Março 26, 2020

Desentendimento Globo X Bolsonaro é diário e está aumentando

Desentendimento Globo X Bolsonaro é diário e está aumentando

Desde a campanha eleitoral, a relação entre Jair Bolsonaro e a Rede Globo de Televisão não vinha bem. O então candidato, segundo informações da ex-líder Joice Hasselmann, tinha uma equipe dentro do palácio do Planalto ocupado em disparar informações robotizadas e preparar textos contra desafetos. A própria Joice virou foco, não resistiu e deixou o governo magoada e revelando os podres dos bastidores.

Outro ponto para alimentar os adeptos da candidatura era fomentar informações sobre a Globo, algumas inverídicas, como a dependência da verba de governo para subsistir. 

 

Jornal Nacional

O troco da emissora foi pressionar na entrevista, ao vivo, antes das eleições, no Jornal Nacional. O candidato entre outras coisas disse que entre os dois apresentadores havia diferença salarial, favorável a William Bonner, desconcertando Renata Vasconcellos.

O final foi mais constrangedor sobre o golpe de 64, que Bolsonaro nega como definição, e para mostrar que era uma ação necessária no momento, citou frase de Roberto Marinho, fundador da Globo, em editorial de 7 de outubro de 1964, apoiando o movimento. Bonner chegou a dizer que a Globo se reposicionou sobre o tema, mas rapidamente mudou para o final, como se desistindo de obter alguma versão diferente do que o candidato tem dito em palanque.

 

Segue a guerra

Com esses precedentes, as escaramuças diárias entre o presidente e a emissora atingem neste momento o pico. Ao convocar uma cadeia nacional de rádio e televisão, com críticas diretas às mídias e específicas contra a Globo, terça-feira, 23, Bolsonaro ampliou a cutucada na abelheira. Alguns analistas e mesmo integrantes da equipe, ouvidos em off pela GloboNews, disseram que ele exagerou, quase fora de controle.

A rede respondeu em todos os seus espaços na TV aberta, fechada, jornais, rádios e online com informações sobre panelaços e dezenas de especialistas e autoridades contra a posição de Bolsonaro, de criticar a quarentena pelo coronavírus. Com a outra parte da grande mídia ao seu lado.

 

Qual o lado?

O Jornal Nacional de ontem, 25, ficou até monótono de tanto material que editou para mostrar que o presidente está errado. E ainda somou no agravamento, a participação dos governadores, liderados por João Doria, que não está respeitando a liturgia do cargo de chefe da nação.

Vê-se no viés político óbvios interesses nas eleições de 2022, tanto do presidente quanto do governador de São Paulo. Enquanto isso, pessoas morrem e se infectam pelo Brasil afora, com perspectivas de multiplicação geométrica da pandemia.

Por isso, a sensação hoje é que todos estão errados e que está baixando a tolerância do público à guerra política e de informação, em momento de liberdade cerceada por quarentenas.

Onde está o ponto final disso? Quem para essa guerra onde todos parecem estar errados?

Tags:
multimidia claiton selistre bastidores comunicação TV rádio jornal
Compartilhe: Compartilhe no FacebookCompartilhe no TwitterCompartilhe no Linkedin

Artigos Relacionados

Claiton Selistre

Claiton Selistre

Jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, foi diretor de Jornalismo por 25 anos da RBS TV, TVCom e Rádio CBN/Diário em Santa Catarina. Antes atuou na  Rádio e TV Gaucha do grupo RBS e em redações de jornal, rádio e tv do grupo Caldas Jr. em Porto Alegre. Foi também repórter da na Sucursal do Jornal do Brasil. Planejou e Coordenou coberturas multimídia nas Copas do Mundo de Futebol na Alemanha, Argentina, Espanha, México, Itália, Estados Unidos, França e Japão/Coréia. Dirige a Making of há seis anos.

Comentários

Media Social

Fique por dentro

Receba novidades no seu e-mail!