Julho 18, 2017

Delação de Cunha interessa a catarinenses

No dia 6 de dezembro de 2014, mais exatamente no final da tarde, deputados federais catarinenses eleitos e reeleitos se acotovelaram em um espaço que ficou pequeno, no Hotel Majestic, em Florianópolis, para recepcionar e sair na foto ao lado do deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Eram de vários partidos. À época, Cunha estava em uma cruzada pelo país para se eleger presidente da Câmara dos Deputados, feito que garantiria menos de dois meses depois, e concretizava a passagem por Santa Catarina na terceira tentativa, depois de ser barrado na UFSC pela pressão de estudantes e militantes.

O conservador Cunha, que não ficou no comando da Câmara mais do que um ano e três meses, antes de ser afastado, irritava grupos mais liberais por suas posições radicais, porém agradava colegas de plenário, desde a campanha, quando, de acordo com especulações que circulam no Congresso, chegou a distribuir até R$ 500 mil aos mais próximos, tudo em caixa dois. De onde o dinheiro veio: da corrupção, da empreiteira Odebrecht, da OAS, da JBS, da Carioca Engenharia e por aí vai, todas envolvidas no escândalo revelado pela Operação lava Jato. Dizer que os parlamentares catarinenses, que, a exemplo da maioria dos 267 que votaram nele e o elegeram em primeiro turno, estão preocupados com a delação de Cunha porque o traíram depois, seria leviandade. Dizer que o sono de alguns passou a ficar comprometido, não.

 

Em números

Somente 10 parlamentares dos 513 votaram contra a cassação de Eduardo Cunha, os que agora estariam livres da ira que promete balançar bem mais do o presidente Michel Temer. Outros nove se abstiveram. Rogério Peninha Mendonça (PMDB) não compareceu à sessão, um dos mais próximos e provável candidato a ser poupado pelo ex-deputado. Portanto, 12 parlamentares do Estado o cassaram. Cunha incomodará muita gente e poderá ter papel relevante nas costuras para 2018 e ainda atrapalhar de vez a vida de Temer ao revelar quanto foi gasto para comprar votos para o impeachment de Dilma.

 

Os de fora

Evidentemente, os petistas Décio Lima e Pedro Uczai, além de Angela Albino (PCdoB), que estava no exercício do mandato, nunca estiveram com Cunha. Nem na eleição ao comandado da casa nem depois que ele aceitou o pedido de impeachment de Dilma Rousseff (PT).   

 

EDIÇÃO SOBRE FOTO DE RODOLFO STUCKERT

PRESTE ATENÇÃO!

Quem é um dos deputados mais entusiasmados pela eleição de Cunha, na foto principal. Bem atrás do ex-todo poderoso presidente da Câmara, um tal de Sergio Zveiter, também do PMDB do Rio de Janeiro, que pôs a faca nos dentes para fazer o relatório favorável à denúncia da PGR que autorizaria Michel Temer a ser processado pelo STF. Nada é por acaso nesta vida, nada.   

 

A revanche 1

Nas últimas décadas, Record TV, leia-se Igreja Universal do Reino de Deus, e Rede Globo travam uma batalha. Desde que uma imagem de Nossa Senhora Aparecida foi chutada, em 1994, por um bispo da Iurd, a coisa só piorou. Os Marinho trouxeram reportagens sobre as tramas da igreja, dólares jogados para cima em um quarto de hotel, nos Estados Unidos; acusações sobre lavagem de dinheiro e formação de quadrilha - esta última arquivada pelo TJ de São Paulo - e, bem antes, a cobertura da prisão do líder Edir Macedo por charlatanismoestelionato e curandeirismo.

 

A revanche 2

O Bispo Macedo, cuja igreja completa 40 anos, sempre relacionou a Globo a fraudes fiscais e, no último domingo, por envolvimento com um suposto esquema em investigação na Operação Lava Jato, que estaria no conteúdo da delação do ex-ministro petista Antonio Palocci. Se isto tivesse melhorado a vida dos que assistem às emissoras, até que seria interessante a depuração. Os dois impérios agem como os políticos, capazes de depredar os adversários sem observar que jogam ambos na vala comum. Ninguém vence, todos perdem.

 

DIVULGAÇÃO

AS LIÇÕES DA GREVE

Depois da mais impopular de todas as paralisações da Comcap, 1.865 toneladas de lixo foram coletadas desde sábado até o início da noite desta segunda, de acordo com a prefeitura, o que projeta para esta quarta a normalidade do recolhimento na Capital. O Sintrasem perdeu o discurso e a disputa, pois a autarquia, criada pelo projeto do executivo aprovado pela Câmara, garante a companhia pública. A legítima questão de preservar postos e direitos dos trabalhadores da empresa caiu como uma luva para a eleição, com três chapas, pelo comando do sindicato, e não agradou a população, principalmente depois de presenciar cenas absurdas de integrantes da entidade a rasgar sacos e espalhar lixo pela cidade.    

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 35 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, editor-chefe, chefe de Redação, gerente e diretor de Jornalismo na RBS TV (Blumenau e Florianópolis), hoje NSC TV; na TV Record (Florianópolis) e na Rede TV Sul (hoje SCC SBT); comentarista na RIC TV (hoje NDTV) e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União AM e FM (Blumenau e Florianópolis) e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, faz comentários na Rádio Cidade em Dia FM, de Criciúma, e é diretor de Conteúdo na TVBV (Band).
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