Outubro 07, 2019

Criminalidade: vingança de ex-alunos

Criminalidade: vingança de ex-alunos

Witzel, Governador do Rio de Janeiro, quer controlar, com ajuda da ONU, a indústria, a comercialização e a circulação das armas no mundo. Sonho.  Mas o senhor, governador, tem nas mãos o instrumento para atacar a raiz da violência de forma decisiva.

Uma imagem de câmara de controle dentro de uma escola, aí no Rio de Janeiro, mostrou com uma clareza chocante onde está a raiz da violência que impera em inúmeras cidades do Brasil. A câmera mostrou dois jovens, entre quinze e vinte anos de idade aparentemente, com fuzis do exército nas mãos, assaltando os professores e os alunos dentro de uma escola. Quando bem mais jovens, os dois provavelmente estiveram na escola também. Estudando. Abandonaram a escola porque ela não estava resolvendo os problemas de vida e trabalho dos dois. O assalto é uma mensagem claríssima para o sistema educacional, para a escola: Uma vez que vocês, da educação, não resolveram meus problemas de vida e trabalho, o que me resta fazer, para sobreviver, é assaltar vocês.

A solução, Governador, não é tentar controlar a indústria, o comércio e a circulação das armas. Essas três coisas estão fora do alcance de suas mãos. A solução é educar esses rapazes de modo que não precisem assaltar para sobreviver. Fazer isso, está em suas mãos, Governador, via sistema educacional. Que está precisando de uma revolução radical.

Dividir ao meio o tempo diário da educação. Metade do tempo assumir a responsabilidade total pelo sucesso das carreiras concretas de vida e trabalho dos estudantes, do nascimento à morte. E na outra metade do tempo continuar com o ensino, acadêmico, das tais matérias básicas – matemática, línguas, ciências, etc. – mas devidamente articuladas aos interesses das carreiras concretas de vida e trabalho do alunos. Em síntese: Ligar a educação com a vida. Se isso fosse feito com competência, os dois assaltantes que entraram na escola com a mensagem: Já estivemos aqui para resolver nossos problemas de vida honestamente. Vocês, o sistema educacional, não conseguiram fazer isso. Só sobrou para nós essa alternativa: Assaltar vocês. Não tem mensagem mais clara do que essa sobre o que tem que ser feito para se atacar a raiz da violência, espalhada por aí. Controlando com isso, inclusive, a comercialização e circulação de armas, que sem isso está fora do alcance dos governos.

O sistema educacional está nas mãos dos governos. Precisando de uma revolução radical, para responder com soluções de vida honesta aos alunos que não tiveram outra alternativa senão, com fuzis nas mãos, assaltar a própria escola que não resolveu os seus problemas de vida concreta. Suas carreiras honestas de vida e trabalho. Se alguém disser que isso não é o papel do sistema educacional, esse alguém é um idiota que não enxerga o que está acontecendo nos países de economia vigorosamente emergente, e que não enxerga o futuro do sistema educacional, sendo norteado pela revolução comunicacional-informacional que está aí.

E sem essa revolução educacional, inclusive o programa anti-crime “Em Frente Brasil”, do Ministro Sérgio Moro, também alcançará um resultado apenas medíocre, e não completo.     

*Ricardo Luiz Hoffmann é Formado em direito, técnico em assuntos educacionais da Universidade Federal de SC, aposentado.           

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Redação Making Of

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