Setembro 06, 2019

Making Of pergunta e jornalistas respondem

Making Of pergunta e jornalistas respondem

Eles estão nos estádios, nas cabines, nos gramados, tempo bom ou ruim, levando a emoção do futebol a milhares de ouvintes e leitores. São os jornalistas esportivos catarinenses que, nesta reportagem especial, foram ouvidos pela Making of sobre o momento e o futuro do nosso futebol. Quem mais teria autoridade para falar sobre isso?

As perguntas que fizemos foram iguais para todos:

1 - Por que o futebol catarinense chegou a este momento delicado nos campeonatos brasileiros?

2 - Qual a solução? 

3 - Algum clube está seriamente ameaçado de rebaixamento?

4 - Se afirmativo, o que significaria para clubes e imprensa?

 

 Agora vejam as repostas que eles deram. 

 

Fábio Machado - Grupo RIC

1 - A crise do futebol catarinense, com exceção do Brusque que ainda curte o acesso e a conquista do brasileiro da Série D, precisa ser analisada de forma individual: cada clube com a sua característica. No caso do Figueirense, uma parceria assinada de afogadilho, sem lastro e entregue para aventureiros e estranhos ao mundo do futebol, logo após uma gestão que “caprichou” em afugentar ídolos do clube pela porta do fundo, espantando os torcedores das arquibancadas. Atravessando a ponte, no Avaí uma mistura de “economia” por parte do presidente que se orgulha da sua austeridade financeira e incompetência ao montar uma equipe para a Série A, com um elenco pior do que a Série B. O Criciúma peca pela sua irregularidade de três temporadas, enquanto que a Chapecoense vai sentindo o peso de uma estrutura pesada, cara e ainda juntando os cacos da tragédia aérea. Para fechar, o Joinville que não passou da primeira fase da Série D, precisa parar de olhar para o retrovisor dos anos dourados. O JEC do octacampeão não existe mais.

2 - A solução passa por decisões que respeitem as características de cada equipe. Evidente no Figueirense uma retomada do clube por verdadeiros alvinegros em uma gestão de transparência. Da volta dos ídolos. O Figueirense sempre teve por característica o povão nas arquibancadas. No Avaí, um posicionamento claro: qual o verdadeiro objetivo da gestão Battistotti? Bola na rede ou deixar o caixa financeiro da instituição com o saldo positivo? A Chapecoense precisa se depurar, enxugar a sua estrutura e orçamento, mesmo que o preço seja o rebaixamento, senão corre o risco de ficar inviável muito em breve e a queda pode ser dramática. O Criciúma precisa de estabilidade para objetivos a médio prazo. A chegada do treinador Waguinhos Dias pode ser esse indicativo. E o Joinville, precisa olhar para a frente, ter os pés no chão no caminho de uma reconstrução com toda a cidade. Para a frente, esquecendo o passado.   

3- As quatro equipes nas séries A e B (Avaí, Chapecoense, Figueirense e Criciúma) correm esse risco de forma concreta.

4 - O rebaixamento não é necessariamente um drama para os clubes, pelo contrário. Depende da forma como é assimilado a queda e as lições por ela deixada. É a possibilidade de reduzir custos, reconstruir e dar a volta por cima. Exemplo: o Corinthians que de rebaixado conquistou o título mundial logo depois. Para a imprensa o prejuízo é enorme. Há perda de patrocínio, diminuição de estrutura etc.

 

Rodrigo Santos - Rádio Clube Joinville


1- Chapecoense, Avaí e Criciúma falharam na montagem dos times e, até agora, não conseguiram ajustes com mudanças de técnicos. O Figueirense, além de um time limitado, fez uma parceira que não investiu e que provocou uma nova disputa política no Clube , ainda sem desfecho claro. A cota baixa de TV, comprando com os principais, sempre é um grande uma grande barreira para nossos times. A margem para melhorar é muito estreita nesta fase do campeonato. O dinheiro é curto e as opções de jogadores qualificados é escassa. Trocar técnico foi procedimento já adotado por todos.

2- Resta trabalhar e apostar na superação.

3- Todos estão seriamente ameaçadas de rebaixamento. Mais o Avaí que não venceu nenhuma em 16 rosadas e o Figueirense, que não vence a 10 jogos, e enfrenta grave crise política e financeira.

4- Ser rebaixado sempre causa grande impacto na autoestima do torcedor e trava o crescimento porque perde milhões de cota de TV e patrocínios. Até a economia da cidade, hotéis , bares , restaurantes , que são movimentados com os jogos , saem perdendo muito. Para a imprensa também impacta na motivação, audiência e mercado de trabalho.

 

Paulo Branchi - Rádio CBN/Diário

1-Falta de capacidade técnica para a montagem de elencos, combinada com irresponsabilidade financeira, em alguns casos.  Vemos administrações complicadas, com elencos inchados e caros (caso da Chapecoense) e sem estrutura financeira alguma (Figueirense). Isso só não vale para o Avaí, que seguiu o caminho contrário: preferiu resolver suas contas e esqueceu completamente da parte técnica. Entrou na Série A já conformado que será rebaixado e até vendeu mando para entrar na Série B do ano que vem sanado, mas fora da elite.

2- A competência para monitorar bem o mercado e ter a capacidade de montar bons elencos dentro das suas limitações de caixa parece ter ficado pra trás. É necessário retomar essa filosofia para ontem, pois é impossível chegar ao patamar financeiro de clubes maiores, e essa perspicácia em montar os planteis é um diferencial.

3- Penso que o Avaí já está rebaixado, e sequer esconde que não está a fim de provocar algo que mude esse panorama. A Chapecoense tem condição de ficar dentro de um “bolo” que vai brigar pelas vagas até o final. Na série B, temos que observar se as promessas da Elephant para resolver os problemas do plantel do Figueirense serão cumpridas.

4- O desânimo toma conta e uma retomada é difícil, ainda mais trabalhando com descrença do torcedor. A imprensa é refém dessa onda, dependendo diretamente do desempenho do time para se viabilizar ou não. Exemplo temos em Joinville, onde pelo menos 2 dezenas de profissionais acompanhavam os jogos do JEC na época das Séries A e B e hoje, na Série D, essa quantidade caiu pela metade, ou até menos que isso.

 

Mário Medaglia - Conselho Estadual do Esporte

1-Os dirigentes continuam se enganando com os resultados do Campeonato Estadual, o que é um grande equívoco. Não montam estrutura técnica/ financeira necessária para enfrentar uma competição que tem outro peso e demandas maiores. Ao menos para encarar o “nosso campeonato, na parte inferior da tabela e evitarmos a queda de série e de arrecadação. A participação de quatro equipes catarinenses na série A de 2015 levou a um otimismo exagerado e a um erro grave de avaliação, colocando o futebol catarinense numa perigosa zona de conforto. O resultado foi que despencamos para a situação atual, correndo o risco de voltarmos à segunda – Chapecoense e Avaí - e terceira divisões – Figueirense e Criciúma. Os dois clubes da capital percorrem caminhos diferentes por escolhas ambíguas, ambas desastrosas; um optou por economia de guerra, outro entregando o clube a investidores cuja folha corrida não era nada recomendável. Acabaram unidos apenas pelo desrespeito ao torcedor, passando por venda de mando de campo e segredos contratuais trancados em uma caixa preta protegida por convenientes e suspeitas cláusulas de confidencialidade.

2- É óbvio que o Estadual deve funcionar como laboratório. Para voos maiores tem que haver planejamento visando a parte financeira, escolha de comissão técnica capacitada e montagem de elenco por profissionais conhecedores do mercado. Em paralelo o trabalho de base precisa ser aproveitado com inteligência, e não como fazem nossos clubes. Há açodamento no lançamento dos garotos, muitas vezes encarados como solução emergencial e depois simplesmente descartados. Luan Pereira, no Avaí, é o maior exemplo. No entra e sai do time, nunca teve chance de confirmação, problema que se repete ano a ano. A consequência é inchamento de elencos com jogadores caros, em idade de aposentadoria, e que não dão a resposta adequada, além de viverem o departamento médico.  Esta engrenagem, que deveria estar azeitada desde o surgimento de garotos com potencial, não funciona. Emperra, esvazia os cofres, os resultados de campo não aparecem e a troca de treinador é o desfecho natural e comum no futebol brasileiro.

3- É perigoso apostar no futuro dos nossos clubes com apenas um turno concluído. A não ser pelo caso do Avaí, ainda há esperança para Chapecoense, Figueirense e Criciúma. No Scarpelli, problemas paquidérmicos estão destruindo o clube e atrapalhando o trabalho da Comissão Técnica e dos jogadores. Nesse caso, apesar de haver chance de recuperação, é difícil opinar sobre futuro quando não se sabe o que se passa intramuros. A Chapecoense tem time, mas vive de altos e baixos. Problemas financeiros começam a interferir na Arena Condá. No Criciúma sai Wilsão, entra Waguinho Dias. Tem currículo, mas não pode ser encarado como salvador da pátria. Sem colaboração dos jogadores ninguém dá jeito. A motivação com o novo treinador e os últimos resultados quem sabe ajudem na fuga do rebaixamento. 

4- Para os clubes o resultado prático é a diminuição de cotas e a baixa de patamar. É quase um começar de novo. A mídia nos últimos anos também sofre com rebaixamento, até nos veículos dos grandes centros. Por aqui não escapamos a essa queda livre. Estou quase acreditando que tanto faz como tanto fez. Também estamos nas últimas posições da tabela. Houve um enxugamento muito grande de profissionais, de coberturas e de propósitos. A desculpa da má fase dos times catarinenses não serve como atenuante. A reação já aconteceu na proporção inversa do peso que tínhamos com quatro clubes na divisão principal. Hoje nossa bola murcha serve apenas como bengala para a queda de volume e da qualidade na cobertura. Há poucos repórteres no campo e a moda tubo pegou. Nesse quadro desanimador quem ainda resiste é o torcedor. Não há má gestão ou mau futebol que acabe com a sua paixão. Felizmente.

 

Sérgio Murilo - Grupo VEG Esportes

1-O atual momento do nosso futebol deve-se a administrações inexperientes, incompetentes e sem um projeto a longo prazo.

2-Penso que precisamos de gente da terra, com capacidade de gestão, capaz de aliar profissionalismo, compromisso com a história dos clubes e um pouco de paixão.

3-Todos os nossos representantes correm risco de rebaixamento em suas respectivas séries: Chapecoense, Criciúma e Figueirense; o Avaí, na minha opinião, já caiu.

4-O rebaixamento representa prejuízos, não só técnico, mas, principalmente, financeiro. Para a imprensa, a má fase dos times reflete diretamente na captação de patrocínios para sua sobrevivência.

 

Carlos Vanderlei dos Santos - TV Clipagem

1-Enorme diferença de faturamento com os grandes clubes e gestão. Neste ano o Flamengo vai faturar 1 bilhão. O Avaí não tem 2 milhões para comprar um gerador de energia.

2-Um plano de gestão por 10 anos com executivos qualificados e ser transparente com o torcedor. Não pensar em resultados imediatos. O que é contra a tradição no futebol nacional.

3-Todos: Chapecoense. Avaí, Criciúma e Figueirense

4- Um grande prejuízo financeiro tanto para clubes, como imprensa. Acessar um patamar de elite no futebol brasileiro não é fácil e pode levar alguns anos.

 

Paulo Brito - Rádio Guarujá

1 – Deve-se a questões financeiras, são os que recebem menos bem diferente do que ocorre na Inglaterra, hoje o mais rentável e de presença de público nos estádios. Não há uma distribuição igualitária dos recursos para cobrir os gastos com as equipes, bem diferente dos torneios como Copa do Brasil, Libertadores e Sul-americana em que os prêmios em dinheiro são distribuídos por vitorias e classificação a cada fase;

2 – Não há garantia de solução dentro da cultura atual, a de contratar, montar time sem nenhuma garantia que gastando, o que tem e o que não tem, possa levar um deles a um patamar igual aos dois grandes do Brasil: Flamengo e Corinthians. Esta solução imediata, de a cada três meses monta um time com "reforços" ou "cascudos" só descapitaliza ou endividaria todos;

3 – Todos os clubes de SC que disputam as Séries A e B estão ameaçados de rebaixamento, o único que subiu de categoria foi o Brusque que saiu da Série D para a Série C. A permanência dependera do rendimento na segunda volta do campeonato, nos 19 jogos que faltam;

4 – O rebaixamento gera um maior custo nas transmissões de rádio e cobertura de jornais, na televisão não, porque a Rede Globo cobre todos os jogos dos clubes da A e B; o outro aspecto é que diminuiu o interesse e com ele a captação de patrocínios, aumentando os custos de operação.

 

José Mira - Presidente da Associação dos Cronistas Esportivos Catarinenses, ACESC.

1- Por falta de planejamento. Os clubes não se prepararam principalmente na formação de equipes competitivas.

2- Primeiro levantar recursos financeiros e depois ser competente na montagem das equipes, o que não ocorreu neste ano.

3- Na série A o Avaí é o que corre mais risco, mas chapecoense também. Na B Criciúma e Figueirense também brigam para não serem rebaixados, e praticamente sem chances de acesso.

4- Infelizmente é ruim para os dois. Quando os clubes entram em decadência em nível nacional, sobra também para a imprensa.

 

J.B. Telles - cronista

Não temos bons administradores para superar barreiras que nos impõe esta feliz regionalização e distribuição econômica. Em Florianópolis (500.000 habitantes) com uma minoria nativa e recheada de torcedores dos clubes de outros estados, não temos condições de ter duas boas equipes profissionais. É onde precisa aparecer o dirigente diferenciado (Paulo Prisco Paraíso) assim como nos demais. Vide Modelos administrativos antigos também diferenciados: Moacir Fernandes (Criciúma), Sandro Palaoro (Chapecoense) e Waldomiro Shutzler (Joinville) cada um com suas peculiaridades, mas sabendo aproveitar as potencialidades do momento em suas regiões. Hoje, seguramente, os dirigentes podem ser apontados como os responsáveis pelo momento, pelos erros que cometeram. Antigamente os clubes tinham em seus torcedores a principal fonte de renda. Hoje as arrecadações são corroídas por absurdas despesas administrativas e vários aspectos tiram o público dos estádios: insegurança, overdose de tv, mobilidade urbana e, claro, a qualidade. No resumo, segue o que penso: "O futebol não aceita verdades absolutas. Dizer que o (n) sucesso de uma equipe se deve apenas à administração do clube, ao trabalho do treinador ou ao aspecto financeiro, não é correto. O futebol é gerido por um conjunto de fatores onde os pontos antes citados estão incluídos. Em Santa Catarina, sem apelos comerciais que despertem investidores, é necessário que a administração se destaque para superar dificuldades. Este é o grande pecado atual. Assim, nossos clubes ainda correm riscos de rebaixamento, o que representaria um prejuízo incalculável para a sua recuperação, dentro e fora do campo."

 

Polidoro Júnior - Blog Polidoro Júnior

1- Não é fácil se sustentar com pouca receita e muitas despesas. O futebol está cada dia mais caro. Quando era para os clubes se unirem contra os altos salários dos jogadores, valores que inflacionam o mercado, cada clube preferiu cuidar de si. Nossa capacidade financeira é muito limitada. A TV detentora dos direitos de transmissão também recuou e reduziu as cotas, aumentando apenas os valores da Copa do Brasil. Outro problema: a herança financeira ruim e comprometedora deixada pelos presidentes anteriores, o que comprova má gestão nesse quesito, gerando reclamatórias trabalhistas diversas e comprometendo a saúde financeira.

2- Toda torcedor que seu time campeão, o que implica em investimentos. Primeiro tem que equilibrar as finanças, evitar gastar mais do que se arrecada. Isso vai gerar um jejum de títulos e de loucuras que são cometidas, mas internamente vai fazer um bem enorme para o clube. Uma Série A pode representar o céu quando se chega lá, mas se transforma em inferno quando a conta não fecha e bate o desespero.

3- Nossa situação é péssima e preocupante. Avaí (praticamente rebaixado) e Chapecoense não conseguem reagir; o Criciúma tenta se manter na B, não sobe e nem cai, mas ainda segue irregular; o Figueirense perdeu muito tempo com a greve dos jogadores e o desmoralizante WO, e o caminho é de rebaixamento, enfim, sem ser pessimista e sendo realista, acredito que o final de 2019 será terrível para o futebol catarinense.

4- Essa queda drástica do futebol catarinense, seja por um ano ruim dos nossos clubes em campo, seja pelo descrédito dos torcedores, no caso do Avaí ainda muito mais afetado pela venda do mando de campo, isso representa uma imagem arranhada no aspecto nacional. Perde a rede hoteleira, sem a presença dos grandes clubes e seus fiéis torcedores, o comércio local, as agências de turismo, etc, porque o futebol das séries A e B não se resume apenas ao jogo em si, mas sim tudo que cerca o futebol profissional atual.

 

Márcio Martins - narrador

1-Penso que a falta de um planejamento para enfrentar esse nível de competição, foi o principal problema que levou a esse momento crítico do futebol de Santa Catarina. A ausência de visão de longo prazo e, principalmente, a conscientização de que investimentos em um elenco à altura das competições era o mínimo que se poderia esperar, motivou o atual apagão que vive o futebol catarinense.

2- Não tem mágica. Correndo o risco de ser até simplista: A solução para sair desse estado crítico é retomar o caminho de uma gestão profissional e sem conchavos. Fazer política e negociar com bons empresários é até aceitável. O que provou não trazer resultados concretos foram as chamadas parcerias com empresas sem nenhum alinhamento com os anseios do futebol catarinense muito menos com a identidade dos clubes do nosso estado.

3 e 4 -Por mais incrível que possa parecer, ​todos os clubes catarinenses que participam do campeonato brasileiro das séries A e B encontram-se ameaçados pelo rebaixamento. A situação mais iminente é a do Avaí, que conseguiu atingir uma marca negativa expressiva. Após 16 rodadas ainda não conseguiu sequer uma vitória. É quase impossível reverter uma situação com o cenário que está desenhado à nossa frente. Ainda na série A, outro catarinense que tem visitado com frequência a zona de rebaixamento é a Chapecoense. Mas a ameaça, nesse caso, é um pouco menor. Na série B, o Figueirense vive um drama particular. Não fosse o fato de ter exposto problemas internos e tê-los transformado em algo público passando pela situação vergonhosa de perder uma partida por WO, o clube está à deriva e também vive o drama de um possível reaixamento a sua frente. É difícil acreditar nessa situação. Mais difícil ainda quando, ali, em 2015 quatro times de Santa Catarina estavam na Série A do Campeonato Brasileiro. Nos faz querer perguntar: Como assim? Como paramos nessa situação? O impacto negativo para os Clubes além da óbvia perda de arrecadação é todo o clima de cavalo paraguaio que fica difícil de superar. Como motivar investidores, possíveis patrocinadores e, o mais importante de tudo, torcedores quando os resultados apresentados são tão decepcionantes? Na real eu acho que o torcedor até entenderia que perder e cair de uma divisão é do jogo (Afinal ser torcedor é como um casamento... Na alegria e na tristeza) o que ele não consegue perdoar são administradores tratando os clubes com descaso na sua gestão. O pouco caso, como algumas atitudes de dirigentes fazem parecer. Isso desanima e cria uma baixa auto estima diante da situação Para nós da imprensa fica a frustração de saber o quanto já fomos destaque e como hoje estamos diante de uma situação onde o trabalho pode faltar. A visibilidade do estado diminiu assim também diminui a de quem trabalha. Um outro aspecto é a empolgação do trabalho em si. Narrar e comentar grandes times em competições como série A, Sul Americana e Libertadores dá sempre uma motivação extra.

 

Renato Semensati - Rádio Eldorado de Criciúma

1- Não se trata de um fator específico. A perda de alguns dirigentes (Chapecoense, Joinville  e Figueirense). A diferença de cotas de tv entre os grandes clubes e os pequenos. Nossa realidade é ser grande na Série B e ficar especulando Série A. Aquele momento de 4 clubes na série A foi um sucesso passageiro.

2- Nossos clubes precisam revelar jogadores. Precisamos abandonar a política de trazer jogadores rodados que já passaram por clubes grandes e que poucas vezes trazem ganho técnico e nunca financeiro. Nossos dirigentes precisam evoluir, profissionalizar seus departamento de futebol profissional e base.

3- Avaí já está rebaixado. Chapecoense vai lutar até o final para mais uma vez tentar escapar na última rodada. Criciúma e Figueirense também lutando para escapar na Série B. O cenário é delicado.

4 -Para Avaí e Chapecoense nada de anormal. Viriam como forças na Série B. Criciúma e Figueirense seria o caos. Série C, sem cota de tv, pouca visibilidade e abandono da torcida. Para a imprensa o reflexo é o mesmo. Perda de receita, redução no número de transmissões, perda de ouvintes, telespectadores e perda do intercâmbio com os grandes centros.

 

Carlos Eduardo Lino - SPORTV

Custo a entender essa entidade chamada “futebol catarinense” - ou gaúcho ou carioca. Os clubes são diferentes demais entre si. A Chapecoense é um projeto de cidade, o Avaí é um clube de sócios, o Figueirense uma empresa, o Criciúma tem donos locais. O tamanho de mercado os aproxima, mas essa análise forma um outro tipo de corpo, que envolve diversas regiões Brasil afora. Não acho feio, ruim ou indesejável o que fazem times desse porte. Jogar série A, B, desenvolver futebol profissional e organizar eventos desse porte é prova de força. Enfrentar investimentos milionários, cidades muito maiores, isso é ousadia. Além disso, a teimosia de quem luta identifica os catarinenses. Solução para a situação atual é paciência. É não se endividar a ponto de comprometer o futuro e tentar desfrutar a caminhada. Ano que vem tem mais. A verdadeira paixão não exige divisão.

 

Giovani Martinello - DAZN

1- A falta de planejamento a longo prazo parece ser o principal motivo para justificar o momento adverso. Outro fator importante é a dificuldade em competir financeiramente com clubes mais tradicionais e com mais torcida.

2- O profissionalismo das atuais Gestões na busca de investidores em potencial. Além de austeridade nas práticas adotadas pelos dirigentes catarinenses.

3- O Avaí na Série A e o Figueirense na Série B são os que correm mais risco. O Avaí porque precisa ter desempenho de G4 ganhar mais da metade dos jogos que vai disputar. O Figueirense pela lamentável situação financeira.

4 - A perda de visibilidade no cenário nacional e até mesmo internacional atinge de maneira direta o legado construído com muito trabalho nas últimas décadas. A imprensa pode sentir na pele com a perda de interesse dos torcedores/ouvintes e até mesmo de patrocinadores.

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comunicacao
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Claiton Selistre

Claiton Selistre

Jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, foi diretor de Jornalismo por 25 anos da RBS TV, TVCom e Rádio CBN/Diário em Santa Catarina. Antes atuou na  Rádio e TV Gaucha do grupo RBS e em redações de jornal, rádio e tv do grupo Caldas Jr. em Porto Alegre. Foi também repórter da na Sucursal do Jornal do Brasil. Planejou e Coordenou coberturas multimídia nas Copas do Mundo de Futebol na Alemanha, Argentina, Espanha, México, Itália, Estados Unidos, França e Japão/Coréia. Dirige a Making of há seis anos.

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