Julho 13, 2017

Condenação de Lula apressa o debate eleitoral

Ninguém fica indiferente à condenação do ex-presidente Lula pelo juiz federal Sérgio Moro. Tão logo foi divulgada a sentença, nove anos e meio de reclusão, mais a perda dos direitos políticos por 19 anos, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, os grupos dos dois lados da questão, pró e contrários ao petista, destilaram sua raiva e abusaram do patrulhamento ideológico e da disputa de classe que aparecem como pano de fundo do problema.

Lula foi condenado no primeiro dos cinco processos em que é réu, a maioria por desmandos e por coordenar, de acordo com os seus acusadores, o maior esquema de corrupção da historia do país. O desfecho, a partir desta ótica, não poderia ser outro. A paixão com que os defensores do ex-presidente, o primeiro da história do país a ser sentenciado por recebimento de propina, no caso da construtora OAS e a nebulosa relação do apartamento tríplex, no Guarujá (SP), os fez agir nas redes sociais e nas manifestações de rua, ainda discretas, proporcional à comemoração dos que o veem como o artífice de uma era de fim de privilégio aos poderosos. Nenhum dos lados está disposto a abrir mão de suas convicções e a expectativa de como será analisada a condenação no Tribunal Federal Regional da 4ª Região, com sede em Porto Alegre, só antecipa o palanque da eleição presidencial do ano que vem, a mesma que tem Lula como um dos principais personagens e liderava as intenções de votos.  

 

Mais Fla-Flu

O argumento de que Lula foi condenado sem provas, mas com base em delações de executivos da OAS, e ainda virão as da Odebrecht, no caso do sítio de Atibaia, portanto réus confessos, vale para todos os que foram citados ou denunciados na Operação Lava Jato. É o mesmo que alegam, por exemplo, Michel Temer (PMDB) e Aécio Neves (PSDB) pegos também em gravações feitas por Joesley Batista, da JBS, e outras tantas delações. Até as eleições de 2018 os ânimos devem ficar acirrados e a divisão da sociedade mais acentuada.

 

Agradecido

O presidente Michel Temer deve estar entre os mais felizes sobre o anúncio da sentença de Lula. Nem tanto pelo seu conteúdo, mas pelo fato de ter tirado o foco da CCJ da Câmara, que analisa a aprovação ou não do relatório que admite a abertura de processo contra Temer no STF por corrupção passiva.

 

LUIZ MACEDO/CÂMARA DOS DEPUTADOS

VIROU PALANQUE

O que mais se ouviu nos pronunciamentos na Comissão de Constituição e Justiça foi o discurso contra a aprovação da Reforma Trabalhista ou contra a condenação do ex-presidente Lula. O tema central, se Michel Temer deve ser processado por corrupção passiva no Supremo, quase fica à margem. Manifestações brilhantes como a do deputado Alessandro Molon (REDE-RJ) contrastaram com depoimentos de apoio incondicional a Temer, como o do desfocado Paulo Maluf (PP-SP), em primeiro plano na foto, que abriu a fase de debates e disse que o atual presidente é “um homem humilde”, um “homem honesto”. Durma com uma declaração dessas.

 

Traíra, o peixe!

Conversa inusitada e cordial, flagrada pela coluna, na escadaria que dá acesso aos gabinetes dos parlamentares no primeiro andar da Assembleia, reunia no início da tarde da última terça-feira, os deputados Moacir Sopelsa (do PMDB, atual secretário da Agricultura e da Pesca) e Padre Pedro Baldissera (PT), e foi presenciada também pelo deputado Valdir Cobalchini (PMDB). O motivo de risos e algumas frases em italiano eram as fotos tiradas e exibidas por um celular em uma propriedade de Sopelsa, no Oeste, um tanque onde ele pesca enormes traíras. O assunto, quase uma piada pronta, pois, neste momento da vida política, mesmo que por alguns instantes, seria difícil um(a) “traíra” reunir  peemedebistas e petistas.  

 

SOLON SOARES/AGÊNCIA AL

ALERTA NO PLENÁRIO

Conhecedor do regimento da Assembleia como poucos, o deputado Marcos Vieira (PSDB) fez o contraponto à terna choradeira dos colegas parlamentares que reclamam da perda da prerrogativa de legislar por imposição de projetos do Executivo. Vieira, que na foto subiu à mesa que dirige os trabalhos, e ficou entre o vice-presidente Aldo Schneider (PMDB) e o presidente Silvio Dreveck (PP), alertou seus pares de que nada adianta criticar e dizer sempre amém ao governo. O problema é tão sério que leva a algumas mudanças repentinas de posição: votam contra determinada emenda nas comissões e mudam de ideia em plenário com o apoio à mesma proposta. Agora, com ou sem polêmica e subordinação, os deputados entram em recesso por duas semanas.

 

Detalhe

Em uma quarta-feira onde os deputados estaduais votaram 20 projetos, o ponto mais estranho é que os parlamentares aprovaram quase sem perceber a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que teve cinco emendas da bancada do PT acatadas pelo relator Marcos Vieira. Também foi aprovado o reajuste de 115% nos vencimentos dos defensores públicos depois de uma evasão de quase 50% dos concursados: o salário passa de R$ 8 mil para R$ 21 mil para se adequar a outras regiões do país.  

 

REPRODUÇÃO/FACEBOOK

TENSÃO NA CÂMARA

A ocupação de dois andares da Câmara por funcionários da Comcap, que ocorreu antes de um violento confronto entre Guarda Municipal, PM e manifestantes, com direito a feridos, mostrou que a situação sobre a transformação da Companhia em autarquia ganhou contornos mais graves. A foto, tirada pelo grupo que acampou no prédio do Legislativo e promete ficar lá até a sessão marcada para esta quinta, pela manhã, mostra sindicalistas e funcionários da Comcap com o vereador Lino Peres (PT). A melhor solução é chegar a um meio termo. A prefeitura já anunciou a contratação de uma empresa para fazer a coleta de lixo na Capital, a partir desta sexta, caso os funcionários da empresa pública não retornarem ao trabalho. As coisas passaram do limite.

 

A sessão

O presidente da Câmara Guilherme Pereira (PR) marcou para as 10h, desta quinta, a sessão para votar o projeto que transforma a Comcap de empresa de economia mista em autarquia. O ponto nevrálgico é o futuro dos funcionários que pedem garantias do cumprimento dos acordos coletivos de trabalho.

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 35 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, editor-chefe, chefe de Redação, gerente e diretor de Jornalismo na RBS TV (Blumenau e Florianópolis), hoje NSC TV; na TV Record (Florianópolis) e na Rede TV Sul (hoje SCC SBT); comentarista na RIC TV (hoje NDTV) e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União AM e FM (Blumenau e Florianópolis) e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, faz comentários na Rádio Cidade em Dia FM, de Criciúma, e é diretor de Conteúdo na TVBV (Band).
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