Maio 22, 2019

Credibilidade: Em tempos de fake news, Rádio e TV são fontes seguras de informação

Credibilidade: Em tempos de fake news, Rádio e TV são fontes seguras de informação

No Brasil e em outros países, um dos principais antídotos contra a propagação das chamadas fake news ou notícias falsas, tem sido a credibilidade dos veículos de comunicação, considerados em pesquisas como fontes seguras de informação. A mais recente sobre o tema, feita pela XP Investimentos e repercutida pelo presidente da ACAERT, Marcello Corrêa Petrelli, em entrevista ao Portal Making Of, confirmou mais uma vez a confiança do público nas emissoras de rádio e TV. Somado a isso, uma pesquisa Kantar Ibope mostrou os veículos de mídia eletrônica como os menos afetados pelas notícias falsas.

No caso de Santa Catarina, a credibilidade dos veículos, com destaque para as rádios, têm relação direta com a proximidade de comunidades locais já que em muitos municípios não há outro veículo de comunicação. O mesmo vale para as emissoras de TV e suas programações regionais que atuam no sentido de estar presente no cotidiano dos telespectadores. Isso, além de aumentar a responsabilidade na apuração dos fatos, torna o veículo uma referência sobre o que é verdade ou não.

Essa percepção sobre a credibilidade dos veículos quando o assunto é fake news, e que de certa forma aparece nas pesquisas, pode e deve ser ressaltada por rádios e TVs. Foi o que fez o Grupo Globo, por exemplo, com criação do projeto Fato ou Fake, com direito até a chamadas e vinhetas e exibidas ao longo da programação de TV e de rádio. Ou seja, a Globo trouxe o combate às fake news para a programação ao formatar um produto. E isso, mesmo que não haja o apelo de uma eleição, pode ser uma medida de valorização da marca do veículo e que reforça a opção pela prática do bom jornalismo.

 

Educar o público para combater desinformação

Além disso, trazer o cuidado com a checagem para o dia a dia e até para a programação reforça o papel dos veículos na educação do público sobre as fake news. É importante, de acordo com Raquel Recuero, professora da Universidade de Pelotas e uma das principais pesquisadoras sobre mídias sociais do país, o ouvinte e o telespectador compreenderem que é preciso buscar notícias de fontes conhecidas e com compromisso com a verdade. “É preciso educar as pessoas para que busquem fontes oficiais e curadores compromissados com a ética e a verdade”, diz Raquel.

Sobre dar visibilidade para o assunto, vale ressaltar que as eleições de 2018 colocaram as fake news na ordem do dia, mas passado o pleito, o combate à desinformação continua sendo um desafio em 2019. É o que escreve o jornalista, professor e pesquisador Sérgio Ludtke, coordenador do projeto coletivo Comprova, no documento Tendências para o Jornalismo em 2019:

O ambiente fértil para a desinformação se mantém, o labirinto social por onde circulam e se multiplicam os boatos conta com uma infinidade de caminhos e saídas, e é impossível interceptá-los todos. O desafio imediato não é a eliminação da desinformação, o que parece um horizonte ainda impossível de visualizar, mas a sua contenção. Para isso, em 2019, é imperativo que os meios de comunicação mantenham operantes as suas equipes de checagem e se alistem ao lado dos cidadãos numa luta por mais transparência.

 

Suporte para informar corretamente

Para as rádios e TVs que desejam inserir mais sobre o combate às fake news em sua programação, convém lembrar a atuação das agências de fact-checking ou agências de checagem em diversos países, inclusive no Brasil, onde Agência Lupa e Aos Fatos têm despontado como referências na área. As agências seguem metodologias própria para a verificação a veracidade de informações propagadas nas redes sociais, mas também de artigos, discursos e depoimentos.

Mais do que uma prestação de serviço para os leitores, o trabalho das agências de checagem serve de referência também para que veículos tenham um suporte técnico e especializado para conferir a veracidade de uma informação. É o que rádios e TVs em Santa Catarina podem fazer, por exemplo, adotando a rotina de acessar os sites das principais agências e acompanhar as verificações que estão publicadas.

Detetives virtuais

Mas antes das agências de checagem, sites como Boatos.org e e-Farsas já estavam atuando como “detetives” para desvendar a veracidade de conteúdos espalhados pela internet. E continuam sendo referência ainda mais com o avanço das redes sociais e do WhatsApp. “É muito mais fácil apenas compartilhar uma notícia do que ter o ‘trabalho’ de abrir uma janela no navegador e dar uma pesquisada”, diz Gilmar Lopes, fundador do e-Farsas. “Esse é um dos motivos pelos quais as fake news são tão compartilhadas”. Como exemplo de assuntos que sites como o e-Farsas ajudam a esclarecer estão os que tratam sobre doenças como Febre Amarela e Gripe Aviária.

Links de referência

Agência Lupa

Aos Fatos

Boatos.org

e-Farsas

 

Este conteúdo é parte da série Mapa de Oportunidades, uma parceria do Portal Making Of com a ACAERT (Associação Catarinense de Emissoras de Rádio e Televisão).

Conteúdo produzido por Alexandre Gonçalves, especial para o Portal Making Of

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Redação Making Of

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