Março 04, 2019

CPIs têm vantagem técnica na Assembleia

CPIs têm vantagem técnica na Assembleia
RODOLFO ESPÍNOLA/AGÊNCIA AL

O rito normal de uma Comissão Parlamentar de Inquérito é o de que, após os 120 dias de trabalhos, o relatório aprovado seja respaldado pelo plenário da Assembleia e ocorra o encaminhamento das conclusões ao Ministério Público, à Polícia Judiciária Civil e ao Tribunal de Contas para que eventuais delitos e crimes sejam denunciados. No caso da CPI da Ponte Hercílio Luz (foto), já aberta, e da futura CPI dos Incentivos Fiscais este caminho será abreviado, pois o Ministério Público e o TCE já estão debruçados sobre as duas questões polêmicas. Inclusive medidas judiciais e administrativas foram tomadas pelas duas instituições, com o respaldo do Poder Judiciário. Há, em regra, dois grandes escândalos com o dinheiro público nas intermináveis obras de reforma e restauração da ponte e nos exageros da renúncia fiscal pelo Estado, que transformaram, ao longo dos últimos oito anos, o incentivo para empresas catarinenses tornarem-se competitivas no mercado nacional e internacional em uma farra. Nem a Secretaria da Fazenda tem controle para saber quais foram os critérios e que setores foram beneficiados em 80 mil itens.

 

Caminho

Dar o nome aos responsáveis, com o devido sobrenome e CPF, e punir os desvios do dinheiro público é mais importante para as duas CPIs do que o palanque político que será formado em torno delas. O modelo de punição, com a participação do Judiciário, desde já, deve ser o da Operação Lava Jato: dinheiro desviado ilegalmente devolvido ao erário, corrigido, e os autores das maracutaias na cadeia. Doa a quem doer.

 

Relação

Na manifestação oficial feita pelo ex-governador Raimundo Colombo de que não está por trás da possibilidade de intervenção do diretório nacional no estadual do PSD catarinense, em que prega paz no partido, existe clara conotação com o momento vivido na Assembleia. Debater reforma na Hercílio Luz e a farra na concessão dos incentivos fiscais vai bater na administração de Colombo, e Gelson Merisio ainda tem sua influência na Assembleia.

 

De fato

A nova pressão de Merisio sobre Colombo, a mesma atuação que fez o ex-governador ter terceirizado o governo nas mãos do atual presidente do PSD e ao cunhado dele, o então secretário Antonio Gavazzoni (Fazenda), e evitado manter o acordo político com o MDB, teria provocado efeito outra vez. Tudo continua igual como dantes: Merisio manda, Colombo, baixa a cabeça, e cumpre. Caso o presidente nacional Gilberto Kassab volte atrás e mantenha a convenção da sigla, confirma-se a manobra.

 

Explica aí!

Tradicionais porta-vozes de Merisio têm agido em duas frentes: negar a intervenção nacional que retiraria o ex-todo-poderoso presidente da Assembleia (por cinco anos) do cenário e atacar o PSL, de Carlos Moisés da Silva, na figura do presidente estadual, o secretário Lucas Esmeraldino (Densenvolvimento Econômico, Sustentável e Turismo). Esmeraldino tem que explicar muitas nomeações que beneficiam pessoas ligadas a ele, mas nada que Merisio e Gavazzoni tenham feito centenas de vezes nas administrações de Luiz Henrique e Raimundo Colombo, com respingos no primeiro governo de Eduardo Pinho Moreira (2006).  

 

Calcanhar de Aquiles

O problema para Lucas Esmeraldino é que ele representa a renovação política, onde as velhas práticas, uma delas de nomear os mais próximos para o governo e empresas públicas, deveriam ter sido eliminadas. A maioria da bancada federal prossegue na ofensiva contra Esmeraldino, depois de tentar destitui-lo por montagem dos diretórios municipais sem ouvir Daniel Freitas, Caroline De Toni e Coronel Armando.

 

Na rua

O jornalista Toninho Neves, de Joinville, garante que a crise do PSL fez com que o deputado federal Coronel Armando e Lucas Esmeraldino batessem boca em frente à Rádio Colon, na última quinta-feira, quando o governador Carlos Moisés da Silva visitava a cidade pela primeira vez, oficialmente, depois de eleito. Ainda de acordo com o relato, Armando chamou Esmeraldino de traidor e de dedo em riste, desconforto acompanhado por Deran Campos, também alvo dos ataques. Tudo sob o olhar assustado do deputado estadual pesselista Sargento Lima.

 

Ex-amigos

A manobra de Gelson Merisio em se estabelecer em Joinville com claras intenções de disputar a prefeitura, em 2020, repercutiu mal em Chapecó e pior ainda na mais populosa cidade catarinense, o maior colégio eleitoral do Estado. Mas isso não foi só entre empresários e uns poucos eleitores, pois gente outrora ligada a Merisio, como o deputado federal Darci de Matos, que também almeja chegar ao cargo ocupado pelo emedebista Udo Döhler, soltou o verbo contra o pessedista. Se a imprensa pró-Merisio berrar, é porque a estratégia deu com os burros n’água.   

 

REPRODUÇÃO

 

PARA ESCLARECER

Este documento circulou por grupos de WhatsApp e pelas redes sociais, sem grandes alardes, para dar a conotação de que haveria irregularidades no depósito de R$ 40 mil do governo do Estado ao secretário da Casa Civil, Douglas Borba. A coluna confirmou com o Centro Administrativo de que se trata de um procedimento administrativo que repassa a Borba os valores para pagamento de despesas do governador em viagens, como a diária de hotel e alimentação. O secretário executivo Ricardo Dias (Comunicação ) acrescentou que este repasse, feito a cada três meses, é de representação e que o governador não possui diária em viagens.    

 

Quase

Voo da Avianca, que saiu de Brasília às 19h e chegou em Florianópolis às 21h, da terça (26), tinha entre seus passageiros ilustres o governador Carlos Moisés da Silva e o seu maior adversário, o ex-deputado Gelson Merisio. Não houve qualquer registro de cumprimento entre eles, que se sentaram bem longe um do outro. Este é um inconveniente que se tornará mais comum com a acertada decisão de Moisés em utilizar voos comerciais para suas viagens.

 

IVAN RUPP/DIVULGAÇÃO

EM PLENO CARNAVAL

O governador Carlos Moisés gostou de uma proposta do prefeito de Balneário Camboriú, Fabrício Oliveira (PSB), para que a Santur administre o Centro de Eventos da cidade até que o processo de concessão à iniciativa privada seja concluído. Fabrício está de olho no turismo de negócios, como o prospectado Encontro Nacional de Contabilidade, que, garante, poderá trazer acréscimo na economia local de mais de R$ 30 milhões. Moisés só pediu um tempo para ver a viabilidade legal de ceder a gestão à Santur. A deputada estadual Palinha da Silva (PDT), de costas, acompanhou o encontro, na Casa d'Agronômica. 

 

Golaço

Prefeito Gean Loureiro (MDB) conseguiu desenterrar todas as caveiras de burro enterradas sob a UPA do Continente, no Bairro Jardim Atlântico, para inaugurar a obra, mais do que uma promessa de campanha. Como é a primeira comandada por uma organização social no município, não demorou muito para entidades reclamarem da remuneração. Mas o usuário não quer nem saber de detalhes, quer o serviço em funcionamento.

 

IMAGENS POLÍCIA MILITAR E CRISTIANO ANDUJAR/DIVULGAÇÃO

VOCAÇÃO NA RUA

Milhares no Centro da Capital durante o desfile dos blocos de sujo e centenas no tradicional e simpático evento em Santo Antônio de Lisbôa. Florianópolis tem uma vocação natural pelas concentrações de rua, joias de um Carnaval popular e atraente. Nada disso combina com confusão, tal e qual aquela verificada nos arredores do Terminal Central de Florianópolis (Ticen).  

 

Cessão importante

A União cedeu por 40 anos o uso do prédio do INSS localizado no Centro à prefeitura de Criciúma. O local abrigará a Unidade Básica de Saúde Joaci José Milanez, consultórios e o Laboratório Central do município, um pedido do prefeito Clésio Salvaro que vinha desde 2017 e custou muita sola de sapato em Florianópolis e passagens aéreas até Brasília.

 

Reação

Ainda rende o estudo de auditores do TCE catarinense que recomendou a fusão de 105 municípios. Na Assembleia, o presidente da Frente Parlamentar que incentiva ações e propostas para combater as desigualdades regionais, deputado Valdir Cobalchini (MDB) quer que a situação seja discutida pelo parlamento, caso contrário considera um retrocesso para o desenvolvimento catarinense.

 

 * Curso Storytelling para comunicação política, promovido pela Agência Nuvem, com o apoio da Associação Catarinense de Imprensa, será ministrado dia 11 de março, em Florianópolis, por Bruno Scartozzoni, pretende ensinar técnicas de narrativas envolventes aos em início de mandato.

 

* Grave denúncia encaminhada às autoridades liga os constantes distúrbios no Centro Histórico de Florianópolis a ações de milícias, que estariam por trás das dificuldades para criar facilidades. Muitos comerciantes foram procurados por quem oferece serviços de proteção e segurança.

 

* Senador Dário Berger gravou um vídeo, de 1 minuto e 54 segundos, aos filiados do MDB catarinense para manter um novo tempo, onde cita Luiz Henrique e Ulysses Guimarães, um movimento para confirmar a sua candidatura à presidência da sigla.

 

* Lamentáveis e absurdos os comentários sobre a ida do ex-presidente Lula ao velório do neto, Arthur Lula da Silva, de apenas sete anos, prova de que, em algum momento, as pessoas misturam diferenças políticas e ideológicas com a dor alheia e esquecem que a fragilidade humana, que tira vidas por uma doença, alcança a todos, sem distinção.    

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roberto-azevedo política economia bastidores da política Santa Catarina
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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 34 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, chefe de Redação, editor-chefe, gerente e diretor de Jornalismo, nas RBS TV de Blumenau e Florianópolis, na TV Record de Florianópolis e na Rede TV Sul!; comentarista na RIC TV Record e na Record News, e editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União de Blumenau e União FM de Florianópolis, e na Rádio Record da Capital. Faz comentários sobre política e economia.
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