Maio 22, 2020
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CPI chega a um ponto decisivo

CPI chega a um ponto decisivo
SOLON SOARES/AGÊNCIA AL

Quanto vale o ato falho do controlador-geral do Estado, professor Luiz Felipe Ferreira, de que o governo do Estado identificou “a questão do roubo” sobre a compra dos 200 respiradores, embora tenha tentado se desdizer a seguir e empurrar a responsabilidade para o deputado Ivan Naatz (PL), que usou o termo, enquanto se manifestava ao deputado João Amin (PP), que o perguntava?

Milhares de posts, cuidadosamente editados em loop, caso clássico de que a versão é maior do que os fatos, embora o próprio Ferreira admita que o órgão de controle do governo só foi acionado para a analisar a compra e o contrato depois do mau feito.

Àquela altura dos depoimentos, mais de cinco horas – foram sete no total – na reunião da CPI, os deputados já haviam ouvido poucas e boas, acompanhado bate-boca de parlamentares antes de começar as oitivas, e a declaração do coronel BM RR Carlos Charlie Campos Maia, diretor de Licitações e contratos da Secretaria da Saúde – investigado pelo Ministério Público -, de que os responsáveis por apertar o botão da compra com pagamento antecipado de R$ 33 milhões são o ex-secretário Helton Zeferino, seu companheiro da farda, e o atual secretário e ex-adjunto André Motta Ribeiro.

Maia também isentou a servidora Márcia Regina Geremias Pauli, ex-superintendente administrativa da Secretaria da Saúde, de qualquer responsabilidade: a definiu como uma pessoas que trabalhava 17 horas por dia, que suportava a “arrogância” do então secretário adjunto e que foi um “bode expiatório”, “um boi de piranha”, para encobrir os verdadeiros autores da maracutaia.

 

Nada bom

O dia da CPI não poderia ter sido mais desastroso para o governo, pois, na abertura dos trabalhos, o deputado Ivan Naatz (PL), relator da CPI, afirmou que incluiria o governador Carlos Moisés com investigado.

Tudo porque a CPI teve acesso a um documento, ainda em andamento, onde a empresa catarinense Intelbrás comprou e pagou 100 respiradores por R$ 7 milhões, e, mesmo assim, o governo do Estado, no dia seguinte firmou o contrato, com dispensa de licitação, com a suspeita Veigamed. Ah, os respiradores adquiridos pela Intelbras ainda não chegaram e o governo só pagará depois da entrega. Daí!

 

Novas emoções

A semana que vem promete mais suspiros, quando, na reunião da CPI, que começa às 17h, de terça (26), deporão os ex-secretários Douglas Borba (Casa Civil) e Helton Zeferino (Saúde) e a servidora de carreira Márcia Regina Geremias Pauli (ex-superintendente de Gestão Administrativa  da Secretaria de Estado da Saúde).

O desgaste no início da reunião da CPI nesta quinta foi porque o deputado João AmIn defendia a manutenção do calendário, o que acabou prevalecer, e a acareação entre os três na sessão de quinta que vem (28), enquanto Ivana Naatz avisava que, na segunda (25), a comissão teria acesso aos autos da investigação do Ministério Público.

 

DIVULGAÇÃO

APROVADO NA CÂMARA

O projeto de lei do deputado Carlos Chiodini (MDB), que pede urgência na flexibilização de regras, normas técnicas e operacionais sobre a fabricação e comercialização de ventiladores pulmonares durante a epidemia do Coronavírus foi aprovado na Câmara dos deputados e segue agora para o Senado. O assunto em questão é diminuir as exigências e a burocracia que passa pela Anvisa. Chiodini tem até uma questão paroquial, já que a WEG, que tem sede na Base dele, em Jaraguá do Sul, se comprometeu a produzir os aparelhos mas tem uma papelada enorme e portas fechadas em Brasília para vencer. Com toda esta disposição do parlamentar, vale até posar no plenário, com direito a máscara estilosa, na sessão desta quinta.

 

Pois é

É tanta paulada na Assembleia, que o governador Carlos Moisés quase não viu render a divulgação do encontro dele com empresários do agronegócio, que saíram da reunião, em Florianópolis, com uma série de elogios na ponta da língua em função das medidas de apoio à atividade.

E olha que este terreno é ocupado pela vice-governadora Daniela Reinehr que, ultimamente, até quando fica em silêncio fala mal do Moisés.

 

Previsão ao inverso

Luiz Henrique Mandetta, que angariou simpatizantes no país muito mais por ir contra as orientações do presidente Jair Bolsonaro, do que pelo trabalho à frente do Ministério da Saúde, deu suas pixotadas.

No dia 7 deste mês, já ex-ministro, Mandetta assegurava que, em duas semanas, o Estado de Santa Catarina estaria em “situação muito difícil”, em função do aumento de casos da doença. Joga fora a bola de cristal, Mandetta!

 

DÓIA CERCAL/SECOM

BOLA AO CENTRO

A videoconferência entre o presidente Jair Bolsonaro e os governadores, entre eles Carlos Moisés, foi mais do que um encontro formal. Foi uma proposta de pacificação nos ânimos. Bolsonaro pediu o apoio dos governadores para conter gastos com o pessoal, o congelamento de salários até o fim de 2021. Confirmou que sancionará a ajuda emergencial a estados e municípios, próxima de R$ 128 bilhões, mas com os vetos nas brechas de reajuste salarial ao funcionalismo. Por tudo que se soube da reunião e do aceno feito pelo Planalto, muitas vezes na contramão das medidas restritivas de combate ao Coronavírus, foi, de fato, uma tremenda evolução. Vamos aguardar a próxima declaração de Bolsonaro para saber até aonde vai este período de trégua. 

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 35 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, editor-chefe, chefe de Redação, gerente e diretor de Jornalismo na RBS TV (Blumenau e Florianópolis), hoje NSC TV; na TV Record (Florianópolis) e na Rede TV Sul (hoje SCC SBT); comentarista na RIC TV (hoje NDTV) e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia. Atuou nas rádios União AM e FM (Blumenau e Florianópolis), e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, assina uma coluna no Diarinho (Itajaí), faz comentários nas rádios do Grupo RCC (Bombinhas e Nova Trento), na 105 FM (Jaraguá do Sul) e na Cidade em Dia FM, de Criciúma, e é diretor de Conteúdo na TVBV (Band).
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