.

A comunicação dos órgãos públicos, inclusive, é uma obrigação das administrações, prevista em lei. Neste caso, na lei maior do Brasil, a Constituição Federal que baliza em seu artigo 37 as normas relativas ao tema.

Assim, pressupõe-se que a própria lei federal contempla a existência dos comunicadores ou "marqueteiros" no contexto do poder público constituído, sejam eles agindo como contratados, ou mesmo no próprio corpo funcional das atividades públicas em cargos concursados ou comissionados.

Pois, se políticos em disputa eleitoral precisam de um profissional treinado nas ciências, nos conhecimentos comunicacionais, para bem se comunicar com seu público, o mesmo acontece com os organismos públicos da gestão administrativa legalmente constituídos que hoje são, aliás, um dos maiores empregadores de graduados nos cursos de comunicação social.

*João Miras é publicitário e estrategista de marketing político eleitoral de governos e partidos.

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