Setembro 29, 2019

De Peito Aberto para receber o Outubro Rosa

De Peito Aberto para receber o Outubro Rosa
Fotos Hugo Lenzi/divulgação

Depois de enfrentar várias situações de câncer na família - e ao mesmo tempo - Vera Golik, que é jornalista e escritora (ela foi também selecionada como Embaixadora Global para o Câncer por acoasião da Assembleia Geral da ONU), e Hugo Lenzi, fotógrafo e sociólogo, criaram o projeto de De Peito Aberto, que está em jornada pelo Sul do Brasil. O projeto é incrível, conta com exposição fotográfica, palestra, relatos e muito sentimento e inspiração.

 

 

Em Florianópolis o projeto reforça as ações do Outubro Rosa, em parceria com a AMUCC, e se apresenta no Beiramar Shopping de 1º a 13 de outubro de 2019.

A palestra interativa “De Peito Aberto” será no dia 10 de outubro, quinta-feira, às 19h, no Cine Show, cinema do Beiramar Shopping. Depois de Florianópolis, o projeto segue para Porto Alegre e Curitiba, com patrocínio da Droga Raia e da Novartis, via Lei Rouanet de Incentivo à Cultura.

É a primeira vez que a Exposição ocorre em nosso estado, depois de ter sido vista e emocionado mais de oito milhões de pessoas no Brasil e no exterior!

 

 

Conscientização sobre o câncer de mama e a importância da humanização da medicina por meio de imagens e textos

A mostra sociocultural retrata homens e mulheres que enfrentam ou enfrentaram o câncer de mama, além de colocar em foco a humanização da medicina em geral. Com mais de 70 exposições e 350 palestras pelo Brasil e ao redor do mundo, “De Peito Aberto” recebeu mais de oito milhões de visitantes e aproximadamente 25 milhões de pessoas tiveram acesso às informações sobre o tema por meio da mídia. E ainda, mais de 15 milhões de internautas foram impactados pelo projeto nas redes sociais.

As imagens da exposição mostram as histórias de mais de 50 mulheres e alguns homens de todo o Brasil, dos Estados Unidos, de Portugal e da Espanha, entre 18 e 90 anos, de diversas origens, etnias e classes sociais. Elas captam as emoções vividas por essas “guerreiras e guerreiros” em cada uma das etapas do câncer. 

 


“De Peito Aberto” foi a única mostra convidada e exposta em toda a história na sede das Nações Unidas, em Nova York, durante o período da Assembleia Geral. Foi apresentada em 2011, durante o Encontro Mundial de Alto Nível sobre Doenças Crônicas Não Transmissíveis e a 66ª Assembleia Geral das Nações Unidas.

 

 

A palestra que acontece durante o período da exposição promove um diálogo em que os autores, pacientes, profissionais de saúde, familiares e a população em geral podem conversar sobre o tema. A informação ajuda a desconstruir mitos e paradigmas que envolvem a doença.

O projeto tem como meta estimular uma nova conduta em relação ao enfrentamento do câncer de mama e oferece informação de qualidade sobre a doença. Desde 2006, De Peito Aberto vem sendo apresentado em todo o Brasil e no exterior, e agora estará em Florianópolis no mês do Outubro Rosa.

 

 

Entre os vários temas que são colocados em foco estão:

A humanização da medicina e a conduta médico-paciente
A relação entre pacientes, familiares e amigos
Os direitos de pacientes portadores de doenças graves
Como lidar com os fatores que afetam sua autoestima - reconstrução mamária; perda de cabelo; modificações na aparência; ameaça à fertilidade; redução da libido, entre outros.

 

Com vocês, os autores desse lindo e tocante projeto, Vera Golik e Hugo Lenzi!

 

 

O que motivou vocês a idealizarem o projeto De Peito Aberto?

Vera – Em 2000, eu estava na redação trabalhando, quando recebi um telefonema do meu irmão: “Vera, estou com câncer”. Fiquei chocada. Dois dias depois, liga minha irmã, que mora nos Estados Unidos e me diz: “Vera, estou com câncer!”. Perdi o chão. Menos de um mês depois, minha mãe também faz exames e recebe o diagnóstico de câncer.

Foi um momento muito difícil para mim. Toda a família estava com câncer, ao mesmo tempo. Hugo, meu marido, já tinha enfrentado vários casos de câncer na família e o apoio dele foi fundamental para que eu conseguisse dar suporte aos meus familiares e não desmoronasse. Minha irmã teve que se virar sozinha nos Estados Unidos porque tivemos que cuidar do meu irmão e de minha mãe aqui. Eles não tinham plano de saúde.

Até conseguir os tratamentos pelo SUS, tiveram que enfrentar muita espera. Depois, foram bem atendidos, mas até entrar foi bem complicado. Muito difícil todo o processo para todos nós. O momento mais desafiador foi dizer para minha mãe (que estava com 80 anos e começando as quimioterapias dela) que o filho dela, meu irmão, de 50 anos, não tinha resistido e morreu. Ela perguntou: “Porque ele e não eu? Já estou velha e ele nem viu os netos ainda?”.

Uma mãe iria perguntar isso mesmo. Mas não havia o que fazer. Eu disse para ela: “Mãe, é triste mesmo e não tem uma explicação lógica. Agora, a gente chora. Normal. Mas, vamos em frente. Temos uma filosofia de vida humanista e saberemos dar um outro significado para tudo que estamos vivendo”. Ela juntou forças e realmente renasceu.

Chegávamos  às 6h30 da manhã no hospital, ela pegava a ficha 653 para ser atendida. Dava um suspiro e logo depois dizia: “Que bom! Tenho 652 pessoas para conversar”. Ia conversando, dando força e coragem para todas as pessoas. Ela estendeu a vida dela por mais três anos.

Ao mesmo tempo eu, como jornalista, e Hugo, como fotógrafo, resolvemos criar um projeto que mostrasse um pouco do que tínhamos vivido, que revelasse o que não era mostrado, que falasse de todos os sentimentos que as pessoas viviam, tanto os pacientes, como os familiares e amigos.

Passamos a entrevistar e fotografar pessoas em todo o Brasil. Assim, nasceu, em 2006, o projeto De Peito Aberto, a autoestima da mulher com câncer de mama, uma abordagem humanista. Uma exposição fotográfica e palestras que fazemos por todo o Brasil e trata da falta de humanismo dominante no atendimento à saúde, além de sensibilizar, conscientizar e, principalmente, transmitir força e esperança para todas as pessoas que trilham a mesma jornada. 


Hugo - A vivência do Câncer em nossa família. Meu pai, meu tio, meu avô, todos morreram de câncer. Diversos tipos. E mais tarde, toda a família da Vera enfrentando a doença ao mesmo tempo. O irmão e a irmã descobriram na mesma semana e a mãe logo depois. A luta pela humanização da medicina: a maioria dos médicos trata a doença e esquece a pessoa. Seja na medicina pública ou particular. 

 

Em todos esses anos de exposições, em tantos lugares diferentes, quais são as reações mais frequentes a esse trabalho?

Vera – As pessoas são surpreendidas pelo Projeto. Elas primeiro passam pela exposição fotográfica e se emocionam com imagens fortes, emocionantes e delicadas ao mesmo tempo. Ao lerem os relatos, e verem como a Exposição está dividida – nas fases da descoberta, do processo e da superação – elas percebem que muito além da doença essas pessoas têm histórias de vida surpreendentes. São mais fortes do que imaginam.

As pessoas se identificam e percebem que também conseguirão ultrapassar um problema tão sério como o câncer, como qualquer outro desafio que surge em suas vidas. Muitas nos disseram: “É bom saber que tem uma luz no fim do túnel!” O mesmo acontece durante as palestras.

No período que a Exposição fica em cada lugar, sempre promovemos um diálogo, contando as histórias dessas pessoas. Muitas delas vêm dar seus depoimentos pessoalmente. Os médicos e profissionais de saúde também participam respondendo as dúvidas do público. É um diálogo em que todos participam e saem melhor do que entraram.


Hugo - Surpresa, emoção e esperança. A exposição toca o coração das pessoas. E também leva a uma maior abertura para lidar com a doença e com a dor.

 

E a relação com as pessoas fotografadas e suas famílias? Como tem sido essa aproximação?

Vera – No início até pensamos que seria difícil encontrar pessoas que se dispusessem a fotografar e falar. Mas conforme fomos encontrando essas pessoas – por indicação de médicos e das próprias pacientes – vimos que elas precisavam desse momento. Todas querem muito fazer as fotos, se sentir belas e inteiras novamente, contar suas histórias. As fotos e os depoimentos têm um papel curativo. 

Hugo - Sempre existe uma certa tensão inicial. Mas a grande maioria quer se expor, se mostrar, se conhecer e contar a própria história.


Sabemos que há todo um cuidado na preparação de monitores, por exemplo, para o atendimento ao público. Como se dá essa experiência?

Vera – Esse foi outro grande aprendizado que tivemos com o andamento do projeto. Como a exposição fica por vários dias, às vezes um mês, no mesmo local, queríamos que sempre tivesse alguém ali para receber as pessoas. Assim, treinamos monitoras para que elas soubessem das histórias e pudessem conduzir as pessoas pela exposição.

Mas, mais do que isso, era importante ter um ser humano ali, que entendesse o que a pessoa sente ao ver as fotos. Muitas pessoas se emocionam, lembram de algum parente ou de sua própria história. Os monitores são treinados para perceber se a pessoa quer visitar tudo sozinha, quer um momento de privacidade para chorar sozinha, ou quer um ombro amigo para desabafar e contar a sua história.

Deixamos ali um livro de assinaturas que, mais do que ser um registro de presença, passou a ser um espaço para que quem quisesse contar a sua história pudesse fazer isso. Eu sempre me emociono lendo o que as pessoas deixam no livro. E as e os monitores têm uma experiência única de interagir com o público. Aprendem muito. Recebemos telefonemas deles de todo o Brasil perguntando quando vamos voltar, pois querem participar novamente como monitores. 

Hugo- Com um treinamento com foco na humanização, reconhecer e respeitar os sentimentos do público. A gente conta as histórias e assim os(as) monitores(as) acabam se envolvendo emocionalmente. É muito legal para todos.

 

O que significa, para vocês, o projeto ter alcançado uma dimensão tão ampla, sendo acompanhado por milhares de pessoas?

Vera – É muito emocionante. Foi uma surpresa. E é motivo de muito orgulho. Não imaginávamos que o Projeto fosse crescer tanto e que seguiria por tantos anos. Por um lado assusta, porque o câncer vem sendo cada vez mais diagnosticado – já está em níveis de epidemia –, mas por outro lado, nos dá uma satisfação muito grande saber que de alguma forma estamos ajudando todos que vivem esse momento tão desafiador a se tornarem pessoas mais fortes.

E que todas as e os Guerreiras e Guerreiros De Peito Aberto puderam compartilhar suas histórias e ajudar tantas pessoas em todos os cantos do país e do mundo. O impacto foi tão grande que acabamos sendo convidados para expor em vários estados de todo o Brasil – desde museus, escolas, shoppings centers e metrôs – impactando milhões de pessoas.

Em função da relevância, De Peito Aberto foi a única mostra convidada e exposta na ONU, em Nova York, no período da Assembleia Geral das Nações Unidas, em toda a história. Foi apresentada  em 2011, durante o Encontro Mundial de Alto Nível sobre Doenças Crônicas Não Transmissíveis e a 66ª Assembleia Geral das Nações Unidas.

Lançamos um livro com as histórias do Projeto e das mulheres e sempre tivemos muita cobertura da mídia, com matérias lindas. Vejam algumas, como os filmes produduzidos pela TV Lifetime para nós em https://www.youtube.com/user/DePeitoAbertocancer

E também a nossa participação no Programa do Jô Soares contando um pouco sobre o projeto: https://www.youtube.com/watch?v=n64bR7lm ywo&t=26s

Hugo- Milhares nao! Milhões! Se bobear a exposição é recordista de público. Mais de 8,5 milhões de visitantes da Exposição e mais de 80 milhões impactadas pela mídia e redes sociais


Em Florianópolis, serão incluídas fotos de pessoas que vivem aqui. Contem como foi essa aproximação... E pela primeira vez o projeto vem a Santa Catarina e a exposição começa justamente no primeiro dia do mês Outubro Rosa. Qual é a expectativa de vocês e como estão as parcerias aqui no estado?

Vera – Sim, incluímos pessoas aqui de Florianópolis que enriqueceram muito o projeto. Entre elas Leoni Simm, presidente voluntária da AMUCC, está agora no Projeto e sempre foi um sonho nosso tê-la em nossa Exposição. É uma guerreira que não apenas vem vencendo a doença por mais de 18 anos, como dedica sua vida pelo direito das pacientes. Leoni foi escolhida junto comigo para ser embaixadora Global para o Câncer pela American Cancer Society. E é uma grande amiga nossa.

A parceria com a AMUCC aqui em Santa Catarina está sendo fundamental para encontrar essas maravilhosas histórias e também para todo o sucesso do Projeto.

Hugo - Através da parceria com a AMUCC – Amor e União Contra o Câncer, que nos apresentou as personagens e está nos apoiando em todo o processo aqui em Florianópolis.

A expectativa é grande porque além da relevância do tema, que toca todo mundo, temos a importante parceria da AMUCC e o comprometimento de todos lá. O patrocínio da Droga Raia e da Novartis através da Lei Rouanet de Incentivo à Cultura é imprescindível. Sem isto não haveria projeto. E um ótimo trabalho de Assessoria de imprensa e divulgação, que é fundamental. 

 

Bate-bola


Uma mania

Vera - conversar com todo mundo

Hugo - perfeição


O que mais admira

Vera – a beleza da vida, a generosidade e a resiliência das pessoas

Hugo - beleza interior e integridade

 

O que não suporta 

Vera - injustiça 

Hugo - gente falsa e grudenta

 

Um lugar 

Vera -  o lugar que estou nesse momento

Hugo - Lucca, Itália, minha cidade de origem


Palavra

Vera - justiça 

Hugo - liberdade e justiça (de verdade)

 

Saudade 

Vera - da minha mãe

Hugo - meus filhos que vivem no exterior

 

Uma viagem 

Vera - são tantas... de cada viagem eu guardo histórias linda. E a minha viagem preferida é a que ainda não fiz. Amo viajar! 

Hugo -  Rússia

 

Uma bebida

Vera - água

Hugo - um bom vinho


Um ídolo 

Vera - o filósofo e líder humanista Daisaku Ikeda

Hugo - não tenho! Admiro muitas pessoas de muitas áreas

 

Hobby

Vera - voar de planado, tocar flauta e escrever crônicas

Hugo - ler e assistir filmes. E viajar

 

Felicidade para você é

Vera - aproveitar cada momento da vida

Hugo - um bom lugar com as pessoas que amo

 

Um sonho

Vera - que haja justiça, amor, solidariedade e oportunidades para todos os seres vivos deste planeta, ainda enquanto estou viva.

Hugo - um mundo mais justo e humano, com respeito à dignidade da vida em geral

 

 

Como saber mais sobre o Projeto?

Mais uma novidade deste Outubro Rosa 2019 é o relançamento do site do projeto, que vai ao ar durante o mês de Outubro: www.depeitoabertocancer.org.br. Lá tem muita coisa linda para compartilhar. Acompanhem ajudem a divulgar.


Conheça mais em: 

Site: www.depeitoaberto.inf.br / www.depeitoabertocancer.org.br

Instagram: @depeitoabertocancer

Youtube: https://www.youtube.com/user/DePeitoAbertocancer

Facebook: http://www.facebook.com/campanhadepeitoaberto

contato@depeitoaberto.inf.br  contato@idvh.org.br

 

Confira também a entrevista no Jô sobre o De Peito Aberto:

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social entretenimento Floripa Florianópolis gente festas eventos agenda
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Yula Jorge

Yula Jorge
Jornalista graduada pela UFSC. Antes disso estudou e viveu quatro anos entre o Canadá e os Estados Unidos e quando retornou a sua terra natal, Goiânia, graduou-se pela PUC em Secretariado Bilíngue. 
Logo mudou-se para Florianópolis, ingressou na Universidade Federal, e da ilha não saiu mais. Atua como colunista desde 2012, assinou uma coluna diária no jornal Notícias do Dia por alguns anos, e, paralelamente, foi repórter da RICTV Record e Record News. Traz todos os dias o que rola de especial em Floripa: sobre quem acontece, empreende, se engaja em causas legais. O que inaugura, as festas bombásticas, as melhores casas, restaurantes, os shows, as ações bacanas e o voluntariado.

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