Agosto 02, 2017

Deputados arquivam denúncia contra Temer

A maioria dos deputados federais, 263 votos contra e 227 a favor (duas abstenções e 19 ausências), decidiu arquivar as denúncias de corrupção passiva contra o presidente Michel Temer, feitas pela Procuradoria Geral da República, na sessão desta quarta-feira. Surpreendeu a presença de deputados em plenário, desde o período da manhã, bem maior do que os 342 necessários para a votação ocorrer. A oposição, que deu presença para fazer pronunciamentos favoráveis ao encaminhamento da denúncia ao Supremo Tribunal Federal para que Temer fosse processado, cometeu um erro tático, e, já no início da tarde, havia quórum para a deliberação em plenário. A oposição também queria protelar a votação para o início da noite, sob o argumento quando as pessoas já haviam chegado em casa para acompanhar os debates sobre o tema, e obstruiu a votação. Ao final, os opositores mostraram que a força contra o presidente estava rachada.

As lições sobre o resultado da inédita questão de um presidente da República, no exercício do mandato, ser denunciado por um crime, corrupção passiva, passam pela ação de Temer. Longe dos fracassos que acompanharam as manobras para preservar a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) no cargo, por razão do impeachment, o atual presidente valeu-se das mesmas armas, a liberação de emendas parlamentares, por exemplo, porém sem perder o foco no corpo a corpo com os parlamentares que decidiram a continuidade do atual presidente no cargo. Principalmente os indecisos e os favoráveis à continuidade do processo. Venceu por conhecer os meandros do funcionamento da casa e de seus integrantes, fruto de dois mandatos como presidente da Câmara.  

 

ANTONIO AUGUSTO/CÂMARA DOS DEPUTADOS

CURIOSO

O burburinho da oposição em plenário e nos corredores da Câmara não condizia com o que ocorria fora dali. Não havia sequer vivalma no extenso gramado em frente ao Congresso Nacional, o que demonstra que nem sequer a oposição conseguiu mobilizar seguidores para a causa contra Temer. Em algumas rodovias país afora, pequenos grupos protestaram e interromperam o tráfego de veículos. Reparem na foto que o líder da Oposição no Congresso, o deputado Décio Lima (terceiro da esquerda para a direita), presidente estadual do PT catarinense, era um dos que empunhavam a faixa do Fora Temer. Ele que ficou muito tempo no enquadramento da TV Câmara, ao lado de quem pronunciava o voto, quase empata com a exposição do ex-deputado Fabrício Oliveira (PSB), o "papagaio de pirata" do impeachment de Dilma.

 

Palanque

Não foram somente os 36 votos de diferença, que empolgou a oposição e não chegou a deixar o Planalto tão entristecido. As eleições de 2018 tiveram presentes nas manifestações de muitos dos parlamentares. Fizeram da manifestação de voto um passaporte para os eleitores. E não se enganem que os que ficaram do lado de Temer perderam votos. Tudo irá depender da memória do eleitor, uma incógnita histórica no país.

 

REPRODUÇÃO TV

A PONTE DE TEMER

O presidente Michel Temer fez uma pronunciamento sobre a decisão na Câmara, logo após terminada a votação, embora saiba que o procurador-geral da República Rodrigo Janot deva entrar com, pelo menos, uma nova denúncia por obstrução da Justiça, de menor potencial. Fala-se em outra por formação de quadrilha. E Janot pediu ao STF para incluir o presidente no processo que investiga PMDB por formação de quadrilha. Os assessores do presidente divergiam sobre o tom do discurso e o formato: em rede de rádio e TV, aos jornalistas no Palácio do Planalto ou pelas redes sociais. Mas Temer, em entrevista aos jornalistas, apontou para o futuro e falou das reformas, da Previdência, Tributária e até Política. E disse que não é "vitória de ninguém". Detalhe: a rejeição da denúncia, o arquivamento em plenário, não livra Temer de responder pelos crimes a ele atribuídos pela PGR depois de deixar o comando do país, com o fim do mandato, em 31 de dezembro de 2018. Se aguentar até lá. 

 

Tucanaram geral

Em posicionamento que chamou a atenção até do maior adversário, o PT, o PSDB liberou sua bancada para votar favorável à denúncia, uma espécie de revanche contra o deputado tucano Paulo Abi-Ackel (MG), que fez o relatório pela rejeição, na Comissão de Constituição e Justiça. E o líder Ricardo Tripoli orientou pelo voto não, enquanto outros governistas gritavam: "Se o PSDB tiver ombridade, deve entregar os ministérios!" Os tucanos dizem, no entanto, que são favoráveis às reformas (Previdência, principalmente). Ou seja, aumentarão o placar na hora de analisar a emenda à Constituição. O muro sempre parece mais próximo do PSDB, o tradicional morde e assopra.

 

GILMAR FELIX/AGÊNCIA CÂMARA

RIDÍCULO

O embate físico entre deputados no plenário durante a discussão sobre o relatório aprovado na CCJ da Câmara sobre a denúncia da PGR contra o presidente da República. Do "Pixuleco" nas mãos do deputado Wladimir Costa (SD-PA), que tatuou o nome de Temer no ombro, e provocou a ira dos petistas e demais partidos de oposição à manobra de empurra-empurra para atrapalhar a votação. A oposição se aproveitou e seguiu ma provocação para adiar a votação. Não bastassem as denúncias de corrupção que virou a marca de boa parte dos integrantes da casa, alguns resolveram exagerar e piorar ainda mais a biografia na tarde desta quarta.  

 

Como votaram os deputados da bancada catarinense, a favor da denúncia ou contrário ao pedido da PGR:

Carmen Zanotto (PPS) A FAVOR (NÃO)

Celso Maldaner (PMDB) CONTRA (SIM)

Cesar Souza (PSD) CONTRA (SIM)

Décio Lima (PT) A FAVOR (NÃO)

Esperidião Amin (PP) A FAVOR (NÃO)

Geovânia de Sá (PSDB) A FAVOR (NÂO)

João Paulo Kleinübing (PSD) CONTRA (SIM)

João Rodrigues (PSD) CONTRA (SIM)

Jorge Boeira (PP) A FAVOR (NÃO)

Jorginho Mello (PR) A FAVOR (NÃO)

Mauro Mariani (PMDB) CONTRA (SIM)

Marco Tebaldi (PSDB) CONTRA (SIM)

Pedro Uczai (PT) A FAVOR (NÃO)

Rogério Peninha Mendonça (PMDB) CONTRA (SIM)

Ronaldo Benedet (PMDB) CONTRA (SIM)

Valdir Colatto (PMDB) CONTRA (SIM)

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 35 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, editor-chefe, chefe de Redação, gerente e diretor de Jornalismo na RBS TV (Blumenau e Florianópolis), hoje NSC TV; na TV Record (Florianópolis) e na Rede TV Sul (hoje SCC SBT); comentarista na RIC TV (hoje NDTV) e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia. Atuou nas rádios União AM e FM (Blumenau e Florianópolis), e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, assina uma coluna no Diarinho (Itajaí), faz comentários nas rádios do Grupo RCC (Bombinhas e Nova Trento), na 105 FM (Jaraguá do Sul) e na Cidade em Dia FM, de Criciúma, e é diretor de Conteúdo na TVBV (Band).
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