Fevereiro 15, 2020

O desafio da liderança ficou com Paulinha

O desafio da liderança ficou com Paulinha
REPRODUÇÃO/INSTAGRAM

Um almoço na sexta (14), na Casa d’Agronômica, com o governador Carlos Moisés e o secretário Douglas Borba (Casa Civil) selou o aceite da deputada Paulinha da Silva (PDT) para assumir a liderança do governo na Assembleia.

Paulinha andava cautelosa, durante a semana, quando chegou a ser provocada pela coluna e disse que não havia sido sequer convidada, mas não fugiu à responsabilidade depois que o colega emedebista Valdir Cobalchini disse não, em função da negativa da cúpula estadual do partido e do cenário de muita pressão que será a tônica neste semestre.

A deputada, informalmente, já tem feito o que Moisés mais precisa, alguém que defenda a sua administração em plenário ou fora dele, como ocorreu quando gravou um vídeo nas redes sociais para apoiar o posicionamento do secretário Natalino Uggioni (Educação) na compra de veículos para a pasta, diante das críticas disparadas pelo colega Bruno Souza (NOVO) de que eram de luxo e não se enquadravam nos padrões de decretos do próprio Estado.

 

Estilo

Ex-prefeita de Bombinhas por duas vezes, a brizolista Paulinha garantiu mais de 52 mil votos para ser deputada vinda de um município com quase 14 mil eleitores, fato que confirma que angariou simpatizantes em todo o Estado.

Passado o folclore do decote na posse, que correu o Brasil pelas redes sociais, prova de que machismo e preconceito caminham juntos, a deputada tem vida ativa nas comissões da Assembleia, na bancada feminina, posiciona-se em plenário e é dona do que seus assessores chamam de “Estilo Paulinha”, uma maneira de dizer que faz política sem cobrar nada em troca.

 

Inteligente

Nas redes sociais, o anúncio do nome de Paulinha para líder do governo foi comemorado por seus admiradores e motivo de chacotas dos adversários, que chegam a dizer que Moisés se equivocou “de vez”.

Não é bem assim, pois o governador pode ter acertado ao tentar errar, quando insistia com o MDB, por ter uma bancada forte, robusta, mas não garantia o que a deputada fez: antes de dizer sim a Moisés, ligou para diversos parlamentares e perguntou, com serenidade, se deveria aceitar a missão e recebeu um sonoro indicativo de aprovação. Ou seja, repartiu a decisão com quem precisará do apoio mais à frente.

 

“Perplexo”

De Brasília, onde participou de uma reunião de planejamento do PDT nacional, o secretário-geral da sigla e presidente estadual Manoel Dias declarou que ficou sabendo pela imprensa da decisão de Paulinha.

De acordo com Maneca, Paulinha não comunicou a decisão à executiva estadual, o que o deixou “perplexo”, e que já há reação negativa dos movimentos sociais e dos filiados em repúdio ao acordo da parlamentar com Moisés.

 

Em pauta

Na próxima terça (18), na reunião da executiva estadual, o assunto será debatido, sem perspectiva de ser assimilado pelos brizolistas.

Não é de hoje que a bancada do PDT namora com a administração de Moisés, que tem total apoio do segundo vice-presidente da Assembleia, o deputado Rodrigo Minotto, e da própria Paulinha, que tem voz no diretório estadual por ser a primeira vice-presidência.

 

Celesc 1

Depois de uma decisão controversa de cassar o mandato do então diretor Comercial Antônio Linhares – que tinha mais dois anos de mandato -, no fim do ano passado, até hoje a eleição do novo integrante do comando da Celesc gera polêmica e desconfortos.

Indicado pelos funcionários, que escolhem o dirigente em votação direta, a eleição para o cargo bateu na trave, pois o mais votado Cláudio Varella do Nascimento, que tem as graças de muita gente influente na política estadual e da estatal, fez 54,43% dos votos, mas o quórum de 50% mais um voto não foi atingido.

 

Celesc 2

O que os sindicalistas da Intercel chamam de golpe, a diretoria da Celesc tenta resolver no voto, depois de um quase tropeço da Comissão Eleitoral, quando chegou a acatar um recurso de Varella Nascimento e homologar o resultado,  opção que foi rejeitada pelos dirigentes da estatal que decidiram marcar uma nova escolha e passar o problema para as mãos do Conselho de Administração.

O martelo será batido no dia 20 deste mês e o clima na maior estatal catarinense, criado em parte pelas ações do presidente Cleicio Poleto, não anda às mil maravilhas com segmentos dos funcionários.  

 

Quase um efeito Hassler

Pois o presidente da Celesc safou-se, esta semana, de provocar um novo episódio com componentes semelhantes ao que ocorreu entre o ex-secretário Carlos Hassler (Infraestrutura) e o deputado estadual Valdir Cobalchini, o que custou a saída do governo do então assessor de Carlos Moisés, por não aceitar a presença do parlamentar em uma reunião.

Na quinta (13) à tarde, estava marcada uma audiência para receber o presidente da Associação dos Produtores de Energia de Santa Catarina, Gerson Berti, que viria acompanhando do vice-presidente da Assembleia, deputado Mauro De Nadal (MDB) e de uma comitiva de investidores e empreendedores, mas Cleicio Poleto avisou que só receberia os dois cabeças, um deles o parlamentar, mas nada de acompanhantes, os 11 associados.

 

E não saiu

Ao saber da informação, o deputado De Nadal desistiu de participar da reunião, que pretendia resolver o impasse que atrapalha investidores de muitos projetos de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) e de usinas fotovoltaicas (energia solar) que têm demorado a passar pela análise de técnicos da Celesc.

Berti garante que o travamento dos processos está trazendo insegurança e desinteresse para pelo menos 30 empreendimentos que estão na fila e há reclamações diárias sobre a questão.

 

A posição

Oficialmente, a assessoria do presidente da Celesc afirma que o acertado é para o presidente da Apesc informar as demandas do setor.

A ordem na estatal era para Berti ser o portador dos pedidos e que os casos seriam devidamente “reanalisados pela área técnica, mantendo canal aberto para discussão”.

 

JOÃO CAVALLAZZI/DIVULGAÇÃO

A HORA DE CONVERSAR

A deputada federal Angela Amin (PP) intensifica as conversas para a eleição de outubro e se encontrou com o presidente municipal do PSL, Jefferson Fonseca (à esquerda). O partido de Carlos Moisés tem o nome forte do coronel Araújo Gomes, comandante-geral da PM, como mapeado para concorrer à prefeitura de Florianópolis, mas também necessita buscar alianças. O mesmo caminho de Angela, duas vezes prefeita da Capital, e que não sai do target das especulações. A hora é de conversar e muito, embora Angela já tenha afirmado que o mês que vem será crucial para decidir se enfrenta o desafio de concorrer, entre outros, contra o prefeito Gean Loureiro (DEM), candidato à reeleição e que está atrás de alianças. Na foto, estava o presidente municipal do PP, o advogado Alessandro Abreu.

 

MARCELO NATALE/DIVULGAÇÃO

NOMINATA PRONTA

Põe antecipação na estratégia do MDB de Florianópolis que já lançou, com direito à presença dos ex-governadores Casildo Maldaner e Paulo Afonso, o senador Dário Berger e o presidente estadual da sigla, deputado federal Celso Maldaner, a nominata de candidatos a vereador. A eleição sem coligações na proporcional tem exigido maior esforço dos partidos e o presidente municipal, vereador Rafael Daux, cotado para ser vice na chapa de Araújo Gomes, que deve se filiar ao PSL – os militares podem fazer a filiação mais tarde -, sabe que a força do time com muita participação de mulheres e de jovens, além dos candidatos já testados na urna, é fundamental. A eleição da Capital é um trampolim para o partido se quiser ter pretensões em 2022 e, por isso, a roda-gigante na Beira-Mar Norte, que provocou risos ao ter a energia elétrica, puxada com um gato, era o cenário de fundo, sinal de que a pressão contra o prefeito Gean Loureiro, que deixou a sigla para ir para o DEM, está explícita até nos detalhes.    

 

Pé na estrada

Com tanta adrenalina em Florianópolis, Dário resolveu mudar a sua postura e seguir o presidente Celso Maldaner nos roteiros pelo interior do Estado, que passou, neste fim de semana, por Ibirama, Laurentino e Braço do Trombudo, no Alto Vale do Itajaí.

O entusiasmo nas cidades, embaladas pelas eleições deste ano – e, em Laurentino, serão duas à prefeitura com a cassação de prefeito e vice – divide espaço com os pedidos para Dário ser o candidato ao governo em 2022.

 

Tendência

O governador Carlos Moisés reuniu-se com a diretoria da Federação das Associação Empresariais de Santa Catarina (Facisc), entidade que reúne boa parte do PIB do Estado, com 34 mil empresas filiadas a 148 associações empresariais catarinenses.

Moisés, que recebeu um elogio do presidente da federação, Jonny Zulauf, pela facilidade de acesso da Facisc à administração estadual, traçou um ano de investimento e avanço na parceria público-privada e com perspectivas a partir da aprovação da Reforma da Previdência, após o primeiro ano de pôr a casa em ordem.

 

DIVULGAÇÃO/SECOM

EM REDE NACIONAL

O governador Carlos Moisés (PSL) defendeu uma Reforma Tributária mias justa entre os entes federados: municípios, estados, Distrito Federal e União. Em, boa parte do programa, com o jornalista Gerson Camarotti, na Globo News, exibido nesta sexta (14), mas gravado durante a semana, Moisés e os governadores Eduardo Leite (PSDB, do Rio Grande do Sul) e Wellington Dias (PT, do Piauí) defenderam o ICMS, o maior imposto estadual. E também alertaram para a polêmica criada pelo presidente Jair Bolsonaro que provocou os governadores a baixarem o tributo sobre os combustíveis, algo tão inviável que até o ministro Paulo Guedes (Economia) já disse que não há como cortar ou baixar o PIS/Cofins ou a CIDE, que cabe à União.

 

Para confirmar

Neste sábado, no Golden Hotel, em São José, pelo menos 15 pessoas devem assinar a filiação coletiva no PSL com as bênçãos de Moisés.

Além de Luciano Buligon (Chapecó), constam da lista extraoficial os tucanos Henrique Maciel (Praia Grande), Valmor Kammers (Major Gercino), Adelmo Alberti (Bela Vista do Toldo) e José Thomé (Rio do Sul).

 

RICARDO PEREIRA/DIVULGAÇÃO

APLAUSOS E APOIO NA OAB

O Conselho Pleno da OAB de Santa Catarina aprovou com moção de aplauso o parecer que aponta que a ex-procuradora-geral do Estado, Célia Iraci da Cunha, emitiu dentro de suas atribuições um parecer na esfera consultiva sobre a equiparação dos salários dos procuradores do Estado com os da Assembleia em sentido oposto ao de sua manifestação na esfera contenciosa (judicial), episódio que a levou a ser exonerada pelo governador. O Conselho da ordem, que recebeu Célia entusiasticamente, posicionou-se em defesa e apoio às prerrogativas da procuradora, acusada de fraude pelo defensor público Ralf Zimmer Júnior, que a incluiu no pedido de impeachment arquivado pela Assembleia contra o governador do Estado e a vice-governadora Daniela Reinehr. Para o presidente Rafael Horn, “a defesa da advocacia pública, suas prerrogativas e sua autonomia funcional são a missão da OAB, e o Conselho Estadual atuará sempre com esta diretriz em defesa não apenas da classe mas, principalmente, da cidadania e da sociedade”, enquanto o conselho da entidade entendeu que ficou evidente a tentativa de criminalizar o exercício da advocacia

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 35 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, editor-chefe, chefe de Redação, gerente e diretor de Jornalismo na RBS TV (Blumenau e Florianópolis), hoje NSC TV; na TV Record (Florianópolis) e na Rede TV Sul (hoje SCC SBT); comentarista na RIC TV (hoje NDTV) e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia. Atuou nas rádios União AM e FM (Blumenau e Florianópolis), e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, assina uma coluna no Diarinho (Itajaí), faz comentários nas rádios do Grupo RCC (Bombinhas e Nova Trento), na 105 FM (Jaraguá do Sul) e na Cidade em Dia FM, de Criciúma, e é diretor de Conteúdo na TVBV (Band).
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